Move That Jukebox!


Entrevista: Bonde do Rolê by marçal
novembro 3, 2008, 7:21 pm
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E quem não conhece o Bonde do Rolê? A hilária mistura de funk, riffs de rock e muita sacanagem já deu muito o que falar, e continua dando, ao redor do planeta. Se atualmente o baile funk é febre nas festas lá de fora, muito disso se deve ao Bonde, que descobertos pelo produtor Diplo, saíram por aí tocando seu som cara de pau e sem escrúpulos.

Hoje eles são uma referência do ‘baile funk’ fora das terras tupiniquins, embora nem os próprios se achem merecedores de tanto nome. Para os integrantes, tudo sempre foi uma brincadeira. Mas a brincadeira deu certo, e o Bonde está aí, relembrando, mesmo sem querer, um preceito do punk rock, que para se fazer música não é necessário conceitos e grandes músicos, e sim, idéias na cabeça e uma imensa vontade de se divertir.

Abaixo você confere minha conversa animada com Rodrigo Gorky, um dos fundadores do grupo, que falou mais sobre a nova fase do Bonde do Rolê e o segundo disco que será lançado em breve.

novobondedorole

Vocês riram bastante no processo de seleção das vocalistas?

Gorky: Nossa, a gente riu bastante, mas muito mais pelas bostas que a gente estava se fazendo passar. Tá, minto, a gente se divertiu pencas, por exemplo, de se vestir de porquinho e se jogar na lama. (risos)

As meninas tiveram que fazer isso?

Gorky: Sim, todas caíram na lama. E com eu e o Pedro vestidos de porco.

E como vocês chegaram à Laura e à Ana?

Gorky: A gente no fim chegou porque uma é completamente o oposto da outra. Ambas com muito talento, mas completamente opostas uma da outra. Como a Ana mesma disse, “se complementam como arroz e feijão”

Mudando para o assunto VMB, de onde vocês tiraram a idéia de colocar aqueles bombados no show?

Gorky: A idéia dos bombados foi da Laura, a gente tinha todo um conceito atrás.

Que conceito era esse?

Gorky: Que era Miami: Bichas velhas e dondocas

É, acho que só vocês mesmo captaram a mensagem (risos)

Gorky: (risos) Assim, foi pego em partes. Tipo “as meninas estavam meio dondocas, né?”, ou.. “você e o Pedro tavam todo engomadinhos”.

E como vocês reagiram quando a Ana foi lá reivindicar o prêmio?

Gorky: Nossa, tem até no YouTube minha reação, acho que nunca ri tanto na minha vida.

Mas isso tava meio premeditado ou na hora deu a louca e ela decidiu subir no palco?

Gorky: Tipo, a Laura virou pra Ana e falou “vai lá buscar seu prêmio, Ana!”. As duas tavam uma mais bêbada que a outra.

Saindo do assunto VMB, o novo álbum do Bonde sai ano que vem mesmo?

Gorky: Sim, o disco novo sai ano que vem, comecei a gravar hoje [21/10] as primeiras.

E como estão as músicas novas? Na mesma linha do primeiro disco ou deram uma mudada geral?

Gorky: Então.. nós, mesmo com as músicas do disco, temos mudado bastante para tocá-las ao vivo. Acho que ainda vai ser cara de pau, mas acho que vai ter um pouco mais de qualidade. (risos)

E já estão tocando alguma música nova nos shows?

Gorky: Ainda não.

Vocês estão pensando em lançar umas músicas antes do CD ficar pronto ou o suspense vai durar até o lançamento?

Gorky: Ah, claro. Na verdade, a gente quer lançar um disco inteiro de coisas antes do disco de verdade.

E quais serão essas coisas?

Gorky: Hum.. algumas surpresas. Covers, remixes, etc.

Coisas como o “Mais Uma Vez” do VMB?

Gorky: (risos) Aquilo é vergonhoso até demais!

Pra finalizar. É engraçado o modo como o funk carioca é visto dentro e fora do Brasil. Enquanto aqui é considerado algo como “anti-música”, em muitos lugares lá fora baile funk é tendência. Como vocês, que são um tanto responsáveis por esse sucesso do funk em outros países, encaram isto?

Gorky: Ah, a gente acha… Sério, realmente não sei o que a gente acha (risos).

Por exemplo, aqui você nunca vê uma propaganda de TV tocando funk, e lá fora tem isso, inclusive com músicas do Bonde.

Gorky: É, mas aqui a gente ouve Fábio Jr. nas propagandas, ouve axéééé. Que também é tão incrível! Mas acho que com o tempo o povo vai aceitar mais.

Por Marçal Righi

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Entrevista: Final Fantasy by marçal
setembro 23, 2008, 6:20 pm
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Não, não entrevistei um jogo de videogame. Este Final Fantasy é um projeto do músico Owen Pallet. Talvez pouquíssima gente aqui saiba quem o cara é, então vou falar um pouco sobre seus trabalhos para entenderem melhor. Ele simplesmente compôs os arranjos de cordas para os discos de Arcade Fire e Beirut e regeu a orquestra que tocou no disco de estréia do The Last Shadow Puppets. Pouca coisa, não?

Owen também é caridoso, visto que doou todos os lucros de sua música ‘Adventure.exe’ para a ONG ‘Médecins Sans Frontiéres’, além de repassar o dinheiro ganho com o ‘Polaris Music Prize’, um dos principais prêmios do Canadá, à bandas que ele gosta e que possuem necessidades financeiras. Porém ele não gosta de falar sobre estes assuntos. Na entrevista, feita por e-mail, Pallett se esquivou de perguntas sobre eles, com respostas irônicas, falando sobre outras coisas.

Na última quinta-feira (18), ele se apresentou juntamente com a francesa Colleen no SESC Santana (SP), onde conversamos um pouco e fiquei sabendo o porquê de algumas respostas sem concordância com a pergunta. Owen não quer utilizar suas doações, seus trabalhos com bandas famosas e o fato de ser homossexual como marketing pessoal. Para ele, o que importa é sua música e o modo como ela é produzida e tocada.

E o modo como ela é tocada é um tanto peculiar. Ele se apresenta com alguns pedais, nos quais são gravados samples do que está tocando. Assim ele pode tocar por cima de um trecho que acabou de gravar, o que dá a impressão de que há vários violinos, enquanto é somente Pallet que está lá. Na apresentação em São Paulo, ele foi simpático, chamando todos para assistir de cima do palco. Isso mesmo, grande parte da platéia se sentou aos seus pés e o viu tocar como quem participava de um luau entre amigos.

Sem mais delongas, vamos à entrevista. Para baixar os dois àlbuns e os EPs do Final Fantasy, é só ir até a comunidade de downloads.

Suas músicas fazem uma mistura do clássico com alguns outros estilos musicais. Quais são suas influências em cada gênero?

Eu realmente não sei responder essa pergunta. Meu violino significa que faço música clássica. Meu computador significa que faço música eletrônica. Meus amplificadores de guitarra significam que faço rock. Eu não sei. Acho que não faço coisa alguma.

Certa vez você disse que sua sexualidade influencia na sua música. De que modo?

Considere que todas as canções falam sobre o maravilhoso tema de “Smash the State” (“quebrar” o Estado). “Smash The State” pelo [grupo] Naked Agression, que faz uma proclamação pública de ódio. “Smash The Stata” pelo D.O.A., que pede especificamente para o ouvinte matar alguns políticos e lista as coisas pelas quais “o estuprador fascista” é responsável… Tanques, forcas… É um hino convincente, cômico e anarquista. Ou “The State Was Bad”, do US Maple, na qual o cantor Al Johnson fala muito especificamente sobre um “estado quebrado”, onde ele olhava para as luzes e todas as mulheres estavam casadas e todos os homens se pareciam com o pai dele. Para mim, essas três músicas formam um tripé da quebra do Estado. A primeira é uma fúria com uma ambigüidade desconhecida. A segunda é um convite para agir. A terceira é um marco pós-morte para um governo que já foi quebrado. Três canções sobre a quebra do Estado, mas com motivações políticas e resultados muito diferentes.

A música do Naked Agression é sobre a quebra do Estado, mas a fúria juvenil sugere uma convicção temporária do cantor. Eu acho que eles venderam alguns discos e ele acabou comprando uma casa, aí parou de pensar em quebrar o Estado.

A música do D.O.A. é sobre matar políticos, o que é uma coisa bem interessante de se escrever. Eles pareciam estar reagindo à Guerra das Ilhas Malvinas ou algo assim, não sei. Bem, a ironia de músicas politicas que tratam de coisas específicas é que Reagan está morto, Trudeau está morto, Thatcher está fora (mas seu espectro continua aqui)…mesmo assim a canção exibe sua cabeça em defesa. Nenhum estado foi massacrado, sabe. Essas pessoas não foram para a guilhotina…de fato, ambos Trudeau e Reagan viraram nomes de aeroportos. D.O.A. pode não ter seguido o seu lema “Palavras sem ações = nada”, mas tudo bem. Eles ainda se esforçam para serem anarquistas.

Assim como para US Maple, a melhor banda de todos os tempos, sua versão de “The State Is Bad” é maravilhosa. Veja bem, esta é uma verdadeira música anarquista. Eles pegaram a idéia ambígua de “Estado” e aplicaram no processo de crescimento como um adolescente. Pode ser, talvez? Essa música aponta que qualquer desejo de “esmagar o Estado” é sem sentido, que qualquer um pode muito bem existir fora dele. Essa é a beleza da anarquia.

O que eu realmente estou querendo dizer é: eu posso não cantar sobre pênis, mas minhas músicas soarão como pênis, entendeu?

O que seus trabalhos com Arcade Fire, Beirut e The Last Shadow Puppets acrescentaram ao Final Fantasy e à sua vida pessoal?

Falando do “Estado”, eu não acredito que você brasileiros votam por mensagens de texto! O que acontece com as pessoas que não têm celular? É muito estranho e pós-moderno, amei. Vou votar em alguém antes de ir embora.

Owen Pallett em São Paulo. Sim, estávamos sentados no palco.

Você nomeou seu projeto como Final Fantasy por ser um fã do game?

Eu não jogo Final Fantasy desde os meus 17 anos, mas eu me lembro que era longo e não fazia sentido algum.

A caridade é algo presente em sua carreira, e isto não se vê muito entre artistas pouco conhecidos. Por que este desejo de estar sempre ajudando quem precisa?

Eu não sei sobre o que você está falando. Eu gosto de música, então eu dou dinheiro aos músicos que eu gosto para que eles possam gravar discos. Eu não estou ajudando os necessitados.

Ainda no assunto dinheiro, qual a sua opinião sobre a guerra das gravadoras contra os downloads? Você é a favor da liberdade de compartilhar música pela Internet ou acha que cada um deve pagar pelo que quer ouvir?

Ah, é a mesma diferença entre ver um filme no cinema e ver em DVD. Eu gosto de CDs, eu gosto da capa e da parte de botá-lo no CD Player e tudo mais. Está bem se você quer pegar meu disco no iTunes, mas tenho certeza que você vai gostar muito mais se comprá-lo na loja de discos. Eu sou completamente a favor do download gratuito, da mesma forma que acho que as pessoas deveriam poder pagar por sexo. Mas será sexo, não será amor.

Existe algum músico ou compositor brasileiro que já tenha te influenciado?

Com certeza, dois dos meus álbuns preferidos são brasileiros. Recital Na Noite Barroco, da Maria Bethânia, e (estou com vergonha de admitir) Voz e Violão, do João Gilberto.

Seu terceiro álbum foi prometido para o meio deste ano e ainda não foi lançado. Quando sai?

Nunca. Decidi que não vou lançá-lo. Vou guardá-lo pra mim.

O que você conhece do trabalho da Colleen? Já tocou com ela antes?

Eu já toquei com ela duas vezes. Ela não faz nada no palco. Ela senta e as vezes toca uma pequena caixa de música ou alguns sinos. Então ela toca sua Viola de Gamba um pouco. Aí ela senta e faz silêncio por mais um tempo. É completamente hipnotizante, você não pode perder.

Autor: Marçal Righi



Entrevista: The Hives by marçal
setembro 10, 2008, 12:15 am
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Nesta última quinta-feira (04), os suecos do The Hives concederam uma entrevista coletiva na Fnac Paulista, em que estiveram presentes jornalistas de diversos grandes veículos da imprensa, e o Move também marcou presença. Simpaticíssimos, eles responderam a todas as perguntas de modo bem descontraído, mostrando que mesmo sendo celebridades, eles são humildes. Após a coletiva, ainda rolou uma sessão de autógrafos com os fãs, que compareceram em peso levando desde CDs da banda até guitarras para serem autografadas. Confira como foi a entrevista, e fique sabendo um pouco mais sobre esses suecos, que sabem fazer um show como poucas bandas.

O que vocês conhecem do Brasil e das bandas brasileiras?

Pelle: Sepultura é banda que mais gostamos do Brasil, é uma banda tradicional, inclusive os vimos na televisão hoje. Acho que a única que gostamos é o Sepultura mesmo. Tem também o Bonde do Rolê e o CSS. Eles são brasileiros né? É, são essas as três bandas brasileiras mesmo que eu gosto, ou melhor, que eu conheço.

O que vocês, que já tem uma carreira longa, acham das bandas que fazem sucesso muito rápido pela Internet, através do MySpace?

Nicholaus: Eu acho isso bom, porque quando éramos jovens e queríamos achar mais algumas coisas sobre alguma banda nova, tínhamos que sair pesquisando coisas sobre eles, procurar discos em várias lojas. Hoje isto é muito mais fácil, é só entrar na Internet e baixar as músicas, é muito bom principalmente para as bandas novas. Hoje em dia uma banda pode fazer uma turnê inteira sem ter disco lançado, antigamente isso era impossível.

Pelle: Porém as bandas que conseguem muito sucesso rapidamente, tendem a cair no esquecimento mais rápido também.

Nicholaus: Eu acho que seria ótimo se as bandas ruins saíssem do MySpace, porque elas estão ocupando espaço, escondendo as bandas boas.

Três dias atrás, a música nova de vocês estava na trilha sonora na estréia da série Beverly Hills 90210. Logo depois que a série foi exibida, você já podia entrar no site da série e tinha lá o nome da banda, o nome do disco, o nome da música e você podia comprar direto. Queria saber o quanto esse tipo de marketing depende de vocês e o quanto vocês ligam pra esse tipo de associação da banda com alguns produtos.

Pelle: Obviamente nós sabíamos da música na trilha sonora. O nosso último disco, o Black and White Album, foi muito caro. A produção dele foi muito cara, tivemos de trocar os produtores e tal. E resolvemos que iríamos botar a nossa música no maior número possível de meios. Onde nós pudéssemos colocar a música do Hives, a gente colocaria. E pra esse álbum aceitamos coisas que não tínhamos aceitado antes, como trilha sonora de seriados, filmes e etc. Sempre diziamos ‘não, não, não, não’, mas decidimos mudar dessa vez. Temos controle completo sobre a nossa música, pra onde ela vai.

Nicholaus: Da mesma maneira, antigamente aceitávamos tocar em qualquer lugar. Qualquer convite que era feito, íamos lá e tocávamos. O problema foi que entramos em muita roubada, tocamos em muitos lugares ruins. Mas também foi bom, porque pudemos desenvolver a banda ao vivo e hoje nos consideramos uma banda muito boa ao vivo.

Pelle: A nossa idéia era a de que iríamos pra lugares novos dessa vez. Se alguém quiser ouvir a nossa música, a gente vai tocar a nossa música onde for possível, pra que o maior número de pessoas ouça. Isso que é rock ‘n roll.

Suas referências para se vestir são da década 40, 50, 60. Dentro da banda quais são as referências para se vestir, por que vocês se vestem todos iguais, se têm algum consultor de moda ou se vocês mesmos que idealizam todo o visual da banda.

Pelle: Quando começamos a ouvir rock como fãs mesmo, íamos em shows e víamos bandas vestidas como eles andavam na rua, e a gente não achava isso divertido. A gente acha muito preguiçoso as bandas se vestirem dessa maneira. E achávamos desde o início que, quando a gente formasse uma banda, era importante ter um visual único, criar um visual diferente para a banda. Até pra escapar da pobreza da nossa vida – nós não tínhamos muito dinheiro. A gente achou que era legal nos vestirmos bem e em cima do palco, porque é a hora que o pessoal pagou o ingresso, pagou o show e que a gente precisa mostrar algo realmente diferente do que o cara já vê na rua normalmente.

Quando subimos no palco, queremos parecer como se fôssemos de outro planeta, uma banda que surgiu de um lugar que ninguém sabe direito da onde é. É por isso que criamos essas roupas. Não fazemos uma pesquisa. Só nos reunimos e cada um fala mais ou menos do que gosta. E não temos um estilista próprio, fazemos com os próprios estilistas suecos. Damos uma idéia de como queremos nos vestir na próxima temporada, no próximo disco e ai temos as roupas feitas sob encomenda pra nós.

Chris: Sobre o porquê do branco e do preto, quando começamos a enriquecer em 97, usávamos uma roupa preta e branca exatamente porque queríamos nos destacar das outras bandas. Porque na Suécia todo mundo vestia a mesma roupa das ruas e achávamos que era muito importante a banda ter um visual próprio.

Pelle: As bandas que a gente gosta são todas velhas e só víamos em fotos preto e branco. Talvez seja por causa disso.

Na época em que estouraram, no início dos anos 2000, vocês foram chamados de “salvação do rock”. Como vocês encararam essa classificação?

Pelle: Na verdade nós nos decepcionamos. Nós achávamos que éramos muito mais importantes do que isso.

Qual a opinião de vocês sobre bandas como Strokes, White Stripes e Interpol, que também já foram chamadas da salvações do rock?

Pelle: Gostamos muito de bandas como Strokes e White Stripes, já tocamos muitas vezes com eles, nos identificamos muito com o som, achamos essas bandas muito boas.

O que vocês conhecem das outras bandas que irão tocar no festival?

Pelle: Nós nos conhecemos, estamos todos no mesmo hotel. Os Melvins já conhecíamos pois o nosso produtor, Pelle Gunnerfeldt, que já os produziu no ínico da carreira deles, sempre nos fala bem da banda. As Plasticines conhecemos por elas já terem aberto alguns shows nossos. O Vanguart nós não conhecemos, mas só por tocar no mesmo festival que nós, já têm nossa aprovação.

Aqui no Brasil vocês são mais conhecidos pelo público que curte música mais alternativa. E na Suécia, vocês são tratados como celebridades?

Pelle: Na Suécia, se você faz sucesso fora do país, você automaticamente vira uma celebridade dentro dele, e somos bem famosos, assim como outras bandas de lá que também fazem sucesso internacional. Nós não éramos conhecidos na Suécia até fazermos sucesso fora. E agora somos conhecidos por todos os tipos do pessoas, digo, não apenas os fãs de rock. Nós gostamos bastante de tocar por lá, inclusive acabamos de tocar no 125º aniversário do parque de diversões mais antigo da Suécia, e tocamos para um público bem eclético, desde crianças de 5 anos até velhinhas de 70, incluindo nossa avó de 78 anos que foi nos assistir.

Vocês disseram que eram pobres antes de começar a banda. Como é ser pobre na Suécia?

Pelle: Bem, o pobre da Suécia não é realmente pobre. Não é que nem ser pobre no Brasil. Nós podíamos comprar instrumentos, mas não podíamos comprar ternos.

Como vocês foram descobertos para chegar à fama?

Pelle: Nós ensaiávamos ao lado do prédio da gravadora que acabou nos contratando, então eles sempre nos ouviam e sabiam que nós existíamos. Como nós tocávamos bastante pela Suécia, acabamos sendo contratados. Mas eles criaram um sub-selo, caso o nosso disco fosse ruim e pouco vendido, não mancharia o nome da gravadora. Mas tudo correu bem, e agora estamos aqui.

Autor: Marçal Righi

Ajuda na transcrição: Carol Jojo e Bia Corazza



Entrevista: Todosantos by marçal
agosto 3, 2008, 8:10 pm
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Festa, Festa! Isso é o que esse trio vindo da Venezuela prega. Suas músicas, cheias de samples e batidas que convidam pra pista, garantem a alegria de qualquer pessoa, até as mais depressivas. Mas as coisas não foram sempre assim.

Na época de sua formação, em 2003, eles eram indies roqueiros, e isso permaneceu até depois do lançamento do primeiro disco, ‘Aeropuerto’, em 2005, que foi muito bem recebido pela crítica. Felizes com os elogios, ao invés de continuarem apostando na mesma fórmula, eles resolveram inovar. Transformação total. Mudou o som, o estilo, a cidade e a formação. E o que eles ganharam com isso? Mais elogios.

Guitarra e bateria saíram de cena, dando lugar a bases completamente eletrônicas. Os sintetizadores, que viviam escondidos na época de ‘Aeropuerto’, saíram de suas tocas para tomar a frente na parte istrumental dos novos Todosantos. As roupas comportadas voltaram para seus respectivos armários, sendo substituídas por peças coloridas, extravagantes. Os integrantes migraram de Caracas para o Brooklyn. E o novo som foi chamado de ‘Tukky Bass’. A festa estava pronta.

Já na nova fase, no ano passado, eles lançaram um EP, chamado ‘Acid Girlzzz’, que não é simplesmente um CD com músicas. O desafio era inovar em tudo, e com este disco não foi diferente. O kit Acid Girlzzz vem com um vinil colorido e óculos 3D, para melhor visualizar toda a arte da capa e encarte. Além disso, cada faixa tem o seu vídeo, que é chamado de pod, e é projetado nos shows para completar a música, trabalho de VJ. O DVD com estes vídeos também está incluído no pacote. Dá pra perceber que se preocupam com quem está prestigiando o trabalho deles.

Na entrevista dessa semana, Mariana Martin, a.k.a. Peach, falou com o Move That Jukebox!, e deu mais detalhes sobre essa nova fase da banda e como está sendo viver fora de casa. Confira logo abaixo.

O nome da banda tem alguma relação com a girl band inglesa All Saints ou é só uma coincidência na tradução?

É só uma coincidência. Na verdade, o nome tem relação com as grandes ondas da América Latina.

Expliquem melhor o que é o ‘tukky bass’

‘Tukky’ é um tipo de hard techno que mais vem tocando nas festas nos guetos da Venezuela nos últimos anos. Na verdade, mesmo nossa música não sendo como o ‘tukky’ original, nós nos identificamos bastante com o gênero, e da sua estética tiramos inspiração para formar nosso próprio som, que chamamos de ‘tukky bass’.

De onde vocês tiraram a idéia de fazer um EP tão rico, cheio de coisas, como o vinil colorido, os videoclipes, e os óculos 3D para ver os desenhos do encarte?

Nós sempre fomos fãs daqueles discos bonitos, cheios de surpresas… é legal quando você compra um disco que faz você sentir que o artista realmente se importou com a sua experiência. Um encarte legal pode mudar totalmente o modo de interagir com a música. Além disso, com esse grande aumento do mercado digital de música, a mídia física está tendo que ser feita com mais carinho, como peças de colecionador para os fãs guardarem.

Todosantos de ‘Aeropuerto’

O MySpace da banda está sem atualizações desde o lançamento do EP. Vocês estão preparando alguma surpresa ou apenas deram uma pausa de músicas novas?

Nós demos uma pequena parada depois da turnê do EP, mas coisas boas estão para sair… de verdade, mais cedo do que você imagina.

Quando vocês notaram que faziam algum sucesso nos Estados Unidos?

Bem… nós não acreditamos que sejamos um sucesso total, nós ainda somos uma banda que está crescendo, mas é sempre excitante ver como as portas se abrem conforme você vai seguindo seu caminho.

E como foi a decisão de mudar de Caracas para Nova York? Quais foram as diferenças que vocês sentiram, pessoal e profissionalmente falando?

É sempre bom andar pra frente, nós mudamos de uma cena muito pequena como a de Caracas para uma cidade enorme com infinitas possibilidades como Nova York na busca por chances maiores, foi um processo excitante… em Caracas nós éramos bem conhecidos no underground, então mudar para NY representou um novo começo, nós tivemos que provar o que nós tínhamos conseguido do zero, mas desta vez nós estávamos encarando um público totalmente diferente, em um cenário de nossas vidas totalmente diferente. E nós estamos conseguindo fazer isso bem! E está sendo uma jornada cheia de experiências felizes e insanas para serem lembradas.

Todosantos de ‘Acid Girlzzz’

Vocês não se preocupam com a possibilidade de afetar a sanidade mental das pessoas que acessam seu site?

É isso que a gente quer! Se você se sentiu afetado, nós conseguimos o que queríamos!

Vocês já conheceram alguma banda brasileira que participa da mesma cena musical que o Todosantos? Há alguma chance de tocarem junto com eles aqui no Brasil?

Nós gostamos bastante do Bo$$ in Drama, e a namorada do Alberto é brasileira, então alguma hora em breve nós podemos aparecer por aí! Isso seria ótimo!

MySpace | Site Oficial

Autor: Marçal Righi



Entrevista: The Octopus Project by Neto
julho 21, 2008, 1:26 am
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Experimental. A palavra que melhor define o The Octopus Project. A banda, que vem de Austin, no Texas, nasceu em 1999 e faz música quase totalmente instrumental, sem medo de experimentar novos sons, sejam eles comuns ou não.

A mistura musical está presente em toda a parte sonora da banda. Não há apenas a mistura de sons. Diversos estilos se cruzam, se juntam e se completam, fazendo dos discos uma viagem pela criatividade e ousadia destes quatro jovens norte-americanos. Um grande exemplo disso é o álbum mais recente, ‘Hello, Avalanche!’, lançado em 2007, que tem de tudo um pouco: tecladinhos 8-bit, post-rock, guitarras distorcidas, bateria pesada contracenando com batidas eletrônicas, pianos que se completam com sintetizadores, experimentando, sempre experimentando.

E eles acertam. Mas nem por isso deixam de experimentar e sempre aparecer com coisas novas. Esse ano lançaram o single ‘Wet Gold/Moon Boil’, e surpreendendo mais uma vez, ele contém duas faixas cantadas, por inteiro. Para uma banda que conseguiu seu nome e visibilidade (já tocaram no Coachella e este ano estão escalados para o Lollapalooza) só com instrumentais, isto é mais uma ousadia.

Mas não vou me extender muito mais, deixo que o entrevistado da semana, Toto Miranda, guitarrista/baixista/baterista (todos se revezam nas gravações e shows) do “projeto polvo” dê os maiores detalhes sobre sua banda. Confira a entrevista logo abaixo.

The Octopus Project é um nome bem diferente. De onde vocês tiraram tal nome?

O nome na verdade apareceu antes mesmo da banda começar e nasceu de um jogo de associação de palavras que Josh estava jogando com um amigo nosso enquanto tentava criar um nome para uma outra banda. Então um deles disse “Octopus” e, o outro, “Project”. Não funcionou como um nome para a banda em questão, mas quando começamos nossa banda o nome pareceu se encaixar. Não tem nenhum significado, mas é fácil de gravar e todas essas consoantes juntas parecem legais.

O som de vocês é bem experimental, com misturas de elementos eletrônicos, violões, bateria pesada e vários instrumentos pouco convencionais. Como é o processo de criação de tudo isso?

Gostamos de expandir a nós mesmos com todos os tipos de instrumentos e coisas que façam barulho, e nossas composições geralmente começam de uma idéia simples ou de um som que bate em nossos ouvidos. Se a idéia for boa, o resto da canção meio que se compõe sozinho com sons e camadas que complementam a idéia original. Não é fácil criar canções dessa forma com muita frequência, mas geralmente todos nós concordamos quando elas parecem boas. É bom ter uma grande variedade de instrumentos para que possamos achar os elementos exatos para construirmos nossas músicas. Acho que nosso processo de criação resume-se a testar a maior variedade de idéias que pudermos para que possamos ver qual funciona melhor.

Além de toda a crítica musical, vocês também admitem que seu álbum mais recente, Hello, Avalanche (2007), é o melhor de todos os quatro que já lançaram. A maturidade da banda foi a principal razão dessa melhora de qualidade?
Acho que a principal razão foi que estamos melhorando em fazer as coisas soarem exatamente do jeito que nós queriamos que soassem. Não sei se nossas idéias estão melhores, mas a execução delas ficou bem mais forte, o que faz com que todo o processo seja muito mais divertido!

O clipe de Truck foi gravado em uma exibição de aviões militares. Como surgiu a idéia de botar cabeças meiguinhas no corpo das pessoas que assistiam os aviões soltarem suas bombas?

A idéia saiu dos nossos amigos David e Nathan Zellner, que dirigiram o vídeo. Eles gravaram o material em um show aéreo e depois pediram para que desenhássemos umas cabeças estranhas, que são as usadas no vídeo. Acho que terminamos com uma excelente combinação de beleza com agitação… esses caras fazem bons trabalhos!

Vídeo da música ‘Truck’

Como é a sensação de tocar em festivais grandes, como o Coachella? E qual é a expectativa para o show no Lollapalooza?

Tocar em grandes festivais é ótimo! A oportunidade de tocar para uma platéia nova em folha é uma das melhores partes de fazer turnês, e esses festivais geralmente apresentam a chance de tocar para um público novo. O Coachella foi ótimo nesse sentido – o público estava ótimo, a equipe estava ótima e a sensação de fazer parte de toda essa grande produção é ótima. O Lollapalooza está chegando rápido – é daqui a duas semanas! – e todos estamos extremamente animados para ele… é dificil saber o que esperar, mas acho que nós estamos apenas ansiosos para fazer um show divertido. Um show GRANDE e divertido!

Vocês acabaram de voltar do primeiro tour pela Europa. Como foi tocar por lá, em países que o público está bem acostumado com grandes shows e festivais?

[Tocar na] Europa foi uma experiência fantastica… fizemos muitos shows pequenos, muitos médios e alguns shows bem grandinhos. A reação das pessoas de todos os lugares que fomos foi ótima. Particularmente, meus favoritos foram o show em um pequeno festival em Padova (Itália) e o gigante que fizemos no All Tomorrow’s Parties, em Minehead (Inglaterra)… ambos foram shows bem empolgantes, e nos sentimos realmente honrados em tocar neles! Enfim, todas as cidades européias em que tocamos foram ótimas, fizemos muitos amigos e mal podemos esperar para tocar lá.

Por falar em shows e festivais, o Brasil está começando a ficar cada vez mais visível entre as bandas em turnê. O Octopus Project também está com os olhos abertos para o Brasil? Alguma chance de os vermos ao vivo?

Ficaríamos absolutamente contentes em tocar no Brasil! Nenhum de nós já foi à América do Sul, mas nós definitivamente daríamos um pulo por aí para tocar para vocês, se tivéssemos a chance. Se vocês ou algum de seus leitores têm alguma idéia de como poderíamos fazer isso acontecer, por favor, nos escreva um e-mail. Esses shows no exterior que planejamos até agora (na Europa e em Taiwan) foram incriveis, além de terem expandido muito nossas mentes, e nós também queremos ir à novos paises com a maior frequência possível, especialmente para algum lugar tão empolgante quanto o Brasil!

Ryan Figg, Toto Miranda, Yvonne Lambert e Josh Lambert

No final do ano passado, em seu site oficial, vocês prometeram novidades para 2008, e cumpriram, com o lançamento do single ‘Wet Gold/Moon Boil’. Alguma promessa de disco novo?

Estamos concentrando muita energia na composição de novas canções – seria ótimo completar um disco novo no final do ano, e queremos nos concentrar nisso assim que nossa turnê de outono terminar. Então talvez podemos ter algo novo no início de 2009? Pra falar a verdade, ainda nem temos novas músicas finalizadas, mas esse parece um bom objetivo para ser trabalhado. Estamos bem animados para compor novos sons – acho que coisas esquisitas, cativantes e dançantes serão nossos objetivos…

A maioria de suas músicas são instrumentais e, nesse novo single, duas faixas contém vocais. Seria esse o início de um novo Octopus Project, com mais partes vocais e menos instrumentais?

Eu gosto de pensar que estamos sempre trazendo novos elementos [para o Octopus Project], mas acho que acrescentar vocais parece uma mudança bem grande… certamente estamos abertos para usar mais vozes no futuro, mas acho que isso não significa tirar o foco dos instrumentos. Só depende da música – as vezes uma canção precisa de toques vocais para parecer completa, e as vezes os instrumentos dizem tudo por si só.

MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Marçal Righi



Entrevista: Fujiya & Miyagi by marçal
junho 15, 2008, 5:09 pm
Filed under: Entrevistas, Fujiya & Miyagi

Estes ingleses formam a banda internacional menos conhecida dos brasileiros, das escaladas para o Motomix 2008, mas querem acabar com isso no dia 28 deste mês fazendo um ótimo show, e têm potencial para isso. Todo mundo já sabe que não se trata de uma dupla japonesa, isso já se cansou de falar. Os nomes, diferentes, se tornam ferramentas, na introdução de “Ankle Injuries”, quando são ditos repetidamente, entrando como um novo instrumento musical. Aqui tudo tem sua função.

As influências do krautrock dos anos 70, somadas à música eletrônica do início dos 90’s, com aquele toque de século 21, dão ao quarteto uma característica bem interessante de ser conquistada. Aquela, de não se encaixar em gênero nenhum, e agradar a todos. As músicas não chamam para a pista, mas as batidas e o baixo sempre presente chamam a atenção. O mais provável é que vejamos no Motomix uma multidão que se balança levemente olhando fixamente para o palco, entoando: Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi…

O vocalista e guitarrista David Best, também conhecido como Mr. Miyagi, é o entrevistado da vez, nos revelando informações sobre a banda, e as expectativas para o show no Brasil.

MTJ!: De onde veio esse nome tão diferente? Vocês já foram confundidos com alguma dupla japonesa?

David: Fujiya foi tirado de um toca-discos e Miyagi foi tirado de um personagem de mesmo nome do filme Karate Kid. No início as pessoas achavam que éramos japoneses, mas quando nos viram, ficou aparente que não éramos.

MTJ!: Vocês só ficaram famosos após o lançamento do álbum “Transparent Things”. Como vocês reagiram a essa fama tão repentina?

David: Levou 7 anos para as pessoas começarem a se interessar, então isso pareceu ser mais uma novidade do que uma experiência de mudar a vida quando as coisas aconteceram. Não é como se os paparazzi ficassem acampados do lado de fora de nossas casas! Eu acho que isso foi a justificativa que nós precisávamos nos olhos dos outros, por ter gasto tanto tempo em algo que não era rentável. Eu gosto de pensar que, se ninguém tivesse gostado do Transparent Things, a gente não se afetaria por isso, mas o reconhecimento é mais bem-vindo.

MTJ!: Vocês começaram como uma dupla e agora são uma banda com quatro pessoas. Por que vocês decidiram adicionar mais membros ao grupo?

David: Por que nós só tínhamos quatro mãos e precisávamos de oito. Matt entrou antes do lançamento do Transparent Things e nós queríamos adicionar um baterista por um tempo, então perguntamos ao nosso amigo Lee se ele estava interessando, e ele estava.

MTJ!: Como estão os preparativos para o lançamento de seu terceiro álbum, intitulado “Lightbulbs”?

David: Nós terminamos as gravações há duas semanas [a entrevista foi feita em 3 de junho] e agor está sendo masterizado. Espero que este seja um progresso em relação ao Transparent Things, mas eu acho que se as pessoas gostaram dele [Transparent Things], elas irão gostar deste novo. Nós iremos tocar algumas músicas de nosso ultimo disco e também algumas do novo [no Brasil].

MTJ!: O que vocês conhecem da música brasileira? Vocês estão ansiosos para tocar no Brasil?

David: Eu gosto de muitas coisas antigas como Os Mutantes e Caetano Veloso, especialmente de pedaços do seu álbum “Transa”. Eu sei que há muita coisa acontecendo por aí agora com o CSS e outras bandas também. Eu sempre quis visitar o Brasil e eu sei que os outros [membros da banda] também estão ansiosos para isso. Eu fiquei sabendo que o festival é de graça e a céu aberto, então espero que o público possa ter um bom momento sem gastar dinheiro.

Videoclipe de “Ankle Injuries”

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Autor: Marçal Righi



Entrevista: Wry by marçal
junho 1, 2008, 6:31 am
Filed under: Entrevistas, Wry | Tags: , ,

Sabe aqueles filmes que são pouco conhecidos, que alguns gostam, outros não, mas mesmo assim, têm qualidade indiscutível?

Mudando um pouco de situação, pense naquelas pessoas que saem do Brasil para tentar a vida e o sucesso profissional em outro país.

Agora imagine uma banda que mistura pós-punk, shoegaze, noise-rock e um pouco de rock clássico, transporte as duas situações anteriores para a música e some a estes ingredientes. O resultado é o Wry.

Achou complicado? Rotular o Wry também é. E por isso que esta é uma daquelas bandas que se diz: “Não dá pra explicar, ouve que você vai entender!”.

Em 1994 nascia o Wry, cheio de criatividade e vontade de fazer boa música. Ganhando destaque em festivais nacionais, começaram a ficar conhecidos no cenário alternativo brasileiro, e em 2001, se mudaram para Londres, em busca de novas aventuras. E conseguiram muito reconhecimento.

Atualmente estão gravando o quarto álbum, “The Noise of Heavens”, além de um disco com covers de bandas brasileiras. O EP “Whales and Sharks”, recém-lançado na atual casa da banda, deve sair em breve aqui no Brasil.

Conversei com o simpático vocalista, Mario Bross, que me falou mais sobre a história da banda e sua musicalidade. A entrevista você confere logo abaixo.

MTJ!: Como foi tomada a decisão de irem viver na Inglaterra?
Mario: Vem dos primórdios de nossa vida, antes mesmo de ser Wry, sempre tivemos a vontade de vir morar pra cá e, particularmente eu não me arrependo não, até agora a experience foi mais que válida. Tento inspirar as pessoas a saírem de sua zona de conforto, procurar correr riscos em outras culturas faz de você uma pessoa mais transparente às diferenças do mundo e das pessoas.

MTJ!: Depois de tanto tempo juntos, como é o relacionamento de vocês?
Mario: Creio que seja parecida com qualquer tipo de amizade de longa data, a gente se conhece bem. Muitas vezes não precisamos de palavras para nos expressar e sabemos também as diversas reações uns dos outros para diversas situações. O André, baterista, ainda é novo no Wry, nos conhecemos em 2003 e ele entrou no Wry há 1 ano e meio, temos bastante que conhecer dele ainda.

MTJ!: Vocês já lançaram 3 álbuns, além de EPs e compilações. Como vem sendo o amadurecimento da banda ao longo deles?
Mario: Acho que teve uma violenta evolução agora, depois que o André entrou. Musicalmente houve um melhor encaixe entre o Wry agora. É muito fácil de fazer musica e há uma participação bem maior de todos, em todas as músicas.

MTJ!:
O que os fãs podem esperar desse disco que está sendo gravado?
Mario: Algo estupendo e diferente de antes, mais maduro, sério e profundo. Algo como um Whales and Sharks mais elevado. Também, de tanto que está aguçada nossa criatividade, temos nossas primeiras composições em português; quem me inspirou a cantar na minha língua foram bandas como Sigur Rós e Legião Urbana, além de umas bandas brasileiras que gosto muito no momento, entre elas o Ludovic.

MTJ!: O Wry também vai lançar um CD de covers. O que encontraremos nele?
Mario: Este foi o CD que mais demoramos para terminar. Vai sair logo. Fizemos covers das bandas que ouvimos no começo de nossa carreira, por volta de 95, até antes de virmos embora para Londres. Queríamos fazer uma homenagem e também mostrar aos fãs do Wry bandas que muitos deles nunca iriam conhecer. Fizemos covers de Astromato, Walverdes, Pin Ups, Killing Chainsaw, Vellocet, Sonic Disruptor, MQN, Biggs, Pelvs, Brincando de Deus, Low Dream entre outras, vai se chamar National Indie Hits.

MTJ!: Vocês já fizeram shows com várias bandas conhecidas. Houve alguma que
despertou um entusiasmo maior em tocar junto?
Mario: Particularmente de todas que tocamos por aqui, eu citaria o The Early Years, que nem é famosa e o Ash. No Brasil, adorei tocar com Mellotrons, Os Telepatas e o Ludovic.

MTJ!: E quais bandas vocês têm mais ouvido ultimamente?
Mario: Eu estou ouvindo muito Soundpool, Film School, Legião Urbana e My Bloody Valentine.

MTJ!: Alguma previsão de show no Brasil?
Mario: Estaremos fazendo bastante coisa no Brasil no ano que vem, quando estaremos lançando o álbum novo. Esse ano só iremos se tivermos alguma proposta muito legal. Rock n’ roll!!

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Autor: Marçal Righi