Move That Jukebox!


Crítica: Donkey (CSS) by Neto
julho 19, 2008, 2:44 pm
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O último álbum do Cansei de Ser Sexy ainda nem chegou às lojas, mas já deu (e está dando) o que falar. É claro que tenho que concordar com todo aquele papo do abandono do experimentalismo (que levou o grupo às capas das mais famosas revistas de música do Reino Unido e aos mais ilustres festivais britânicos em pouquíssimos meses) por Lovefoxxx, Adriano e pelos outros membros que estão cansados de serem sexy no Donkey, mas discordo quando afirmam que isso seja ruim, de alguma forma.

Como um grupo mais organizado (e cada vez mais britânico), o Cansei se saiu razoavelmente bem e, mesmo quase esquecendo de seu país nativo, segue no topo da [minha] lista de bandas brasileiras.

Quanto mais escuto às novas composições do CSS, mais me apaixono por elas. E, depois de ouvi-las meia dúzia de vezes, passei a valorizar certas faixas que ainda não haviam chamado a minha atenção. Believe Achieve, por exemplo, passou despercebida nas minhas primeiras ouvidas e, depois de certo tempo, comecei a identificar alguns elementos do antigo CSS nela. Gostei. Give Up é mais uma dessas, é até hoje tenho certa dificuldade em associar ela ao seu nome. Nela, os backing vocals de Adriano tiveram uma química semi-divina com a doce voz de Lovefoxxx (que consegue ser bem mais selvagem quando quer) nos refrões, que são tão cativantes quanto os da faixa de abertura, Jager Yoga. A propósito, de um modo geral, faixas costumam ser boas, mas Jager é fora de série.

Rat Is Dead (Rage) foi a primeira música que chegou à maioria de nós, já que foi disponibilizada oficialmente para download no site da banda. Assim que fiquei sabendo dessa história fui correndo no CSS Hurts e viciei poucas horas depois – mesmo sendo mais pop do que de costume. O curioso é que ela soou muito mais CSS quando ouvi Left Behind, que parece ter exagerado nas influências de pop music.

Let’s Reggae All Night, diferentemente das citadas no início desse post, ganhou minha atenção logo em seus primeiros segundos, antes mesmo da raposa do amorrr entrar com sua voz, já que seu baixo tem uma presença mais forte (assim como acontece no reggae) e, como um todo, é bem menos apressada do que sua antecessora, (Rage).

Beautiful Song tem uma melodia que parece ter sido feita no auge de uma paixão (Lovefoxxx e Simon?), embora seja cantada de forma ligeira. A voz de Adriano, que aparece mais uma vez no final dessa música, marcou uma presença vocal masculina mais ativa do que no álbum de estréia do Cansei, aquele homônimo.

Na sequência vem How I Became Paranoid, uma música que é especialmente interessante por seu instrumental cativante nos primeiros segundos, que parecem convidá-lo para um ambiente mais wild. Minha expectativa por um pouco de selvageria, como já podia-se prever, foi quebrada – mas não declarei total perda para a música que se revelou uma espécie de Left Behind menos pop e, amo mesmo tempo, algum tipo de Move (uma outra brilhante canção do Donkey) menos moving. Depois de escutar ao CD, repare bem: How I Became Paranoid, Move e I Fly (que também é ótima) modelam uma curta (mas agradável) sequência que começa super pra cima e vai ficando cada vez mais dançante, ao passar dos minutos. Uma combinação perfeita.

Com 11 faixas, Donkey é finalizado com Air Ponter que, mesmo não sendo tão boa quanto Rat Is Dead, I Fly ou Move, faz seu trabalho muito bem.

Ouça o disco completo no MySpace da banda

Autor: Alex Correa



Crítica: Lucky (Nada Surf) by Cedric
fevereiro 24, 2008, 6:45 pm
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Atualmente, Nada Surf anda pelo underground, mas a banda nova-iorquina já teve seu [intenso] período de mainstream.

Lá por meados da década de 90, os caras lançaram seu primeiro CD, High/Low, e invadiu as rádios com o hit ‘Popular’, que, ironicamente, acabou ficando mais popular do que o esperado.

Mas o sucesso de Nada Surf não parou por ai. Em 99, o grupo foi convidado para gravar um tributo aos Pixies, e, algum tempo depois, em 2004, lá estava o Nada no “The O.C Mix 2”. Foi quando eu conheci o som deles.

Nesse mês (fevereiro), depois de dois anos e pouco sem lançar nenhum álbum novo, o Nada Surf veio com ‘Lucky’, o quinto álbum da banda (passei a esperá-lo ansiosamente depois de escutar ‘See These Bones’, que vazou a algum tempo).

Enquanto o último CD, ‘The Weight Is A Gift’ foi produzido por Chris Walla, guitarrista do Death Cab, ‘Lucky’ teve a participação de Ben Gibbard nos vocais de ‘From Now On’. Além de Ben, John Roderick (The Long Winters), Sean Nelson (Harvey Danger) e alguns outros contribuiram nas gravações.

Esse recém-lançado álbum já está na minha lista de ‘Melhores Downloads do Ano’ (acabo de criá-la), pelo som agradável e suave que me proporcionou nesse chuvoso domingo.

As distorções de ‘Weightless’, o coral de ‘See These Bones’, a trompa do Calexico em ‘Ice On The Wing’ dão um toque necessário – e especial – em ‘Lucky’, além dos vocais de Gibbard em ‘From Now On’, como disse acima, é claro. Até a melancolia de ‘The Film Did Not Go ‘Round’ se saiu bem, infinitamente melhor do que as a pouco citadas ‘In The Privacy of Our Love’, ‘We’re Looking For A Lot Of Love’ e ‘Whistle For Will’, do novo CD Hot Chipiano. Mas isso é uma outra história.

  1. “See These Bones”
  2. “Whose Authority”
  3. “Beautiful Beat”
  4. “Here Goes Something”
  5. “Weightless”
  6. “Are You Lightning?”
  7. “I Like What You Say”
  8. “From Now On”
  9. “Ice on the Wing”
  10. “The Fox”
  11. “The Film Did Not Go ‘Round” (originalmente de Greg Peterson)

CD Bonus (se você comprar o CD original…):

  1. “Whose Authority” (acoustic)
  2. “I Like What You Say” (acoustic)
  3. “I Wanna Take You Home”
  4. “Everyone’s On Tour”

Não deixem de assistir ‘Whose Authority’, o clipe novo do Nada que certamente foi inspirado em ‘Put Your Records On’, da Corinne Bailey Rae:

Autor: Alex Correa

 



Crítica: Made In The Dark (Hot Chip) by Cedric
fevereiro 20, 2008, 4:57 pm
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‘Made In The Dark’ é o mais novo CD do grupo inglês Hot Chip, que já passou pelo Brasil no ano passado. O álbum conta com algumas músicas dançantes e ouras melancólicas (talvez até melancólicas demais), mas superou o ‘Coming On Strong’, primeiro trabalho do grupo.

Poucos minutos depois de apertar o play você já ficará satisfeito: ‘Out At The Pictures’, a primeira faixa do CD, é extremamente cativante. A introdução da música aparentemente tem o objetivo de te deixar no mínimo ansioso para ouvir o resto do álbum (me lembrou um pouco a introdução de ‘Living Is A Problem Because Everything Dies’, primeira música de Puzzle, do Biffy Clyro).

E termina a faixa 1. “Excelente!” foi o que eu pensei. Mas não demorou muito para a minha opinião mudar drasticamente (para melhor). Depois de escutar ‘Shake A Fist’, ‘Ready For The Floor’, ‘Bendable Poseable’ e ‘Touch To Much’ deixei escapar um ruído não-identificado de dentro de mim, que tentou dizer “PUTAQUEPARIUQUECDFODA” ou qualquer outra coisa tão empolgada (e desbocada) quanto.

Mas é uma pena que nada seja tão perfeito assim. Logo na 6º faixa já pude reparar uma queda significativa de qualidade (o que faria o ‘Made In The Dark’ perder o selo de qualidade do MTJ!, se tivéssemos um) que permaneceu por outras 2 faixas.

Percebeu que ainda não falamos da música que deu nome ao CD? Está curioso para ler sobre a ‘Made In The Dark’? Não? Pois vou falar assim mesmo. A faixa com certeza não está entre as melhores do CD, não mesmo. Para ser mais sincero, a música entrou para a minha lista negra do Hot Chip, junto com ‘We’re Looking For A Lot Of Love’, In The Privacy Of Our Love’ e ‘Whistle For Will’.

Porque eu não gostei delas? Muito melancólicas. MUITO mesmo. Não tenho nenhum problema com melancolia nas músicas, mas isso é uma coisa que eu realmente não esperava escutar quando baixei o novo álbum do Hot Chip. Se eu pudesse mudar o nome do CD, provavelmente escolheria ‘Shake A Fist’ ou ‘Ready For The Floor’, mas como não posso mudar, acho que vai ter que continuar assim mesmo.

‘Made In The Dark’ termina com ‘The Privacy Of Our Love’ (uma das músicas que entraram para a minha lista negra, como disse acima). Reformulando a frase: ‘Made In The Dark’ termina mal, com uma das músicas mais chatas do CD.

Pra terminar, uma dica: Quando chegar na última música do álbum, volte para a primeira e escute-o de novo até a 5ª faixa. Dance, cante, pule, fique feliz e depois vá escutar o ‘The Warning’, para continuar feliz.

  1. “Out at the Pictures”
  2. “Shake a Fist”
  3. “Ready for the Floor”
  4. “Bendable Poseable”
  5. “We’re Looking for a Lot of Love”
  6. “Touch Too Much”
  7. “Made in the Dark”
  8. “One Pure Thought”
  9. “Hold On”
  10. “Wrestlers”
  11. “Don’t Dance”
  12. “Whistle for Will”
  13. “In the Privacy of Our Love”

Autor: Alex Correa

 



Crítica: CocoRosie by Gabriel

Conhece o duo CocoRosie? Aproveite a oportunidade, acredito que não se arrependerá.

Formado pelas irmãs Sierra Rose Casady e Bianca Leilani Casady, o duo meio americano, meio francês, explora uma atmosfera difícil de se definir, que vai do indie rock, passa pelo folk, blues e consegue chegar a influências do hip-hop, tudo com muita originalidade, chegando a sonoridades nunca antes exploradas.

Sierra é responsável pelo violão, harpa e voz. Já Bianca pelos brinquedos, gravadores e suave voz.

Confesso que desconfiei de tais misturas antes de ouvi-las. Mas bastou alguns segundos para perceber que a qualidade era inquestionável.

O álbum de estréia (meu preferido), La Maison De Mon Revê, lançado em 2003, explora a utilização de brinquedos infantis (Terrible Angels, Candy Land são bons exemplos), violão e piano, além das diferentes, contrastantes, porém maravilhosas vozes de Sierra e Bianca (ouça Good Friday). A suavidade da voz de Bianca contrapõe-se a de sua irmã, e em meio a tais instrumentos e batidas eletrônicas, torna-se perceptível a fusão entre o acústico e o eletrônico. Toda essa mistura é carregada por uma melancolia e certo ar de nostalgia.

Esse não é o único álbum do duo. Em seu segundo disco, Noah’s Ark (2005), a banda mostra que tem muito que oferecer ainda ao universo musical. A exótica sonoridade, agora em melhor qualidade de gravação, conta com a participação de dois ícones da música: Devendra Banhart (também presente no terceiro disco – ‘Houses’ é de sua autoria) e Antony Hegarty (Beautiful Boyz), do Antony and the Johnsons. A estranha voz de Antony casa-se perfeitamente com a atmosfera criada pelo duo, tornando esta uma bela música.

Não satisfeitas com tamanho experimentalismo, lançam seu terceiro disco, ‘The Adventures of Ghosthorse and Stillborn’. No momento ainda não explorei todo o álbum, por isso deixarei para comentá-lo em outra oportunidade.

No entanto, pela sonoridade que têm nos oferecido, além de sua proposta experimental, as duas conseguem se tornar originais, fugindo do clichê, firmando-se no mundo musical. Audição indispensável para quem gosta de boa música.

Quer saber mais?

MySpace | Site Oficial | Wikipédia

La Maison De Mon Revê [2003]

  1. “Terrible Angels” – 4:10
  2. “By Your Side” – 3:59
  3. “Jesus Loves Me” – 3:10
  4. “Good Friday” – 4:23
  5. “Not For Sale” – 1:19
  6. “Tahiti Rain Song” – 3:36
  7. “Candyland” – 2:56
  8. “Butterscotch” – 3:08
  9. “West Side” – 1:24
  10. “Madonna” – 3:49
  11. “Haitian Love Songs” – 4:55
  12. “Lyla” – 4:04

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Noah’s Ark [2005]

  1. K-Hole” – 4:10
  2. “Beautiful Boyz” – 4:37
  3. “South 2nd” – 4:09
  4. “Bear Hides and Buffalo” – 4:14
  5. “Tekno Love Song” – 3:54
  6. “The Sea Is Calm” – 3:39
  7. “Noah’s Ark” – 4:13
  8. “Milk” – 0:34
  9. “Armageddon” – 4:04
  10. “Brazilian Sun” – 4:38
  11. “Bisounours” – 4:06
  12. “Honey or Tar” – 2:08

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The Adventures of Ghosthorse and Stillborn [2007]

  1. Rainbowarriors (3:55)
  2. Promise (3:37)
  3. Bloody Twins (1:37)
  4. Japan (5:02)
  5. Sunshine (2:58)
  6. Black Poppies (2:37)
  7. Werewolf (4:50)
  8. Animals (6:02)
  9. Houses (2:56)
  10. Raphael (2:48)
  11. Girl and the Geese (0:46)
  12. Miracle (3:35)

4-estrelas.png

Uma pequena amostra:

Veja aqui outro vídeo.

Autor: Gabriel Zorzo