Move That Jukebox!


Entrevista: Bonde do Rolê by marçal
novembro 3, 2008, 7:21 pm
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E quem não conhece o Bonde do Rolê? A hilária mistura de funk, riffs de rock e muita sacanagem já deu muito o que falar, e continua dando, ao redor do planeta. Se atualmente o baile funk é febre nas festas lá de fora, muito disso se deve ao Bonde, que descobertos pelo produtor Diplo, saíram por aí tocando seu som cara de pau e sem escrúpulos.

Hoje eles são uma referência do ‘baile funk’ fora das terras tupiniquins, embora nem os próprios se achem merecedores de tanto nome. Para os integrantes, tudo sempre foi uma brincadeira. Mas a brincadeira deu certo, e o Bonde está aí, relembrando, mesmo sem querer, um preceito do punk rock, que para se fazer música não é necessário conceitos e grandes músicos, e sim, idéias na cabeça e uma imensa vontade de se divertir.

Abaixo você confere minha conversa animada com Rodrigo Gorky, um dos fundadores do grupo, que falou mais sobre a nova fase do Bonde do Rolê e o segundo disco que será lançado em breve.

novobondedorole

Vocês riram bastante no processo de seleção das vocalistas?

Gorky: Nossa, a gente riu bastante, mas muito mais pelas bostas que a gente estava se fazendo passar. Tá, minto, a gente se divertiu pencas, por exemplo, de se vestir de porquinho e se jogar na lama. (risos)

As meninas tiveram que fazer isso?

Gorky: Sim, todas caíram na lama. E com eu e o Pedro vestidos de porco.

E como vocês chegaram à Laura e à Ana?

Gorky: A gente no fim chegou porque uma é completamente o oposto da outra. Ambas com muito talento, mas completamente opostas uma da outra. Como a Ana mesma disse, “se complementam como arroz e feijão”

Mudando para o assunto VMB, de onde vocês tiraram a idéia de colocar aqueles bombados no show?

Gorky: A idéia dos bombados foi da Laura, a gente tinha todo um conceito atrás.

Que conceito era esse?

Gorky: Que era Miami: Bichas velhas e dondocas

É, acho que só vocês mesmo captaram a mensagem (risos)

Gorky: (risos) Assim, foi pego em partes. Tipo “as meninas estavam meio dondocas, né?”, ou.. “você e o Pedro tavam todo engomadinhos”.

E como vocês reagiram quando a Ana foi lá reivindicar o prêmio?

Gorky: Nossa, tem até no YouTube minha reação, acho que nunca ri tanto na minha vida.

Mas isso tava meio premeditado ou na hora deu a louca e ela decidiu subir no palco?

Gorky: Tipo, a Laura virou pra Ana e falou “vai lá buscar seu prêmio, Ana!”. As duas tavam uma mais bêbada que a outra.

Saindo do assunto VMB, o novo álbum do Bonde sai ano que vem mesmo?

Gorky: Sim, o disco novo sai ano que vem, comecei a gravar hoje [21/10] as primeiras.

E como estão as músicas novas? Na mesma linha do primeiro disco ou deram uma mudada geral?

Gorky: Então.. nós, mesmo com as músicas do disco, temos mudado bastante para tocá-las ao vivo. Acho que ainda vai ser cara de pau, mas acho que vai ter um pouco mais de qualidade. (risos)

E já estão tocando alguma música nova nos shows?

Gorky: Ainda não.

Vocês estão pensando em lançar umas músicas antes do CD ficar pronto ou o suspense vai durar até o lançamento?

Gorky: Ah, claro. Na verdade, a gente quer lançar um disco inteiro de coisas antes do disco de verdade.

E quais serão essas coisas?

Gorky: Hum.. algumas surpresas. Covers, remixes, etc.

Coisas como o “Mais Uma Vez” do VMB?

Gorky: (risos) Aquilo é vergonhoso até demais!

Pra finalizar. É engraçado o modo como o funk carioca é visto dentro e fora do Brasil. Enquanto aqui é considerado algo como “anti-música”, em muitos lugares lá fora baile funk é tendência. Como vocês, que são um tanto responsáveis por esse sucesso do funk em outros países, encaram isto?

Gorky: Ah, a gente acha… Sério, realmente não sei o que a gente acha (risos).

Por exemplo, aqui você nunca vê uma propaganda de TV tocando funk, e lá fora tem isso, inclusive com músicas do Bonde.

Gorky: É, mas aqui a gente ouve Fábio Jr. nas propagandas, ouve axéééé. Que também é tão incrível! Mas acho que com o tempo o povo vai aceitar mais.

Por Marçal Righi



Entrevista: Final Fantasy by marçal
setembro 23, 2008, 6:20 pm
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Não, não entrevistei um jogo de videogame. Este Final Fantasy é um projeto do músico Owen Pallet. Talvez pouquíssima gente aqui saiba quem o cara é, então vou falar um pouco sobre seus trabalhos para entenderem melhor. Ele simplesmente compôs os arranjos de cordas para os discos de Arcade Fire e Beirut e regeu a orquestra que tocou no disco de estréia do The Last Shadow Puppets. Pouca coisa, não?

Owen também é caridoso, visto que doou todos os lucros de sua música ‘Adventure.exe’ para a ONG ‘Médecins Sans Frontiéres’, além de repassar o dinheiro ganho com o ‘Polaris Music Prize’, um dos principais prêmios do Canadá, à bandas que ele gosta e que possuem necessidades financeiras. Porém ele não gosta de falar sobre estes assuntos. Na entrevista, feita por e-mail, Pallett se esquivou de perguntas sobre eles, com respostas irônicas, falando sobre outras coisas.

Na última quinta-feira (18), ele se apresentou juntamente com a francesa Colleen no SESC Santana (SP), onde conversamos um pouco e fiquei sabendo o porquê de algumas respostas sem concordância com a pergunta. Owen não quer utilizar suas doações, seus trabalhos com bandas famosas e o fato de ser homossexual como marketing pessoal. Para ele, o que importa é sua música e o modo como ela é produzida e tocada.

E o modo como ela é tocada é um tanto peculiar. Ele se apresenta com alguns pedais, nos quais são gravados samples do que está tocando. Assim ele pode tocar por cima de um trecho que acabou de gravar, o que dá a impressão de que há vários violinos, enquanto é somente Pallet que está lá. Na apresentação em São Paulo, ele foi simpático, chamando todos para assistir de cima do palco. Isso mesmo, grande parte da platéia se sentou aos seus pés e o viu tocar como quem participava de um luau entre amigos.

Sem mais delongas, vamos à entrevista. Para baixar os dois àlbuns e os EPs do Final Fantasy, é só ir até a comunidade de downloads.

Suas músicas fazem uma mistura do clássico com alguns outros estilos musicais. Quais são suas influências em cada gênero?

Eu realmente não sei responder essa pergunta. Meu violino significa que faço música clássica. Meu computador significa que faço música eletrônica. Meus amplificadores de guitarra significam que faço rock. Eu não sei. Acho que não faço coisa alguma.

Certa vez você disse que sua sexualidade influencia na sua música. De que modo?

Considere que todas as canções falam sobre o maravilhoso tema de “Smash the State” (“quebrar” o Estado). “Smash The State” pelo [grupo] Naked Agression, que faz uma proclamação pública de ódio. “Smash The Stata” pelo D.O.A., que pede especificamente para o ouvinte matar alguns políticos e lista as coisas pelas quais “o estuprador fascista” é responsável… Tanques, forcas… É um hino convincente, cômico e anarquista. Ou “The State Was Bad”, do US Maple, na qual o cantor Al Johnson fala muito especificamente sobre um “estado quebrado”, onde ele olhava para as luzes e todas as mulheres estavam casadas e todos os homens se pareciam com o pai dele. Para mim, essas três músicas formam um tripé da quebra do Estado. A primeira é uma fúria com uma ambigüidade desconhecida. A segunda é um convite para agir. A terceira é um marco pós-morte para um governo que já foi quebrado. Três canções sobre a quebra do Estado, mas com motivações políticas e resultados muito diferentes.

A música do Naked Agression é sobre a quebra do Estado, mas a fúria juvenil sugere uma convicção temporária do cantor. Eu acho que eles venderam alguns discos e ele acabou comprando uma casa, aí parou de pensar em quebrar o Estado.

A música do D.O.A. é sobre matar políticos, o que é uma coisa bem interessante de se escrever. Eles pareciam estar reagindo à Guerra das Ilhas Malvinas ou algo assim, não sei. Bem, a ironia de músicas politicas que tratam de coisas específicas é que Reagan está morto, Trudeau está morto, Thatcher está fora (mas seu espectro continua aqui)…mesmo assim a canção exibe sua cabeça em defesa. Nenhum estado foi massacrado, sabe. Essas pessoas não foram para a guilhotina…de fato, ambos Trudeau e Reagan viraram nomes de aeroportos. D.O.A. pode não ter seguido o seu lema “Palavras sem ações = nada”, mas tudo bem. Eles ainda se esforçam para serem anarquistas.

Assim como para US Maple, a melhor banda de todos os tempos, sua versão de “The State Is Bad” é maravilhosa. Veja bem, esta é uma verdadeira música anarquista. Eles pegaram a idéia ambígua de “Estado” e aplicaram no processo de crescimento como um adolescente. Pode ser, talvez? Essa música aponta que qualquer desejo de “esmagar o Estado” é sem sentido, que qualquer um pode muito bem existir fora dele. Essa é a beleza da anarquia.

O que eu realmente estou querendo dizer é: eu posso não cantar sobre pênis, mas minhas músicas soarão como pênis, entendeu?

O que seus trabalhos com Arcade Fire, Beirut e The Last Shadow Puppets acrescentaram ao Final Fantasy e à sua vida pessoal?

Falando do “Estado”, eu não acredito que você brasileiros votam por mensagens de texto! O que acontece com as pessoas que não têm celular? É muito estranho e pós-moderno, amei. Vou votar em alguém antes de ir embora.

Owen Pallett em São Paulo. Sim, estávamos sentados no palco.

Você nomeou seu projeto como Final Fantasy por ser um fã do game?

Eu não jogo Final Fantasy desde os meus 17 anos, mas eu me lembro que era longo e não fazia sentido algum.

A caridade é algo presente em sua carreira, e isto não se vê muito entre artistas pouco conhecidos. Por que este desejo de estar sempre ajudando quem precisa?

Eu não sei sobre o que você está falando. Eu gosto de música, então eu dou dinheiro aos músicos que eu gosto para que eles possam gravar discos. Eu não estou ajudando os necessitados.

Ainda no assunto dinheiro, qual a sua opinião sobre a guerra das gravadoras contra os downloads? Você é a favor da liberdade de compartilhar música pela Internet ou acha que cada um deve pagar pelo que quer ouvir?

Ah, é a mesma diferença entre ver um filme no cinema e ver em DVD. Eu gosto de CDs, eu gosto da capa e da parte de botá-lo no CD Player e tudo mais. Está bem se você quer pegar meu disco no iTunes, mas tenho certeza que você vai gostar muito mais se comprá-lo na loja de discos. Eu sou completamente a favor do download gratuito, da mesma forma que acho que as pessoas deveriam poder pagar por sexo. Mas será sexo, não será amor.

Existe algum músico ou compositor brasileiro que já tenha te influenciado?

Com certeza, dois dos meus álbuns preferidos são brasileiros. Recital Na Noite Barroco, da Maria Bethânia, e (estou com vergonha de admitir) Voz e Violão, do João Gilberto.

Seu terceiro álbum foi prometido para o meio deste ano e ainda não foi lançado. Quando sai?

Nunca. Decidi que não vou lançá-lo. Vou guardá-lo pra mim.

O que você conhece do trabalho da Colleen? Já tocou com ela antes?

Eu já toquei com ela duas vezes. Ela não faz nada no palco. Ela senta e as vezes toca uma pequena caixa de música ou alguns sinos. Então ela toca sua Viola de Gamba um pouco. Aí ela senta e faz silêncio por mais um tempo. É completamente hipnotizante, você não pode perder.

Autor: Marçal Righi



Entrevista: The Hives by marçal
setembro 10, 2008, 12:15 am
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Nesta última quinta-feira (04), os suecos do The Hives concederam uma entrevista coletiva na Fnac Paulista, em que estiveram presentes jornalistas de diversos grandes veículos da imprensa, e o Move também marcou presença. Simpaticíssimos, eles responderam a todas as perguntas de modo bem descontraído, mostrando que mesmo sendo celebridades, eles são humildes. Após a coletiva, ainda rolou uma sessão de autógrafos com os fãs, que compareceram em peso levando desde CDs da banda até guitarras para serem autografadas. Confira como foi a entrevista, e fique sabendo um pouco mais sobre esses suecos, que sabem fazer um show como poucas bandas.

O que vocês conhecem do Brasil e das bandas brasileiras?

Pelle: Sepultura é banda que mais gostamos do Brasil, é uma banda tradicional, inclusive os vimos na televisão hoje. Acho que a única que gostamos é o Sepultura mesmo. Tem também o Bonde do Rolê e o CSS. Eles são brasileiros né? É, são essas as três bandas brasileiras mesmo que eu gosto, ou melhor, que eu conheço.

O que vocês, que já tem uma carreira longa, acham das bandas que fazem sucesso muito rápido pela Internet, através do MySpace?

Nicholaus: Eu acho isso bom, porque quando éramos jovens e queríamos achar mais algumas coisas sobre alguma banda nova, tínhamos que sair pesquisando coisas sobre eles, procurar discos em várias lojas. Hoje isto é muito mais fácil, é só entrar na Internet e baixar as músicas, é muito bom principalmente para as bandas novas. Hoje em dia uma banda pode fazer uma turnê inteira sem ter disco lançado, antigamente isso era impossível.

Pelle: Porém as bandas que conseguem muito sucesso rapidamente, tendem a cair no esquecimento mais rápido também.

Nicholaus: Eu acho que seria ótimo se as bandas ruins saíssem do MySpace, porque elas estão ocupando espaço, escondendo as bandas boas.

Três dias atrás, a música nova de vocês estava na trilha sonora na estréia da série Beverly Hills 90210. Logo depois que a série foi exibida, você já podia entrar no site da série e tinha lá o nome da banda, o nome do disco, o nome da música e você podia comprar direto. Queria saber o quanto esse tipo de marketing depende de vocês e o quanto vocês ligam pra esse tipo de associação da banda com alguns produtos.

Pelle: Obviamente nós sabíamos da música na trilha sonora. O nosso último disco, o Black and White Album, foi muito caro. A produção dele foi muito cara, tivemos de trocar os produtores e tal. E resolvemos que iríamos botar a nossa música no maior número possível de meios. Onde nós pudéssemos colocar a música do Hives, a gente colocaria. E pra esse álbum aceitamos coisas que não tínhamos aceitado antes, como trilha sonora de seriados, filmes e etc. Sempre diziamos ‘não, não, não, não’, mas decidimos mudar dessa vez. Temos controle completo sobre a nossa música, pra onde ela vai.

Nicholaus: Da mesma maneira, antigamente aceitávamos tocar em qualquer lugar. Qualquer convite que era feito, íamos lá e tocávamos. O problema foi que entramos em muita roubada, tocamos em muitos lugares ruins. Mas também foi bom, porque pudemos desenvolver a banda ao vivo e hoje nos consideramos uma banda muito boa ao vivo.

Pelle: A nossa idéia era a de que iríamos pra lugares novos dessa vez. Se alguém quiser ouvir a nossa música, a gente vai tocar a nossa música onde for possível, pra que o maior número de pessoas ouça. Isso que é rock ‘n roll.

Suas referências para se vestir são da década 40, 50, 60. Dentro da banda quais são as referências para se vestir, por que vocês se vestem todos iguais, se têm algum consultor de moda ou se vocês mesmos que idealizam todo o visual da banda.

Pelle: Quando começamos a ouvir rock como fãs mesmo, íamos em shows e víamos bandas vestidas como eles andavam na rua, e a gente não achava isso divertido. A gente acha muito preguiçoso as bandas se vestirem dessa maneira. E achávamos desde o início que, quando a gente formasse uma banda, era importante ter um visual único, criar um visual diferente para a banda. Até pra escapar da pobreza da nossa vida – nós não tínhamos muito dinheiro. A gente achou que era legal nos vestirmos bem e em cima do palco, porque é a hora que o pessoal pagou o ingresso, pagou o show e que a gente precisa mostrar algo realmente diferente do que o cara já vê na rua normalmente.

Quando subimos no palco, queremos parecer como se fôssemos de outro planeta, uma banda que surgiu de um lugar que ninguém sabe direito da onde é. É por isso que criamos essas roupas. Não fazemos uma pesquisa. Só nos reunimos e cada um fala mais ou menos do que gosta. E não temos um estilista próprio, fazemos com os próprios estilistas suecos. Damos uma idéia de como queremos nos vestir na próxima temporada, no próximo disco e ai temos as roupas feitas sob encomenda pra nós.

Chris: Sobre o porquê do branco e do preto, quando começamos a enriquecer em 97, usávamos uma roupa preta e branca exatamente porque queríamos nos destacar das outras bandas. Porque na Suécia todo mundo vestia a mesma roupa das ruas e achávamos que era muito importante a banda ter um visual próprio.

Pelle: As bandas que a gente gosta são todas velhas e só víamos em fotos preto e branco. Talvez seja por causa disso.

Na época em que estouraram, no início dos anos 2000, vocês foram chamados de “salvação do rock”. Como vocês encararam essa classificação?

Pelle: Na verdade nós nos decepcionamos. Nós achávamos que éramos muito mais importantes do que isso.

Qual a opinião de vocês sobre bandas como Strokes, White Stripes e Interpol, que também já foram chamadas da salvações do rock?

Pelle: Gostamos muito de bandas como Strokes e White Stripes, já tocamos muitas vezes com eles, nos identificamos muito com o som, achamos essas bandas muito boas.

O que vocês conhecem das outras bandas que irão tocar no festival?

Pelle: Nós nos conhecemos, estamos todos no mesmo hotel. Os Melvins já conhecíamos pois o nosso produtor, Pelle Gunnerfeldt, que já os produziu no ínico da carreira deles, sempre nos fala bem da banda. As Plasticines conhecemos por elas já terem aberto alguns shows nossos. O Vanguart nós não conhecemos, mas só por tocar no mesmo festival que nós, já têm nossa aprovação.

Aqui no Brasil vocês são mais conhecidos pelo público que curte música mais alternativa. E na Suécia, vocês são tratados como celebridades?

Pelle: Na Suécia, se você faz sucesso fora do país, você automaticamente vira uma celebridade dentro dele, e somos bem famosos, assim como outras bandas de lá que também fazem sucesso internacional. Nós não éramos conhecidos na Suécia até fazermos sucesso fora. E agora somos conhecidos por todos os tipos do pessoas, digo, não apenas os fãs de rock. Nós gostamos bastante de tocar por lá, inclusive acabamos de tocar no 125º aniversário do parque de diversões mais antigo da Suécia, e tocamos para um público bem eclético, desde crianças de 5 anos até velhinhas de 70, incluindo nossa avó de 78 anos que foi nos assistir.

Vocês disseram que eram pobres antes de começar a banda. Como é ser pobre na Suécia?

Pelle: Bem, o pobre da Suécia não é realmente pobre. Não é que nem ser pobre no Brasil. Nós podíamos comprar instrumentos, mas não podíamos comprar ternos.

Como vocês foram descobertos para chegar à fama?

Pelle: Nós ensaiávamos ao lado do prédio da gravadora que acabou nos contratando, então eles sempre nos ouviam e sabiam que nós existíamos. Como nós tocávamos bastante pela Suécia, acabamos sendo contratados. Mas eles criaram um sub-selo, caso o nosso disco fosse ruim e pouco vendido, não mancharia o nome da gravadora. Mas tudo correu bem, e agora estamos aqui.

Autor: Marçal Righi

Ajuda na transcrição: Carol Jojo e Bia Corazza



Entrevista: Todosantos by marçal
agosto 3, 2008, 8:10 pm
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Festa, Festa! Isso é o que esse trio vindo da Venezuela prega. Suas músicas, cheias de samples e batidas que convidam pra pista, garantem a alegria de qualquer pessoa, até as mais depressivas. Mas as coisas não foram sempre assim.

Na época de sua formação, em 2003, eles eram indies roqueiros, e isso permaneceu até depois do lançamento do primeiro disco, ‘Aeropuerto’, em 2005, que foi muito bem recebido pela crítica. Felizes com os elogios, ao invés de continuarem apostando na mesma fórmula, eles resolveram inovar. Transformação total. Mudou o som, o estilo, a cidade e a formação. E o que eles ganharam com isso? Mais elogios.

Guitarra e bateria saíram de cena, dando lugar a bases completamente eletrônicas. Os sintetizadores, que viviam escondidos na época de ‘Aeropuerto’, saíram de suas tocas para tomar a frente na parte istrumental dos novos Todosantos. As roupas comportadas voltaram para seus respectivos armários, sendo substituídas por peças coloridas, extravagantes. Os integrantes migraram de Caracas para o Brooklyn. E o novo som foi chamado de ‘Tukky Bass’. A festa estava pronta.

Já na nova fase, no ano passado, eles lançaram um EP, chamado ‘Acid Girlzzz’, que não é simplesmente um CD com músicas. O desafio era inovar em tudo, e com este disco não foi diferente. O kit Acid Girlzzz vem com um vinil colorido e óculos 3D, para melhor visualizar toda a arte da capa e encarte. Além disso, cada faixa tem o seu vídeo, que é chamado de pod, e é projetado nos shows para completar a música, trabalho de VJ. O DVD com estes vídeos também está incluído no pacote. Dá pra perceber que se preocupam com quem está prestigiando o trabalho deles.

Na entrevista dessa semana, Mariana Martin, a.k.a. Peach, falou com o Move That Jukebox!, e deu mais detalhes sobre essa nova fase da banda e como está sendo viver fora de casa. Confira logo abaixo.

O nome da banda tem alguma relação com a girl band inglesa All Saints ou é só uma coincidência na tradução?

É só uma coincidência. Na verdade, o nome tem relação com as grandes ondas da América Latina.

Expliquem melhor o que é o ‘tukky bass’

‘Tukky’ é um tipo de hard techno que mais vem tocando nas festas nos guetos da Venezuela nos últimos anos. Na verdade, mesmo nossa música não sendo como o ‘tukky’ original, nós nos identificamos bastante com o gênero, e da sua estética tiramos inspiração para formar nosso próprio som, que chamamos de ‘tukky bass’.

De onde vocês tiraram a idéia de fazer um EP tão rico, cheio de coisas, como o vinil colorido, os videoclipes, e os óculos 3D para ver os desenhos do encarte?

Nós sempre fomos fãs daqueles discos bonitos, cheios de surpresas… é legal quando você compra um disco que faz você sentir que o artista realmente se importou com a sua experiência. Um encarte legal pode mudar totalmente o modo de interagir com a música. Além disso, com esse grande aumento do mercado digital de música, a mídia física está tendo que ser feita com mais carinho, como peças de colecionador para os fãs guardarem.

Todosantos de ‘Aeropuerto’

O MySpace da banda está sem atualizações desde o lançamento do EP. Vocês estão preparando alguma surpresa ou apenas deram uma pausa de músicas novas?

Nós demos uma pequena parada depois da turnê do EP, mas coisas boas estão para sair… de verdade, mais cedo do que você imagina.

Quando vocês notaram que faziam algum sucesso nos Estados Unidos?

Bem… nós não acreditamos que sejamos um sucesso total, nós ainda somos uma banda que está crescendo, mas é sempre excitante ver como as portas se abrem conforme você vai seguindo seu caminho.

E como foi a decisão de mudar de Caracas para Nova York? Quais foram as diferenças que vocês sentiram, pessoal e profissionalmente falando?

É sempre bom andar pra frente, nós mudamos de uma cena muito pequena como a de Caracas para uma cidade enorme com infinitas possibilidades como Nova York na busca por chances maiores, foi um processo excitante… em Caracas nós éramos bem conhecidos no underground, então mudar para NY representou um novo começo, nós tivemos que provar o que nós tínhamos conseguido do zero, mas desta vez nós estávamos encarando um público totalmente diferente, em um cenário de nossas vidas totalmente diferente. E nós estamos conseguindo fazer isso bem! E está sendo uma jornada cheia de experiências felizes e insanas para serem lembradas.

Todosantos de ‘Acid Girlzzz’

Vocês não se preocupam com a possibilidade de afetar a sanidade mental das pessoas que acessam seu site?

É isso que a gente quer! Se você se sentiu afetado, nós conseguimos o que queríamos!

Vocês já conheceram alguma banda brasileira que participa da mesma cena musical que o Todosantos? Há alguma chance de tocarem junto com eles aqui no Brasil?

Nós gostamos bastante do Bo$$ in Drama, e a namorada do Alberto é brasileira, então alguma hora em breve nós podemos aparecer por aí! Isso seria ótimo!

MySpace | Site Oficial

Autor: Marçal Righi



Entrevista: The Octopus Project by Neto
julho 21, 2008, 1:26 am
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Experimental. A palavra que melhor define o The Octopus Project. A banda, que vem de Austin, no Texas, nasceu em 1999 e faz música quase totalmente instrumental, sem medo de experimentar novos sons, sejam eles comuns ou não.

A mistura musical está presente em toda a parte sonora da banda. Não há apenas a mistura de sons. Diversos estilos se cruzam, se juntam e se completam, fazendo dos discos uma viagem pela criatividade e ousadia destes quatro jovens norte-americanos. Um grande exemplo disso é o álbum mais recente, ‘Hello, Avalanche!’, lançado em 2007, que tem de tudo um pouco: tecladinhos 8-bit, post-rock, guitarras distorcidas, bateria pesada contracenando com batidas eletrônicas, pianos que se completam com sintetizadores, experimentando, sempre experimentando.

E eles acertam. Mas nem por isso deixam de experimentar e sempre aparecer com coisas novas. Esse ano lançaram o single ‘Wet Gold/Moon Boil’, e surpreendendo mais uma vez, ele contém duas faixas cantadas, por inteiro. Para uma banda que conseguiu seu nome e visibilidade (já tocaram no Coachella e este ano estão escalados para o Lollapalooza) só com instrumentais, isto é mais uma ousadia.

Mas não vou me extender muito mais, deixo que o entrevistado da semana, Toto Miranda, guitarrista/baixista/baterista (todos se revezam nas gravações e shows) do “projeto polvo” dê os maiores detalhes sobre sua banda. Confira a entrevista logo abaixo.

The Octopus Project é um nome bem diferente. De onde vocês tiraram tal nome?

O nome na verdade apareceu antes mesmo da banda começar e nasceu de um jogo de associação de palavras que Josh estava jogando com um amigo nosso enquanto tentava criar um nome para uma outra banda. Então um deles disse “Octopus” e, o outro, “Project”. Não funcionou como um nome para a banda em questão, mas quando começamos nossa banda o nome pareceu se encaixar. Não tem nenhum significado, mas é fácil de gravar e todas essas consoantes juntas parecem legais.

O som de vocês é bem experimental, com misturas de elementos eletrônicos, violões, bateria pesada e vários instrumentos pouco convencionais. Como é o processo de criação de tudo isso?

Gostamos de expandir a nós mesmos com todos os tipos de instrumentos e coisas que façam barulho, e nossas composições geralmente começam de uma idéia simples ou de um som que bate em nossos ouvidos. Se a idéia for boa, o resto da canção meio que se compõe sozinho com sons e camadas que complementam a idéia original. Não é fácil criar canções dessa forma com muita frequência, mas geralmente todos nós concordamos quando elas parecem boas. É bom ter uma grande variedade de instrumentos para que possamos achar os elementos exatos para construirmos nossas músicas. Acho que nosso processo de criação resume-se a testar a maior variedade de idéias que pudermos para que possamos ver qual funciona melhor.

Além de toda a crítica musical, vocês também admitem que seu álbum mais recente, Hello, Avalanche (2007), é o melhor de todos os quatro que já lançaram. A maturidade da banda foi a principal razão dessa melhora de qualidade?
Acho que a principal razão foi que estamos melhorando em fazer as coisas soarem exatamente do jeito que nós queriamos que soassem. Não sei se nossas idéias estão melhores, mas a execução delas ficou bem mais forte, o que faz com que todo o processo seja muito mais divertido!

O clipe de Truck foi gravado em uma exibição de aviões militares. Como surgiu a idéia de botar cabeças meiguinhas no corpo das pessoas que assistiam os aviões soltarem suas bombas?

A idéia saiu dos nossos amigos David e Nathan Zellner, que dirigiram o vídeo. Eles gravaram o material em um show aéreo e depois pediram para que desenhássemos umas cabeças estranhas, que são as usadas no vídeo. Acho que terminamos com uma excelente combinação de beleza com agitação… esses caras fazem bons trabalhos!

Vídeo da música ‘Truck’

Como é a sensação de tocar em festivais grandes, como o Coachella? E qual é a expectativa para o show no Lollapalooza?

Tocar em grandes festivais é ótimo! A oportunidade de tocar para uma platéia nova em folha é uma das melhores partes de fazer turnês, e esses festivais geralmente apresentam a chance de tocar para um público novo. O Coachella foi ótimo nesse sentido – o público estava ótimo, a equipe estava ótima e a sensação de fazer parte de toda essa grande produção é ótima. O Lollapalooza está chegando rápido – é daqui a duas semanas! – e todos estamos extremamente animados para ele… é dificil saber o que esperar, mas acho que nós estamos apenas ansiosos para fazer um show divertido. Um show GRANDE e divertido!

Vocês acabaram de voltar do primeiro tour pela Europa. Como foi tocar por lá, em países que o público está bem acostumado com grandes shows e festivais?

[Tocar na] Europa foi uma experiência fantastica… fizemos muitos shows pequenos, muitos médios e alguns shows bem grandinhos. A reação das pessoas de todos os lugares que fomos foi ótima. Particularmente, meus favoritos foram o show em um pequeno festival em Padova (Itália) e o gigante que fizemos no All Tomorrow’s Parties, em Minehead (Inglaterra)… ambos foram shows bem empolgantes, e nos sentimos realmente honrados em tocar neles! Enfim, todas as cidades européias em que tocamos foram ótimas, fizemos muitos amigos e mal podemos esperar para tocar lá.

Por falar em shows e festivais, o Brasil está começando a ficar cada vez mais visível entre as bandas em turnê. O Octopus Project também está com os olhos abertos para o Brasil? Alguma chance de os vermos ao vivo?

Ficaríamos absolutamente contentes em tocar no Brasil! Nenhum de nós já foi à América do Sul, mas nós definitivamente daríamos um pulo por aí para tocar para vocês, se tivéssemos a chance. Se vocês ou algum de seus leitores têm alguma idéia de como poderíamos fazer isso acontecer, por favor, nos escreva um e-mail. Esses shows no exterior que planejamos até agora (na Europa e em Taiwan) foram incriveis, além de terem expandido muito nossas mentes, e nós também queremos ir à novos paises com a maior frequência possível, especialmente para algum lugar tão empolgante quanto o Brasil!

Ryan Figg, Toto Miranda, Yvonne Lambert e Josh Lambert

No final do ano passado, em seu site oficial, vocês prometeram novidades para 2008, e cumpriram, com o lançamento do single ‘Wet Gold/Moon Boil’. Alguma promessa de disco novo?

Estamos concentrando muita energia na composição de novas canções – seria ótimo completar um disco novo no final do ano, e queremos nos concentrar nisso assim que nossa turnê de outono terminar. Então talvez podemos ter algo novo no início de 2009? Pra falar a verdade, ainda nem temos novas músicas finalizadas, mas esse parece um bom objetivo para ser trabalhado. Estamos bem animados para compor novos sons – acho que coisas esquisitas, cativantes e dançantes serão nossos objetivos…

A maioria de suas músicas são instrumentais e, nesse novo single, duas faixas contém vocais. Seria esse o início de um novo Octopus Project, com mais partes vocais e menos instrumentais?

Eu gosto de pensar que estamos sempre trazendo novos elementos [para o Octopus Project], mas acho que acrescentar vocais parece uma mudança bem grande… certamente estamos abertos para usar mais vozes no futuro, mas acho que isso não significa tirar o foco dos instrumentos. Só depende da música – as vezes uma canção precisa de toques vocais para parecer completa, e as vezes os instrumentos dizem tudo por si só.

MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Marçal Righi



Entrevista: Fujiya & Miyagi by marçal
junho 15, 2008, 5:09 pm
Filed under: Entrevistas, Fujiya & Miyagi

Estes ingleses formam a banda internacional menos conhecida dos brasileiros, das escaladas para o Motomix 2008, mas querem acabar com isso no dia 28 deste mês fazendo um ótimo show, e têm potencial para isso. Todo mundo já sabe que não se trata de uma dupla japonesa, isso já se cansou de falar. Os nomes, diferentes, se tornam ferramentas, na introdução de “Ankle Injuries”, quando são ditos repetidamente, entrando como um novo instrumento musical. Aqui tudo tem sua função.

As influências do krautrock dos anos 70, somadas à música eletrônica do início dos 90’s, com aquele toque de século 21, dão ao quarteto uma característica bem interessante de ser conquistada. Aquela, de não se encaixar em gênero nenhum, e agradar a todos. As músicas não chamam para a pista, mas as batidas e o baixo sempre presente chamam a atenção. O mais provável é que vejamos no Motomix uma multidão que se balança levemente olhando fixamente para o palco, entoando: Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi…

O vocalista e guitarrista David Best, também conhecido como Mr. Miyagi, é o entrevistado da vez, nos revelando informações sobre a banda, e as expectativas para o show no Brasil.

MTJ!: De onde veio esse nome tão diferente? Vocês já foram confundidos com alguma dupla japonesa?

David: Fujiya foi tirado de um toca-discos e Miyagi foi tirado de um personagem de mesmo nome do filme Karate Kid. No início as pessoas achavam que éramos japoneses, mas quando nos viram, ficou aparente que não éramos.

MTJ!: Vocês só ficaram famosos após o lançamento do álbum “Transparent Things”. Como vocês reagiram a essa fama tão repentina?

David: Levou 7 anos para as pessoas começarem a se interessar, então isso pareceu ser mais uma novidade do que uma experiência de mudar a vida quando as coisas aconteceram. Não é como se os paparazzi ficassem acampados do lado de fora de nossas casas! Eu acho que isso foi a justificativa que nós precisávamos nos olhos dos outros, por ter gasto tanto tempo em algo que não era rentável. Eu gosto de pensar que, se ninguém tivesse gostado do Transparent Things, a gente não se afetaria por isso, mas o reconhecimento é mais bem-vindo.

MTJ!: Vocês começaram como uma dupla e agora são uma banda com quatro pessoas. Por que vocês decidiram adicionar mais membros ao grupo?

David: Por que nós só tínhamos quatro mãos e precisávamos de oito. Matt entrou antes do lançamento do Transparent Things e nós queríamos adicionar um baterista por um tempo, então perguntamos ao nosso amigo Lee se ele estava interessando, e ele estava.

MTJ!: Como estão os preparativos para o lançamento de seu terceiro álbum, intitulado “Lightbulbs”?

David: Nós terminamos as gravações há duas semanas [a entrevista foi feita em 3 de junho] e agor está sendo masterizado. Espero que este seja um progresso em relação ao Transparent Things, mas eu acho que se as pessoas gostaram dele [Transparent Things], elas irão gostar deste novo. Nós iremos tocar algumas músicas de nosso ultimo disco e também algumas do novo [no Brasil].

MTJ!: O que vocês conhecem da música brasileira? Vocês estão ansiosos para tocar no Brasil?

David: Eu gosto de muitas coisas antigas como Os Mutantes e Caetano Veloso, especialmente de pedaços do seu álbum “Transa”. Eu sei que há muita coisa acontecendo por aí agora com o CSS e outras bandas também. Eu sempre quis visitar o Brasil e eu sei que os outros [membros da banda] também estão ansiosos para isso. Eu fiquei sabendo que o festival é de graça e a céu aberto, então espero que o público possa ter um bom momento sem gastar dinheiro.

Videoclipe de “Ankle Injuries”

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: Wry by marçal
junho 1, 2008, 6:31 am
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Sabe aqueles filmes que são pouco conhecidos, que alguns gostam, outros não, mas mesmo assim, têm qualidade indiscutível?

Mudando um pouco de situação, pense naquelas pessoas que saem do Brasil para tentar a vida e o sucesso profissional em outro país.

Agora imagine uma banda que mistura pós-punk, shoegaze, noise-rock e um pouco de rock clássico, transporte as duas situações anteriores para a música e some a estes ingredientes. O resultado é o Wry.

Achou complicado? Rotular o Wry também é. E por isso que esta é uma daquelas bandas que se diz: “Não dá pra explicar, ouve que você vai entender!”.

Em 1994 nascia o Wry, cheio de criatividade e vontade de fazer boa música. Ganhando destaque em festivais nacionais, começaram a ficar conhecidos no cenário alternativo brasileiro, e em 2001, se mudaram para Londres, em busca de novas aventuras. E conseguiram muito reconhecimento.

Atualmente estão gravando o quarto álbum, “The Noise of Heavens”, além de um disco com covers de bandas brasileiras. O EP “Whales and Sharks”, recém-lançado na atual casa da banda, deve sair em breve aqui no Brasil.

Conversei com o simpático vocalista, Mario Bross, que me falou mais sobre a história da banda e sua musicalidade. A entrevista você confere logo abaixo.

MTJ!: Como foi tomada a decisão de irem viver na Inglaterra?
Mario: Vem dos primórdios de nossa vida, antes mesmo de ser Wry, sempre tivemos a vontade de vir morar pra cá e, particularmente eu não me arrependo não, até agora a experience foi mais que válida. Tento inspirar as pessoas a saírem de sua zona de conforto, procurar correr riscos em outras culturas faz de você uma pessoa mais transparente às diferenças do mundo e das pessoas.

MTJ!: Depois de tanto tempo juntos, como é o relacionamento de vocês?
Mario: Creio que seja parecida com qualquer tipo de amizade de longa data, a gente se conhece bem. Muitas vezes não precisamos de palavras para nos expressar e sabemos também as diversas reações uns dos outros para diversas situações. O André, baterista, ainda é novo no Wry, nos conhecemos em 2003 e ele entrou no Wry há 1 ano e meio, temos bastante que conhecer dele ainda.

MTJ!: Vocês já lançaram 3 álbuns, além de EPs e compilações. Como vem sendo o amadurecimento da banda ao longo deles?
Mario: Acho que teve uma violenta evolução agora, depois que o André entrou. Musicalmente houve um melhor encaixe entre o Wry agora. É muito fácil de fazer musica e há uma participação bem maior de todos, em todas as músicas.

MTJ!:
O que os fãs podem esperar desse disco que está sendo gravado?
Mario: Algo estupendo e diferente de antes, mais maduro, sério e profundo. Algo como um Whales and Sharks mais elevado. Também, de tanto que está aguçada nossa criatividade, temos nossas primeiras composições em português; quem me inspirou a cantar na minha língua foram bandas como Sigur Rós e Legião Urbana, além de umas bandas brasileiras que gosto muito no momento, entre elas o Ludovic.

MTJ!: O Wry também vai lançar um CD de covers. O que encontraremos nele?
Mario: Este foi o CD que mais demoramos para terminar. Vai sair logo. Fizemos covers das bandas que ouvimos no começo de nossa carreira, por volta de 95, até antes de virmos embora para Londres. Queríamos fazer uma homenagem e também mostrar aos fãs do Wry bandas que muitos deles nunca iriam conhecer. Fizemos covers de Astromato, Walverdes, Pin Ups, Killing Chainsaw, Vellocet, Sonic Disruptor, MQN, Biggs, Pelvs, Brincando de Deus, Low Dream entre outras, vai se chamar National Indie Hits.

MTJ!: Vocês já fizeram shows com várias bandas conhecidas. Houve alguma que
despertou um entusiasmo maior em tocar junto?
Mario: Particularmente de todas que tocamos por aqui, eu citaria o The Early Years, que nem é famosa e o Ash. No Brasil, adorei tocar com Mellotrons, Os Telepatas e o Ludovic.

MTJ!: E quais bandas vocês têm mais ouvido ultimamente?
Mario: Eu estou ouvindo muito Soundpool, Film School, Legião Urbana e My Bloody Valentine.

MTJ!: Alguma previsão de show no Brasil?
Mario: Estaremos fazendo bastante coisa no Brasil no ano que vem, quando estaremos lançando o álbum novo. Esse ano só iremos se tivermos alguma proposta muito legal. Rock n’ roll!!

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: Luísa Mandou Um Beijo by marçal
maio 11, 2008, 9:00 pm
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Calmaria. A palavra que melhor define o Luisa Mandou um Beijo. A começar pelo nome. Diferente, meio estranho, a frase que nomeia a banda carrega consigo um quê de tranqüilidade difícil de explicar.

As músicas seguem a mesma linha, penetrando suavemente nos ouvidos de quem as escuta. Os solos de flauta e trompete se encaixam perfeitamente com a voz da vocalista Flávia, que por sua vez faz par digno de filme romântico com os riffs do guitarrista Fernando.

As letras curtas e inocentes demonstram um romantismo sem melosidade, como em “Com um pote de geléia nas mãos”, ou então as coisas simples e boas da vida, como o vento que balança as bandeiras em uma tarde de jogo no Maracanã. Calmaria, com todas as letras, que em nenhum momento passa a ser sonolência.

O primeiro álbum foi lançado em 2005, e trouxe muito reconhecimento à banda, que já é bem conhecida no meio independente. Eles vieram tocar na Virada Cultural, em São Paulo, onde conversamos sobre a banda e as características peculiares que a envolvem. A entrevista você confere logo abaixo.

MTJ: Como vocês começaram a banda?

Fernando: Então, começou em 1999, eu gravei uma músicas que eu tinha em casa, numa mesa de 4 canais, uma fita demo na verdade, e convidei a Flávia para cantar as músicas que eu tinha criado e um amigo antigo meu de outras bandas para tocar bateria. A idéia inicial era ser uma banda de estúdio, só gravar e nunca fazer show, só que começou a ter um retorno muito bom de imprensa e de público, tinha gente pedindo show “Pô, cadê show, cadê show?”, dai eu pensei “A gente tem que montar uma banda né?”, porque não era uma banda, a gente tinha gravado as guitarras, o baixo e a voz. Daí resolvemos montar a banda, chamamos outros amigos, o Paulo para o baixo, o Pedro, que é meu amigo da escola, na guitarra, o Brou, trompestista, é meu irmão e o Cristiano que acabou saindo, e entrou o Luciano na bateria. O interessante é que o que começou como um projeto solo, acabou se tornando um projeto coletivo, desde que a banda se formou, eu dei liberdade pra eles tentarem coisas novas e tudo mais. E a música mudou, melhorou muito, com as influências de cada um. E é isso, daí a gente gravou um EP em 2001, já com a banda toda. Depois em 2005 nós gravamos o nosso primeiro disco oficial, que tem 11 faixas e agora estamos para lançar um disco novo.

MTJ: Quem é essa Luísa do nome da banda?

Fernando: Essa é a pergunta que eu mais respondi nesses 8 anos de banda (risos). Inclusive a minha idéia no início era inventar uma história diferente pra cada vez que perguntassem da Luísa. Mas eu sou jornalista e fiquei com pena dos meus amigos de trabalho,e decidi não mentir. A verdade é o seguinte: não existe Luísa nenhuma, é apenas um nome que eu achava bonito, que eu daria como nome pra minha filha na época, daí eu criei uma frase que traz um monte de idéias que eu acho bonitas, tipo saudade, femininidade. Enfim, Luísa é apenas um nome, eu não sei nem quais são as características dela. É impressionante como esse nome marca, se a pessoa lê sobre a banda no jornal, mas nunca ouviu, ela lembra mesmo assim.

MTJ: Na comunidade de vocês tem uma definição assim: “Amor + Rio de Janeiro + dadaísmo + rock alternativo”. O que tem de Dadaísta na banda?

Fernando: Acho que no som até muito pouco, pra falar a verdade eu nem saberia dizer como é um som dadaísta. Nas letras, inicialmente, algumas pessoas fizeram comparações, a gente as usou, mas eu nem diriam que elas são dadaístas, porque as letras fazem muito sentido pra cada um de nós, acho que Flávia pode dizer um pouco sobre isso também, mas as minhas letras, a maioria delas, têm um sentido, mesmo que para outras pessoas não tenha. Mas o Dadaísmo é um movimento artístico que eu, particularmente, gosto pra caralho, e adotamos o princípio do dadaísmo fora do som da banda, como por exemplo nas fotos de divulgação que por muito tempo a gente não usou fotos nossas, dos 6 aparecendo, usamos a foto de uma colher, uma batata, um garfo, uma rolha, etc, e dissemos éramos nós, divulgamos até com legenda ” da esquerda pra direita: Flávia, Fernando, etc…”, também já usamos uma foto de 6 playmobils; e quando lançamos o primeiro disco, ao invés de usar fotos, nós fizemos ‘tirinhas de divulgação’, que foi o nosso trompetista (ele é quadrinista) quem fez, daí a gente mandou para os jornais e eles divulgaram as tirinhas, O Globo publicou, Folha publicou, um monte de gente publicou.

Flávia: Hoje tinha até uma menina no show, bem na frente que estava com uma camisa estampada com os quadrinhos…a gente não fez uma camisa dessa, foi ela que pegou a tirinha e estampou na camisa e me mostrou.

Fernando: É isso, acho que o dadaísmo tá aí, mais nas fotos do que no som, tá mesmo nessa forma de divulgação.

Flávia: No outro show que fizemos lá no Rio, teve um pessoal, uns adolescentes que fizeram um trabalho sobre o dadaísmo e esse trabalho era baseado nas nossas letras, entendeu? Então as pessoas fazem essa leitura das nossas letras sendo dadaístas.

Fernando: É, depende da interpretação de cada um, as nossas obras são bem abertas

MTJ: Só pra finalizar, como que está a preparação do novo disco de vocês?

Fernando: A gente gravou ano passado, ele produziu a gravação, o Luciano…e agora a gente tá começando a mixar, mas tá bem no começo ainda. Temos material pronto gravado, boa parte editado…e vai demorar ainda um pouco a mixagem, depois a remasterização. Acho que é coisa pro segundo semestre agora.

MTJ: Então no segundo semestre temos novidades do Luísa Mandou um Beijo?

Fernando: É, espero que no começo do segundo semestre a gente esteja com esse cd pronto pra lançar. Aí vai ser lançado pela Midsummer Madness e pelo Volume 1, que são os mesmos selos que lançaram o primeiro CD.

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: Unicorn Kid by marçal
maio 4, 2008, 10:36 am
Filed under: Entrevistas, Unicorn Kid

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Sabe todos aqueles tecladinhos coloridos com sonzinhos bonitinhos que você ganhava nos aniversários no começo da infância? Todos geralmente tinham o mesmo destino. Após você bater tanto com ele no chão, ele quebrava e ia para o lixo.

Só que alguém soube aproveitar todos esses brinquedos, e começou a fazer música, criando um novo estilo. E atualmente esse estilo é bem abrangente, com vários artistas no gênero. Dentre eles, um garoto escocês de 16 anos, que atende por Unicorn Kid, e vem se destacando cada vez mais no Myspace. Esbanjando talento, podemos dizer com certeza que ele não é uma enganação da música eletrônica como vemos por aí. Suas músicas são bem trabalhadas e bem arranjadas, sempre com os inconfundíveis sons dos teclados de brinquedo.

Ele acabou de lançar seu primeiro EP, chamado “Sugarfest”, e continua despertando bastante atenção ao redor do mundo. Merece ser observado. Conversei com Oliver Sabin, vulgo Unicorn Kid, e ele falou mais sobre seu estilo de música e como está sendo esse reconhecimento tão precoce.

MTJ!: Quando você começou a fazer música eletrônica?

Oliver: Eu comecei a fazer bagunça com um teclado da Casio mais ou menos um ano antes de criar o Unicorn Kid, eu tinha algumas contas onde eu fazia música utilizando apenas teclados antigos, mas os resultados não eram muito bons!

MTJ!: Você usa instrumentos infantis para gravar suas músicas. De onde você tirou essa idéia?

Oliver: Bem, eu não sou o único que usa instrumentos de criança pra fazer música, longe disso, existe uma grande cena onde músicos alteram os circuitos dos instrumentos de brinquedo para fazer novos sons híbridos, foi a minha fascinação por isso que me fez ter essa idéia.

MTJ!: Como as pessoas reagem ao descobrir que você tem apenas 16 anos?

Oliver: Muitas pessoas ficam extremamente surpresas, mas acho que isso meio que me ajuda. Muitas pessoas vêem o fato de que alguém com 16 anos pode fazer música como eu faço e ficar popular com isso como uma novidade, eu acho que essa pode ser uma das razões pela qual eu fiquei tão popular em pouco tempo.

MTJ!: Como você descreveria o processo de composição das músicas?

Oliver: Minhas músicas são compostas e gravadas ao mesmo tempo, é tudo feito no computador, então não é necessário refazer a música se ela já estiver pronta.

Eu toco guitarra e baixo e eles são fundamentais para o processo de composição. Normalmente, eu começo a compor a música usando a guitarra, então adapto a canção no computador e começo a “brincar” com ela. Novas idéias aparecem para mim enquanto eu escrevo, então eu nunca sei como a música vai ficar enquanto não estiver totalmente pronta.

MTJ!: Você lançou um EP em formato físico e digital. Porque você decidiu lançá-lo dessas duas formas?

Oliver: A idéia inicial era lançar o EP em CD e digitalmente, pelo iTunes, mas a minha gravadora começou a cortar contato comigo aos poucos, e, como resultado, eu tive que lançar o EP sozinho, o que é um baita azar. Agora, ele está disponível apenas para download em mp3 no meu MySpace, por £3,50, mas ainda está vendendo bem!

MTJ!: Quais são seus principais ídolos musicais, quem influenciou você?

Oliver: Eu sempre fui influenciado por artistas que fazem suas músicas no computador, como Sabrepulse e Henry Homesweer, eu acho o trabalho deles tão incrível e tão dinâmico. Artistas como eles me fizeram desenvolver meu próprio estilo, eu acho que se pode dizer que existem alguns elementos do estilo deles na minha música.

MTJ!: Você também vende camisas do Unicorn Kid no seu MySpace. Você mesmo que as desenha? Como você começou com isso?

Oliver: A arte é o amor da minha vida desde sempre. Eu tenho trabalhado com design no meu computador há uns dois anos e acho que isso tem sido muito útil para fazer artes pro Unicorn Kid, então quando descobri os meios de se fazer uma camisa, eu agarrei a chance e comecei a trabalhar nisso!

MTJ!: O Unicorn Kid é bem famoso no MySpace. Isso já está te dando retorno, em termo de shows?

Oliver: Eu acho que, queiram as pessoas aceitar ou não, o MySpace se tornou parte principal no showbiz, musicalmente falando.

Nos últimos 6 meses eu me tornei o primeiro do meu gênero no MySpace, e eu era um ninguém. Tudo isso porque o MySpace é uma ferramenta tão ponderosa que permite que pessoas de todo o mundo conheçam minha música, e isso tem dado retorno, uma vez que consegui pencas de shows e que tanto gravadoras grandes quanto as indies começaram a se interessar por mim.

Gostou? Baixe um pacote com várias músicas do Unicorn Kid aqui.

Autor: Marçal Righi



Entrevista: Sé7ima by marçal
abril 13, 2008, 9:57 pm
Filed under: Entrevistas, Se7ima

Hoje em dia muitas bandas de rock vem surgindo, algumas misturadas à música eletrônica, algumas com aquela pegada de indie rock, e muitos fãs do rock n’ roll acabam ficando presos aos clássicos, pela falta de bandas novas que façam rock como nos velhos tempos.

Mas no meio dessas tantas bandas, surge uma que pode estar entre essas que agradarão desde os saudosistas do bom e velho rock n’ roll até os que adoram novidades. Essa banda é a Sé7ima, que vem desde 2004 mostrando seu som e conquistando fãs por onde passa, por suas músicas bem trabalhadas e contagiantes, e seus shows cheios de energia.

O som da banda é fortemente influenciado pelos clássicos do rock, mas sem perder a originalidade, mostrada nos ótimos arranjos, misturados à voz de trovão de Thiago Giglio, que resultam em um som cru sem ser sujo, agressivo mas gostoso de se ouvir.

No início de 2005, a Sé7ima lançou um EP, e então saiu fazendo shows em diversos bares e casas noturnas de São Paulo, chegando a conquistas como a do festival carioca Mistureba Rock Clube, em 2006.

Eles lançaram o primeiro disco, intitulado “A Seita” no final de 2007 [veja mais aqui], com 14 canções, mostrando uma musicalidade impecável em cada arranjo e detalhe. Conversei com o baixista, Gustavo, que contou mais sobre a banda e todas as dificuldades e felicidades do lançamento de um disco.

Rodolfo Miwa, Cesar Dellore, Gustavo Giglio, Thiago Giglio e Henrique Gomide

MTJ!: De onde vem o nome “Se7ima”?

Gustavo: A primeira banda do guitarrista Miwa e do vocalista Thiago se chamava Seven Seas, por uma mudança de direção musical começaram a escrever músicas em português e pra isso resolveram “aportuguesar” o nome e não quiseram que fosse literal.

Hoje o nome tem diversos significados e, realmente gostamos quando outras pessoas nos digam o que acham.

MTJ!: Qual foi a maior dificuldade pra lançar o disco?

Gustavo: Talvez a inexperiência e a ansiedade tenham sido nossos principais inimigos mas aprendemos rápido como lidar com certas coisas. A intenção eram os 5 músicos terem total orgulho do produto final. Por isso nos esforçamos e levamos o tempo que foi necessário para entender o que cada musica e cada elemento do disco significava para cada um.

Tivemos dificuldades que iam das agendas dos produtores e estúdios ao valor que investimos, sempre aparecia uma surpresa no meio do caminho.

Durante as gravações tivemos novas idéias, como o quarteto de cordas em algumas faixas, mudanças em algumas melodias e letras.

Em paralelo a busca por parceiros ou uma gravadora, algum selo para lançar o disco, alguma empresa de distribuição, chegar a conclusão de que teríamos que lançar por conta própria.

Lutamos pelo o que acreditamos e temos muito orgulho do produto final.

MTJ!: “Os anos 60 passaram e revelaram ao mundo gênios da música” é a primeira frase do release de vocês. Quais gênios seriam esses e quais mais inspiram e influenciam vocês?

Gustavo: É difícil definir isso, e esta primeira frase do release já foi muito discutida e provavelmente não a usaremos mais. Cada músico da banda tem diferentes influências e percebemos isso no nosso som.

Acho que se fosse pra citar uma década… começaríamos na década de 30 depois, 40,50,60,70, 80… 90…. 2000 já não sei rs…

MTJ!: Em várias músicas do disco há uma mistura de rock n’ roll com violinos e violoncelos. De onde veio essa idéia?

Gustavo: Foi uma idéia conjunta da banda com a produtora Florência, o Rique (tecladista) compôs e regeu o quarteto de cordas. Estão presentes em 4 músicas (Aurora, Caos, A Lua e o Sol e A Noite) sentíamos que elas precisavam de um novo elemento, conseguimos adicionar algumas novas dimensões para os sons. A gravação foi emocionante!

Capa do álbum “A Seita”

MTJ!: Além de terem um ótimo entrosamento musical, os integrantes são muito amigos. O quanto você acha que essa amizade ajuda a banda?

Gustavo: Sem dúvida é o principal alicerce de tudo o que aconteceu com a banda. Nos preocupamos um com o outro. A banda é mais um ponto de encontro para fazermos o que gostamos… inclua aí: cervejadas, viagens, futebolzinho, sonzinhos descompromissados até almoço com as avós e aniversários dos pais (risos). A tendência é uma relação muito mais sincera, o que não quer dizer que não existam quebra-paus de irmãos, mas, é sempre para o bem da gente, da banda e de nossas músicas.

MTJ!: Qual foi o melhor show que já fizeram, aquele que vocês não esquecem?

Gustavo: Pra mim foram vários…. o meu primeiro show com a banda foi inesquecível… tava nervoso pra caralho mas foi um show excelente. Quando ganhamos o festival no Rio, a banda se apresentou com uma energia fantástica… Mas, o show de lançamento do CD foi arrepiante. Uma galera enorme cantando todas as músicas, todos nossos amigos, familiares e etc… Foi uma força enorme…. são momentos como esse que ficam na sua cabeça e no coração por muito tempo.

MTJ!: Vocês sempre “testam” as músicas novas nos shows. Já aconteceu de alguma não ser muito bem recebida?

Gustavo: Não lembro disso ter acontecido, mas o que não funciona vamos sempre aprimorando… tocamos uma inédita que não está no disco, chamada “Pétalas” e acredito que o pessoal vem ficando bem entusiasmado com essa também.

MTJ!: Como estão as propostas para shows fora de São Paulo?

Gustavo: Confesso que hoje não estamos nos esforçando muito para marcar shows para fora, estamos reestruturando toda a forma de trabalho em relação a assessoria de imprensa, produção de shows, negociações, produtos, site, Orkut, MySpace, assim como toda a proposta e caminho do som da banda e etc… Acreditamos que uma pessoa de fora, que conheça bem o mercado poderia nos ajudar muito, estamos em busca desta pessoa. Conhecem alguém?

Aliás todos os produtos da banda podem ser encontrados no Fan Action que é uma parceria com o baixista do Sepultura, Paulo Xisto.

MTJ!: De um tempo para cá, começaram a aparecer várias bandas que misturam rock e música eletrônica. Vocês acham que no final o bom e velho rock n’ roll sempre acaba prevalecendo?

Gustavo: Acho que no fim do dia, quando colocamos nossa cabeça no travesseiro sabemos muito bem o que realmente preferimos!

Portanto, a boa música sempre prevalecerá. Então sim, o bom e velho rock n roll sempre acaba prevalecendo.

MTJ!: Como está sendo o retorno dos fãs após o lançamento do disco “A Seita”?

Gustavo: Nossos fãs, são muito mais do que amigos… somos praticamente uma grande família. Acho que ficaram bem satisfeitos e orgulhosos de fazerem parte desta história… acho que estão curiosos para o que está por vir! (risos)

Gostou da Sé7ima? Logo abaixo tem 4 músicas pra download:

Aurora

Do Outro Lado

A Noite

Fim

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: mono.tune by Cedric
março 23, 2008, 4:33 pm
Filed under: Entrevistas, mono.tune | Tags: ,

Em São Paulo, surgiu mono.tune. O que a principio era mais uma daquelas “bandas de um homem só” ganhou mais integrantes e começou a fazer shows, fora e dentro de Sampa. Esse homem é Filipe Consoline. Filipe compôs, produziu e gravou o álbum de estréia “The Worst Day With The Best Person” sozinho.

O interessante é que deu certo, e deu certo porque é de qualidade. mono.tune (em letra minúscula, como Filipe faz questão de lembrar) tem influencias do indie rock e do folk. O resultado é uma espécie de mistura de Dandy Warhols com Elliott Smith.

Todo o trabalho duro do fundador da banda fez com que surgissem críticas positivas de diversos sites pela internet, fãs espalhados pelo Brasil e até um público internacional, que foi estimulado pelas composições em inglês de Filipe.

Com um som bom de se ouvir e cantar, Filipe Console, Pedro Machado, Ravi Machado e o iPod que toca bateria seguem fazendo shows e conquistando um público cada vez maior. Tudo isso representando muito bem o cenário indie nacional.

Acesse os links do grupo: MySpace / Trama Virtual

A, também não deixe de conferir o clipe da música “Poor Heart And it Troubles”. A música é excelente (a melhor, na minha opinião) e o clipe idem.

Conversei com o bem falado Filipe e abaixo você confere o nosso papo:

MTJ!: Quando e porque você começou a fazer música?

Filipe: Meu primeiro contato com a música foi aos 8 anos com aulas de teclado, mas não durou muito. Só alguns meses porque a professore me deixou meio traumatizado, ela não deixava eu passar pra lição seguinte enquanto aquela não estivesse perfeita. Depois, aos 10 anos, eu comecei a estudar guitarra e continuei frequentando as aulas até os 14 anos. Toquei em umas 4 bandas até chegar no mono.tune. Hoje em dia eu estou estudando piano erudito, música no conservatório e estou com mais alguns projetos paralelos ao mono.tune.

MTJ!: Fale um pouco desses projetos paralelos.

Filipe: Faz uns 2 meses que entrei numa banda daqui de SP, a Lab. Nela eu só toco guitarra, aliás, nesses 13 anos que eu toco guitarra, essa é a primeira vez que eu estou numa banda em que eu só faço isso! Não canto nem nada disso. Comecei agora um projeto experimental, sozinho, em português. Eu uso synths, loops de bateria, piano. Mas tento evitar o básico da banda: baixo, guitarra e bateria.

Não pretendo levar para os palcos, até porque o mono.tune e a Lab já pegam bastante parte do meu tempo! Não conseguiria administrar mais um projeto, arrumar shows, divulgação, etc. Eu vou gravar as minhas idéias e ver no que dá.

MTJ!: E, voltando ao mono.tune, vocês jágravaram um CD de 9 faixas. Como foi o processo de gravação?

Filipe: O processo foi um pouco demorado por eu fazer tudo sozinho, desde a gravação de todos os instrumentos até a mixagem e produção. Muitas vezes eu me “perdia” no meio do trabalho. Não sabia mais se a música estava boa, se eu estava viajando de mais, etc. O CD todo foi influenciado por fatos que eu passei, é meio que um diário desses 2 anos em que eu fiquei compondo e gravando o disco.

Mas foi bom, porque quando eu comecei a gravar eu não tinha idéia de como funcionava esse lance de gravação em home studio.

MTJ!: Quais foram suas influências pro álbum, além de sua própria vida?

Filipe: Eu ouvi muita coisa durante esses 2 anos, vai de Morphine [indie e jazz rock dos anos 80-90] até Jaga Jazzist [rock progressivo e jazz], Elliot Smith pelo lance lo-fi e Nirvana, que sempre me influenciou em tudo que eu compus, até sem querer! Mas é meio irritado só citar alguns nomes.

MTJ!: Nos shows você conta com Pedro (guitarra) e Ravi (baixo). Como a ajuda deles apareceu?

Filipe: E o iPod com a bateria eletrônica! O Ravi eu conehço desde o primeiro ano do colegial, já toquei com ele em uma outra banda a uns 5 anos atrás, aí, quando comecei a montar a banda pra levar o som do mono.tune ao vivo, a primeira pessoa que me veio na cabeça foi ele.

O Pedro foi a um show nosso quando nem eramos mono.tune ainda, o projeto tava meio que mudando o rumo. Ele é amigo de um amigo meu de infância, estudam na mesma classe na faculdade, aí rolou o convite, ele curtiu e fechamos a formação.

MTJ!: A banda é de São Paulo mas já tocou longe, no Sul do país. Como foram essas apresentações e como são os shows em São Paulo?

Filipe: Em dezembro, janeiro e fevereiro a gente viajou bastante pra uma banda com o nosso tempo de estrada, menos de um ano. Além do Paraná (Londrina, Maringá e Rolandia), nõs tocamos no Mato Grosso do Sul, em um festival organizado lá em Dourados, próximo de Campo Grande. Depois, em janeiro, tocamos em Campinas e em fevereiro voltamos para Maringá pra participar do festival integrado ‘Grito Rock’.

Acabamos tendo mais atenção do pessoal de fora de SP, mas os shows aqui sempre são legais. O último que fizemos, agora no dia 29 de fevereiro, nos surpreendeu. Rolou até pedido de bis (risos).

MTJ!: Você acha que o fato das músicas serem em inglês ajuda ou atrapalha a banda, de alguma forma?

Filipe: Não que eu ache a nossa língua brega, mas no mono.tune ficaria estranho.

MTJ!: Nesse ano, o que vocês pretendem fazer? Mais shows? Trabalhar em um novo disco? Enfim, o que você acha que falta pro mono.tune que pode ser feito em 2008?

Filipe: Nesse ano vamos lançar o nosso primeiro EP, sem nome ainda. A pré-produção das músicas já está feita e agora daremos um tempo nas apresentações para ensaiá-las. Esse EP vai ser um pouco diferente do disco, as músicas estão muito mais pro lado folk, batida no violão bem rápida, temas variados, mas semp erder a caracterísica sonora do mono.tune.

Também queremos viajar ainda mais, divulgar, tocar…o que vier será resultado do nosso trabalho.

As fotos usadas nesse artigo são de Felipe Vilasanchez da Revista Paradoxo.

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Tem uma banda e quer aparecer no Move? Mande um email para movethatjukebox@hotmail.com

Autor: Alex Correa



Entrevista: Serotonina by marçal
março 9, 2008, 3:53 pm
Filed under: Entrevistas, Serotonina | Tags: ,
Vindos de Jaraguá do Sul/SC, Serotonina é uma banda composta por três garotos (hahaha garotos sim, dois deles têm menos de 18 anos), que definem seu som como uma mistura de “música de academia com rock pesado, um pouco de videogame e uma pitada de pós-punk”.

Calma, podemos explicar. A música de academia vem das bases eletrônicas, o rock pesado dos riffs de guitarra, o pós-punk das melodias um pouco sombrias, e o videogame dos efeitos. Ou então, o videogame é o sinônimo da diversão, que dá um gás especial à banda, resultando em shows animadíssimos e músicas que te chamam para a pista.

Eles já têm dois EPs lançados, “Colostro”, de 2007, com 5 músicas, e “Origami Killers”, lançado essa semana, com 3. Para ouvir algumas músicas, acesse o MySpace da banda.

Conversei com o Eduardo, vocalista, e ele me contou mais sobre a Serotonina, essa máquina de fazer dançar. A entrevista você confere logo abaixo.

MTJ!: O que significa Serotonina, e qual é a história da banda até agora?

Eduardo: Serotonina é um neurotransmissor que controla o humor, o apetite, o libido (rs) e outras sensações… e é essa a nossa proposta, mostrar as sensações pras pessoas em forma de música. No começo, em 2006, não sabíamos que levaria esse fim, optamos pela base eletrônica porque não encontrávamos ninguém pra tocar bateria com a gente… Fizemos alguma coisa, gravamos com uma câmera digital e extraímos o som.

Era muito trash, não sei como tivemos coragem de disponibilizar aquilo no MySpace (risos). Gravamos a demo (Colostro) no meio do ano passado, com a entrada do guitarrista atual, o Allan (antes dele duas meninas passaram pela banda) e foi o que abriu caminho pra shows e festivais.

MTJ!: O EP ‘Colostro’ foi lançado no ano passado. Qual foi a maior dificuldade pra que isso acontecesse?

Eduardo: Foi meio relâmpago, o Allan chegou e disse: vamos gravar logo. Entramos em estúdio, jogamos na internet e tcharãn! Sem maiores transtornos. (risos)

MTJ!: Vocês definem seu som como “música de academia com rock pesado”. Como chegaram a essa mistura?

Eduardo: Todos [nós da banda] somos muito diferentes, desde estilo de vida a musical. Então vem influência de todo lugar, do rock sombrio oitentista e dance 90’s e ao pós-punk.

MTJ!: Vocês têm dificuldade em conciliar a música com o estudo/trabalho?

Eduardo: Não… é claro que os ensaios foram reduzidos já que o Allan se mudou pra estudar, e o Ézio (baixista) e eu temos nossos respectivos trabalhos e estudos também. E viva os finais de semana!
Mas já faltamos em compromissos pra viajar e tocar e tal.

MTJ!: Amigos ou família? Quem apóia mais a Serotonina?

Eduardo: Amigos… e família! Tem gente que apoiou desde o começo, tem gente que gongou também… mas né? Sempre tem o pai ou mãe de alguém nos shows que a gente faz por aqui, dão força e liberam a casa pras loucurinhas a.k.a. ensaios.

MTJ!: Como estão as propostas para tocarem fora de Santa Catarina?

Eduardo: Têm aumentado. Tocamos em Curitiba no final de 2007. Em São Paulo no início desse ano. A gente tem um longo caminho ainda, mas as propostas tão surgindo. Porto Alegre, São Paulo… o problema é ser da roça (risos), estamos longe da cena, de onde tudo acontece. e aqui dividimos palco com bandas de metal às vezes (não que haja algum problema).

MTJ!: Dois dos três são menores de idade. Já enfrentaram algum problema em algum lugar que iam tocar por causa disso?

Eduardo: Não, a gente tem banda só pra poder entrar nos lugares de graça, beber de graça, e conher gente legal! (risos) Nunca rolou de barrarem a gente… quem ficaria no prejuízo seriam eles, né?

MTJ!: Contem alguma coisa engraçada que aconteceu durante um show.

Eduardo: O Kid Vinil gongou nosso show de São Paulo! Ele ia tocar depois da gente, foi pôr a música no ponto e começou a tocar no meio do show! Roubaram as nossas demos no show de Floripa, descobri quando um guri veio com um na mão, perguntei se ele comprou e ele disse que pegou do chão. (risos)

Todos os shows tem um quê de freak show, tipo pessoas vindo agarrar e abraçar e bolinar a gente. Já toquei vestido de vaca, mas nunca tirei bife de lugar nenhum. (risos)

Capa do EP 'Colostro'
Capa do EP ‘Colostro’ [2007]

MTJ!: Vocês acabaram de lançar outro EP, com mais três músicas. Qual foi a principal mudança/evolução do ‘Colostro’ para esse novo?

Eduardo: Saímos dos 140 bpm (risos), tá com uma pegada mais rock, mais desesperadora… sem sair da proposta dançante. evoluímos juntos como banda e como música, e essas novas mostram isso.

MTJ!: Junto com o EP, veio o vídeo da música ‘Scissor Paper Rock’. Foi difícil gravar o primeiro clipe?

Eduardo: O clipe foi feito em stopmotion por um grupo de amigos da banda, explorando origamis. Foram algumas semanas de montagem, animação e o resultado final ficou incrível.

Gostou? Logo abaixo tem 4 músicas para download.

Hypocondriac Love (Colostro)

Boomerang (Colostro)

Gossip Wave (Origami Killers)

Touché destiny (Origami Killers)

Acesse:

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: Dois em Um by Gabriel
fevereiro 24, 2008, 12:04 am
Filed under: Dois em Um, Entrevistas | Tags: ,

Notas suaves que ecoam de um violoncelo, misturando-se com a doce e tímida voz de uma cantora (estreante, para nossa surpresa) e as idéias e necessidade de criação de um músico. Misture isso tudo a um pouco de Andrew Bird, João Gilberto, Nick Drake, Grizzly Bear. . . e por que não Radiohead?

Isso é parte de ‘Dois em Um’, projeto da carioca, violoncelista e gentil Fernanda Monteiro com Luisão Pereira, produtor musical baiano.

Conheci o projeto há pouco tempo, vagando pelo orkut e confesso a minha surpresa ao abrir o MySpace do duo. Mesmo nascido agora, em 2007, e com apenas 5 músicas gravadas, ‘Dois em Um’ já promete ser um dos grandes nomes para a música brasileira nos próximos tempos. E por incrível que pareça, todo o projeto foi desenvolvido na casa dos dois, o que não prejudica em nada a qualidade do trabalho.

Quer saber mais sobre “A soma de Fernanda Monteiro e Luisão Pereira”? Confira abaixo a entrevista com a Fernanda, vocalista e violoncelista do projeto.

MTJ: Qual a sua formação musical?

Fernanda: Como violoncelista, a mais “clássica” possível, rs. Mas antes de começar a estudar violoncelo, aos 13 anos resolvi aprender a tocar violão sozinha, porque fiquei super fã de Pearl Jam (estávamos no auge do “grunge”) e tinha um violão de bobeira lá em casa. Quando resolvi entrar no conservatório pra tomar aulas, tive contato com o violoncelo e aí não quis mais saber do violão… Desde então, tenho trabalhado basicamente com música erudita, mas de vez em quando faço gravações, shows, peças de teatro que me permitem ir para outros “caminhos”. E agora tenho o Dois em Um J.

MTJ: Como surgiu a idéia do ‘Dois em Um’? Quais eram os projetos anteriores de vocês?

Fernanda: Bom, o fato de morarmos debaixo do mesmo teto e termos bastante tempo disponível juntos foi determinante, rsrsr. E Luisão ser um compositor super produtivo! Ele compõe muito e sentia a necessidade de ver suas músicas gravadas.

Luisão sempre teve bandas desde os 12 anos, a mais conhecida foi uma banda chamada Penélope (1996-2004) www.myspace.com/penelopebanda

MTJ: Como você conheceu o Luisão? Há quanto tempo dura essa parceria musical?

Fernanda: Nos conhecemos em 2001 e desde então estamos juntos, porém musicalmente falando o Dois em Um é o nosso primeiro projeto. Já tinha gravado com a Penélope no último disco deles (‘Rock, meu amor’ – 2003) e cheguei a acompanhá-los em alguns shows. Em 2006, já aqui em casa, gravei os violoncelos no ‘Nota de um Samba Só’(www.myspace.com/luisaosongs), primeiro disco solo dele.

A idéia do duo só aconteceu em 2007.

MTJ: Você já teve passagens pela música erudita e popular. Qual seu principal foco no momento? Como o conhecimento erudito interfere nas composições?

Fernanda: Sempre é o erudito, que é o que me possibilita “viver de música”, e que também é algo pelo qual sou apaixonada. Adoro tocar em orquestra(toco na Orquestra Sinfônica da Bahia), fazer música de câmara. Mas isso nunca me impediu de escutar e curtir música dos mais variados tipos.

Não sou compositora, meu trabalho enquanto musicista é realmente o de intérprete e no Dois em Um, todas as composições são de Luis (umas são parcerias). Neste nosso projeto, só me meto nos arranjos, não só no de violoncelos, mas no geral. E agora me atrevi a cantar, algo que nunca fiz na minha vida, nem no chuveiro!

MTJ: Quais influências vocês consideram ter sido determinantes nesse projeto?

Fernanda: Acho que o que me impulsionou a fazer algo assim, além de Luisão, é claro, foi o Andrew Bird. Não que eu queira fazer algo similar ao trabalho dele só que com o violoncelo em vez do violino! É que realmente o considero um gênio – enquanto cantor, compositor, instrumentista… O admiro muito! Fora ele, tem milhares de outras coisas, as mais relevantes(e que me lembro aqui de cara) são o Radiohead (cujo trabalho solo de composição do guitarrista Jonny Greenwood só vim a conhecer agora e achei maravilhoso), Grizzly Bear, João Gilberto, Nick Drake, Múm, coisas que ouvia na adolescência e ouço até hoje, como Stereolab, Sonic Youth, Beck, Smashing Pumpkins…

MTJ: Você é carioca mas reside na Bahia, certo? Como tem sido a aceitação do público baiano com relação ao projeto?

Fernanda: Isso. Como ainda não fizemos shows, as pessoas só têm escutado nossas músicas na web mesmo e pelo que nos escrevem e nos falam, a recepção tem sido ótima, melhor até do que esperávamos.

MTJ: Como ocorre o processo de composição?

Fernanda: Começa com Luisão compondo geralmente ao violão ou ao piano. Mateus Borba (http://www.myspace.com/mateusborba), que é parceiro dele, manda letras por email. Se a música sai com cara do Dois em Um, a gente já começa a pensar em arranjo e montar as bases. Nem ensaiamos nem nada, a música já sai da cabeça direto pro computador. Vamos criando os arranjos enquanto gravamos. Vamos experimentando… às vezes fica bom, às vezes fica ruim… rsrssrrs. E quando fica pronto soltamos no myspace e no tramavirtual.

MTJ: Vocês já lançaram um EP. Quais são os próximos planos e expectativas para 2008? Algum álbum a caminho?

Fernanda: Estamos pensando seriamente num disquinho cheio!

Gostou? Quer saber mais?

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Videoclipe de ‘Deixa’ (2007)

Autor: Gabriel Zorzo



Diretamente da serra do Rio, apresentamos The Cheddars by Cedric
fevereiro 10, 2008, 11:31 am
Filed under: Entrevistas, The Cheddars | Tags: ,

Nesse domingo vamos falar de queijo, ou melhor: Vamos falar de uma banda com nome de queijo.

The Cheddars vem de Teresópolis, interior do Rio (meus conterrâneos) e representam o Indie Rock na cidade. Com cerca de 2 anos de formação, os caras têm fortes influências de bandas como Franz Ferdinand, Coldplay, The Strokes, e é claro, Muse.

Agora, vamos falar de uma mistura, uma mistura que deu em ótimos resultados: Pegue três rapazes do interior fluminense, adicione um pouco de queijo e bata com a banda do inglês Matthew Bellamy. Sabe o que você vai ter? Músicas próprias de qualidade e um cover de Muse excelente, em outras palavras, você vai ter The Cheddars.

Quer saber do que eu to falando? Visite o MySpace dos caras e confira abaixo os covers de ‘Stockholm Syndrome’ e ‘Plug in Baby’, numa compilação:

Viu? Gostou? Pois vou direto ao ponto. Conversei com Bruno Costa – o vocalista e o cara que começou com toda essa história de The Cheddars – sobre planos para o futuro, lançamento de CD, e o que todo mundo pergunta: Como o nome foi escolhido. Logo aqui em baixo você confere nosso bate-papo:

Quando e como começou The Cheddars?

Há uns 2 anos e meio, eu tinha uma banda chamada The Showbiz. Era também um trio, tocávamos covers de Muse, Franz Ferdinand e Radiohead. Decidimos gravar uma música antes de fazer qualquer show, pra divulgar um pouco a banda antes de dar a cara. Fizemos um blues com um riff bem tradicional e letra em inglês. Depois disso, fizemos alguns shows e a banda acabou.

Eu quis continuar com a banda, mas mudei o nome porque com Showbiz, era uma banda que eu tinha com meus amigos…The Cheddars é uma banda que eu fiz com pessoas que eu sabia que tocavam, apenas…É outra banda, mas a premissa é a mesma.

O nome da sua primeira banda teve relação com o nome do primeiro CD do Muse?

Sim, exatamente! =)

Como o nome da banda atual foi escolhido?

Eu estava no estúdio do Márcio Pombo, falando sobre nomes de bandas. O Márcio, por algum motivo esquisito, sempre teve bandas com nomes de queijos, tipo Gorgonzolas e coisas do gênero. Eu fiz uma piada falando que um nome irado seria The Cheddars.

Vocês são de Teresópolis, mas fazem shows regularmente no Rio de Janeiro. Afinal, onde é melhor tocar?

A primeira vez que eu fiz um show no Rio foi uma surpresa. As pessoas conheciam os covers que nós tocamos, se interessaram mais nas músicas próprias, fizeram mais elogios depois…Ok, resumo? Em Teresópolis, a gente toca pra amigos, no Rio, a gente toca pra quem curte a mesma coisa que a gente curte.

As letras das músicas são baseadas em que?

Geralmente fazemos as letras das músicas baseadas no cotidiano, em relações amorosas…Eu acho uma coisa muito difícil falar sobre amor sem parecer idiota nas letras. Eu prefiro falar sobre o cotidiano mesmo…quando falo sobre amor dá merda. Eu invejo/louvo o Rodrigo Amarante e o Marcelo Camelo [ex-Los Hermanos] por causa disso. Tem música que eu escrevo que quer dizer muita coisa, tem várias interpretações. Tem música que apenas não quer dizer nada. Não cheguei ainda ao ponto do vocalista do Interpol que se encheu de escrever letras e fez músicas com palavras aleatórias…quem sabe um dia?

Como rola o processo de composição?

Eu faço o instrumental, depois melodia vocal, depois as letras. Daí eu mostro pra banda e a gente faz o arranjo no estúdio mesmo. O problema é que nem sempre as letras vêm com tanta facilidade. Nesse caso, eu vou pro estúdio na hora do arranjo e canto: “nananana”, “lálálálá”…

Qual é a reação do publico ao ouvir suas versões dos sucessos do Muse?

No show? Alguns olham, alguns balançam a cabeça, alguns dançam um pouquinho. Na internet? A maioria procura alguma coisa pra criticar. Pessoalmente? Ouço altos elogios, mesmo. As pessoas, em geral, costumam se surpreender positivamente, o que me agrada bastante. Fora o fato de ser minha banda preferida, comecei a cantar por causa de Muse mesmo.

Vamos falar o futuro: Existe alguma previsão para lançamento de CD? Formato físico ou digital?

Existe uma previsão mais precisa e concreta do que esperávamos: Vamos entrar no estúdio em fevereiro pra começar a gravar nosso cd. Não faço idéia de quanto tempo vamos levar, ainda há muita coisa pra ser produzida e arranjos a fazer. Faremos uma pequena prensagem de 500, 1000 cópias e vamos ver no que dá.

Vocês disponibilizariam todas as suas faixas de graça na internet?

Ainda não sabemos como faremos isso. Há muitas questões de publicidade envolvidas nesse processo. As que gravamos, estão no myspace. Depois que lançarmos o CD, provavelmente colocaremos na internet, porém, possivelmente não para download.

Além de lançar o CD, quais são os objetivos para esse ano?

Fazer um clipe, lançar na MTV. Ir pra Globo, mas não pro Faustão e sim pro Jô Soares. Fazer turnê mundial e ganhar rios de dinheiro. Hum…Acho que pra esse ano, é só!

Autor: Alex Correa



Barbiekill: Mostrando que no Nordeste também tem electrorock! by marçal
fevereiro 4, 2008, 6:37 pm
Filed under: Barbiekill, Entrevistas

Nascida em uma festa de amigos, como uma brincadeira, acabou crescendo e a cada dia ganha mais visibilidade. Essa banda é o Barbiekill. Mas qual é o motivo desse crescimento tão rápido? Talvez as músicas animadas com letras debochadas, ou então estavam na hora certa, no lugar certo.

O momento é o melhor possível, coma febre da New Rave. Já o lugar talvez não seja o mais propício para o estilo. A banda é de Natal, RN, que digamos, não é um berço do electrorock, mas talvez isso a ajudou. A banda veio como uma inovação, diferente de todas as outras do local, e isso agradou a muitos.

As claras influências de outras bandas brasileiras como CSS e Bonde do Rolê fazem das músicas do Barbiekill uma animação geral. Eles têm um EP lançado, “Ai Meu
Edy!”, que pode ser baixado aqui.

Conversamos com o vocalista, Daniel, e o baterista, Waldemar, e eles nos contaram mais sobre a banda e essa ascensão rápida. A entrevista você confere logo abaixo.

MTJ!: Como nasceu a banda?

Waldemar: Daniel, responde essa, eu não lembro. (risos)

Daniel: A gente tava tomando banho de piscina e bebendo e então a gente começou a falar de como ia ser legal se a gente tivesse uma banda que tocasse nas nossas festas. Nós costumamos fazer muitas festas. Daí a gente se juntou de brincadeira e como eu disse que ia cantar todo mundo começou a rir, porque quando eu cantava musicas do ‘É o Tchan!’ eu desafinava pra cacete .Waldemar já sabia tocar bateria e tinha um menino que não é mais da banda que tocava guitarra. A banda nem tinha a mesma formação de agora.

MTJ!: Em pouco tempo de banda, quais são as vitórias que já tiveram?


Daniel:
O mais legal foi o reconhecimento, as pessoas ficam perguntando as novidades. Temos shows marcados em outros estados.

Waldemar: Acho que gravar nosso EP pagando a maior parte com nosso dinheiro de cachês foi uma.

Daniel: Ah é, gravar o EP com o dinheiro que conseguimos de shows. Acho que foi o melhor! (risos)

MTJ!: Como banda nova, quais são as dificuldades que vocês encontram?

Daniel: Falta lugar legal pra tocar.

Waldemar: Pra falar a verdade eu nem vejo muitas dificuldades.

Daniel: Acho que por sermos novos, somos pouco levados a sério por quem organiza alguns dos eventos que tocamos. Questão de som e tal. Mas acho que só isso. As coisas tão vindo fácil, até. Somos chamados pra tocar nos lugares.

Waldemar: Acho que isso seria mais a falta de estrutura, porque já tocamos praticamente em todos os locais que a cidade dispõe. O som, nunca tem um som de qualidade.

Daniel: Acho que o som é o pior. Às vezes tem [um som de qualidade], mas não é sempre. Já tocamos sem passar o som e foi uma bosta, um grande dum cu.

MTJ!: Como ocorreu essa inserção de vocês nas boates e clubes natalenses?

Waldemar: Uma das primeiras vezes que tocamos foi no Avesso, boate gay daqui.

Daniel: Fomos indicados por uma amiga pra abrir o show o Montage, daí depois desse show fomos super bem comentados e passamos a ser chamados pra vários outros.

Waldemar: Fomos convidados porque a atração principal era Montage, e como éramos a única banda que tem um som eletrônico aqui em Natal tivemos um crédito.

Daniel: Também tinha o Dusolto, mas eles estão de férias desde que foram no programa do Jô. Mas eles não têm nada a ver com o Montage. A gente ainda combina um pouco.

MTJ!: E tem alguma proposta pra tocar em algum lugar maior, fora de Natal?

Daniel: Fomos a primeira atração confirmada pro MADA, um festival grande, mas é aqui em Natal. Fora daqui tem, mas disseram pra a gente não mencionar ainda, só estaremos liberados após o carnaval.

MTJ!: Como é o cenário musical alternativo do Rio Grande do Norte?

Daniel: Aqui proliferam bandas que fazem rock naquele estilo antigão, 60’, 70’, sabe? O pessoal daqui adora. E tem hardcore, uó. Tem muita banda de hippie também.

Waldemar: Não tem um incentivo muito grande, mas também as bandas não fazem por merecer.

Daniel: É, tem muita gente que faz qualquer coisa e sai dizendo que tem banda, sabe? Mas isso não quer dizer que não tenha uma galera competente.

Waldemar: É claro. Tem gente que faz um som bacana aqui também.

MTJ!: Alguma banda recente que vocês consideram ‘um achado’?

Daniel: Você lembra de alguma?

Waldemar: Rapaz…

Daniel: É que eu gosto de muita coisa nova… É complicado dizer e lembrar de uma especifica. Anteontem conheci o MySpace de uma menina chamada Mallu Magalhães e achei muito legal, ando ouvindo de vez em quando. Acho até que vocês deveriam entrevistá-la.

Waldemar: Tiveram umas bandas que nos adicionaram no MySpace que são até legais. Aquela lá Daniel…?

Daniel: A gente gosta do New Rave Kids On The Block. E tem uma chamada ‘The Man’ que é muito legal, mas eles não são do Brasil. Mas sei lá, é difícil dizer agora.

MTJ!: Querem falar mais alguma coisa?

Daniel: Só mandar um beijo pra mamãe, pro papai, pros meus amigos e pros fãs. (risos)

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Autor: Marçal Righi



Mono4: Música para ouvir e dançar by marçal
janeiro 20, 2008, 8:19 pm
Filed under: Entrevistas, Mono4

O Mono4 é uma banda paulistana, composta por Julie, Edo e Pollak, que fazem um som eletrônico com algumas pitadas de indie rock. Talvez uma mistura comum, porém essa palavra some do contexto quando começa a se ouvir suas músicas. As boas letras em inglês somadas às melodias variadas e batidas empolgantes fazem do Mono4 uma banda fácil de se gostar, boa de se ouvir, boa de se dançar. Conversamos com a vocalista, Julie, e ela nos deu mais detalhes sobre a banda em si e as opiniões deles sobre diversos assuntos relacionados à cena musical que a banda pertence. A entrevista você vê logo abaixo.

MTJ!: De onde nasceu a idéia de montar a banda?

Julie: Eu já conhecia o Pollak e vira e mexe a gente encontrava o Edo e o Yuri (ex-integrante) em festas de amigos e baladas que íamos… Um dia, os meninos marcaram de fazer um som na casa do Yuri, e depois de feito, viram que faltava alguma coisa… e essa coisa era eu, hahaha!Sei que daí um dia fui lá, e gravei o vocal de Let’s go to the park and pretend. Pronto!

MTJ!: Quais são suas principais influências?

Julie: A gente sempre responde isso da seguinte maneira: cada um de nós tem suas próprias influências/gostos. Claro que muitas coisas em comum, mas também muitas coisas pessoais… Aliás, experiências pessoais são uma enorme influência nossa, se não, a maior.


MTJ!: O que voces pensam sobre algumas bandas brasileiras que acabam sendo mais reconhecidas e fazendo mais shows no exterior do que aqui? Por que vocês acham que isso acontece?

Julie: Ok, o Bonde e o Cansei: eles tem uma puta sorte! Porque, imagina… você monta uma banda com seus amigos e, de repente, sai do seu país pra fazer show e o que é melhor ainda: ganha fãs fora do seu país, deve ser no mínimo incrível. Viajar, conhecer gente/culturas novas, esse tipo de coisa… Quem tá nesse meio sabe que o que aconteceu com essas bandas é a exceção da exceção, esse reconhecimento é extremamente raro. Fazer música é difícil, e ser reconhecido por fazer música é mais difícil ainda: ou você se vende e faz o que qualquer gravadora quiser que você faça ou você faz um sambão/forró/sertanejo machista e cai no gosto popular.

Mas também tem o lado legal que é aquele das pessoas estarem sempre sedentas por novidades e a mais nova banda cool da semana né? Eu, por exemplo to sempre pesquisando coisa nova. É raro ter algo novo que seja realmente bom, que realmente satisfaça. Acabo sempre voltando pra Björk, pro New Order e por aí vai – to velha, gente.

MTJ!: Quem é o ou os compositores da banda? De onde vem a inspiração, sobre o que falam as letras?

Julie: Geralmente quem escreve a maioria das letras é o Pollak… mas no sentido de compor musicalmente falando, tudo é decidido e resolvido pelos três. A inspiração vem de tudo… mas como eu já disse, principalmente de experiências pessoais… Pegamos um pouco de tudo, um pouco de nós e juntamos tudo.

MTJ!: Vocês acham que a cena electrorock brasileira está bem representada?

Julie: Não digo a cena electrorock, mas a cena eletrônica em si tá sim. O que falta é espaço pra projetos ótimos que tem por aí ganharem mais destaque.


MTJ!: Quais bandas nacionais vocês gostam de ouvir?

Julie: No momento, falando por mim… o New Rave Kids On The Block! Eles são ótimos e eu assumidamente amo, torço e pago um pau. Aliás, vou fundar o fã-clube oficial!
Ouçam Mister Lúdico e os Morféticos. Eis uma banda de rock nacional com letras e músicas ótimas.
Tem também o Lucy and the Popsonics, de Brasília, toda vez que eles vem tocar aqui, a gente tenta ir nos shows, eles são uns fofos.

MTJ!: Alguma previsão pra lançamento de CD ou algo parecido?

Julie: O primeiro passo é gravar e mixar certinho todo o material que temos inacabado, e isso leva tempo – e grana. Então, vamos com calma… Daí, a gente vê o que é que rola né? Agora é esperar o Edo voltar da Europa em fevereiro pra gente, de fato, colocar a mão na massa e fazer o que a gente mais gosta de fazer, que é música – fui fofa agora!

Gostou? Clique aqui para baixar um pacote com algumas músicas, e entre no MySpace da banda!

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Autor: Cédric Fanti



NRKOTB: A revelação do new rave nacional by alex correa
janeiro 13, 2008, 3:37 pm
Filed under: Entrevistas, NRKOTB

New Rave Kids On The Block – também conhecido como NRKOTB – é uma banda paulistana formada a pouco mais de 2 meses por Cello, Goos e Rafael.

Com influencias de The Go! Team, Klaxons, Hot Chip e da brasileira CSS, NRKOTB está na lista de apostas do G1 para 2008. A banda já tem 4 músicas gravadas e que podem ser ouvidas e baixadas em seu MySpace. Suas músicas apostam em letras ousadas e em inglês.

Atualmente os 3 caras agitam a noite em Sampa e em breve começam a fazer shows fora de seu berço, como você confere na entrevista abaixo. A agenda deles também está no MySpace.

MTJ!: Pra começarmos, como a banda foi formada?

RKOTB: O Cello e o Rapha se juntaram pra discotecar em festas e se divertir assinando como NRKOTB. Nas primeiras reuniões surgiu a idéia de fazer músicas próprias e um tempo depois apareceu o Goos pra dar uma mão e então a banda tomou seu formato atual.

MTJ!: Vocês já tem 4 músicas gravadas em apenas 2 meses, quando continuam os lançamentos?

NRKOTB: Já temos bastante coisa semi-pronta. No início, precisávamos mostrar algum trabalho, então assim que terminávamos, já subíamos pro myspace, sem dar uma revisão ou repensar alguma parte. Com as novas estamos regravando, vendo se gostamos do jeito que ficou e só então vamos soltá-las. Daqui a pouco vamos refazer aquelas 4 do myspace também.

MTJ!: A banda já fez shows fora de São Paulo?

NRKOTB: Ainda não! Já recebemos propostas pra tocar em Brasília e BH, mas não rolou por falta de agenda, mas temos esperança disso acontecer em breve, já estão rolando as negociações. O primeiro show fora da cidade vai ser dia 26 na festa Popscene em Santos, litoral paulista.

MTJ!: Como vai o NRKOTB no cenário internacional?

NRKOTB: Alguns blogs estão nos descobrindo aos poucos e o retorno no Myspace é ótimo. Tem gente no México de olho na banda para um festival que acontece ainda esse ano. Queremos deixar nossas coisas para começar o ataque internacional!

MTJ!: O CSS chegou a ficar 18 meses fazendo show fora de casa. Se rolasse oportunidade, vocês fariam o mesmo?

NRKOTB: Vai ser meio drama largar as respectivas faculdades e empregos, mas é muito oportunidade única. Se rolar, mesmo com coração apertado, a gente se joga. Tchau, Brasil!

MTJ!: Alguma coisa estranha já aconteceu em seus shows?

NRKOTB: Gostamos de chamar os amigos pra subir no palco e como eles são todos bêbados, sempre acaba em merda. No último show o dono da casa mandou todo mundo descer, e lá se foi o Bo$$ in Drama, o Mono4, o Pedro do Bonde do Rolê e nossos ilustres desconhecidos. Fora isso, as já clássicas guerras de glow stick (que costumam doer), cambalhotas e as inusitadas trocas de figurino.

MTJ!: Como se encaixa o trabalho/estudo entre os shows e criações?

NRKOTB: Nesta época de férias está bem tranqüilo, nos reunimos quase todos os dias. Quando a correria voltar não vai ser muito diferente, talvez passemos a dormir menos, mas nos vemos diariamente, de qualquer jeito. E sempre intercalando a gravação com descanso pra tv e pausa pro lanche.

MTJ!: Produzir apenas em inglês é um truque para conquistar público de fora ou vai além disso?

NRKOTB: Bicho, é a globalização.

MTJ: “Vivian, the whore next door” é inspirada em alguém?

NRKOTB: É parcialmente inspirada em alguém. Assim, a “Vivian” não fazia todas aquelas coisas, mas a gente gosta de chamá-la de puta de qualquer jeito. Nunca durma com melhores amigos de ninguém! É que um amigo nosso chamava de “Vivian” uma prostituta imaginária, daí virou piada interna. É sem graça, mas com carinho.

MTJ!: Quais são suas expectativas para 2008?

NRKOTB: Este ano queremos produzir muito mais coisa e tocar o máximo de vezes possível. Nos divertimos absurdamente nos shows e é pra isso que estamos aqui. Como a Xuxa nos orientou a nunca desistir dos nossos sonhos, queremos ser ricos e famosos. Logo o cara lá de cima vai nos ajudar. E que acabem com a greve dos roteiristas, precisamos dos nossos seriados!

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Autor: Alex Correa