Move That Jukebox!


Crítica: Music For An Accelerated Culture (Hadouken!) by marçal
setembro 23, 2008, 11:13 pm
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O debut deles saiu em maio, mas como pouco foi dito por aqui, estou fazendo esta crítica um tanto atrasada, mas antes tarde do que nunca.

A banda com um dos nomes mais criativos que eu conheço, o Hadouken! já tinha feito sua fama mundialmente através de EPs e singles lançados no ano passado. Com bases eletrônicas agressivas e músicas meio cantadas, meio faladas pela voz forte e rouca de James Smith, e contando com uma ajudinha da NME, eles estavam com tudo.

Só que em novembro de 2007 eles deixaram os fãs desconfiados, com o lançamento de mais um single acompanhado de um vídeo, da música ‘Leap Of Faith’. A pose e o som de banda emo adolescente fizeram muitos ficarem com medo de que o Hadouken! tinha mudado, que a galera que só estava afim de festejar havia mudado de rumo, e que vinha por aí um álbum inteiro de Leap of Faiths.

Felizmente a gangue do Ryu aceitou bem as críticas e lançou este ano ‘Music For An Accelerated Culture’, recheado de hits dançantes, atingindo as expectativas que foram criadas em torno dele. Inteligentemente, eles preferiram abrir mão de algumas músicas já lançadas, que talvez sejam melhores que certas faixas do álbum. Seria previsível demais utilizar todas as músicas dos EPs. Não seria um álbum, seria um EP expandido.

O debut já se inicia com uma das melhores músicas, ‘Get Smashed Gate Crash’, como um cartão de visitas da banda, gritando em alto e bom tom: “Let’s get this party started!”. É é isso que se vê ao longo de (quase) todo o disco, muita festa. Quase todo, pois algumas músicas mais melódicas, como ‘Driving Nowhere’ quebram um pouco o clima, mas sem afetar a qualidade do àlbum.

O ponto fraco foi ter deixado de fora uma das melhores músicas da banda, a que nomeou este blog, ‘Dance Lessons’ (Mo-mo-move that ass!). Porém o Hadouken! conseguiu fazer um ótimo primeiro disco, pregando a diversão e a festa, como Smith entoa em ‘Liquid Lives’: “Drink! Smoke! Fuck! Fight!”. Meia lua pra frente e soco na tristeza!

Autor: Marçal Righi

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Crítica: Nights Out (Metronomy) by marçal
setembro 12, 2008, 2:55 am
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Uma infinidade de bandas vem aparecendo na cena musical alternativa, e muitas pessoas, inclusive eu, acabam se cansando de tanta coisa parecida, sem nada de inovação. É uma cópia atrás de outra, bandas sem nada para mostrar. Só que dentre estas tantas surgem algumas que se destacam, pelo simples motivo de não terem se contentado apenas em ser mais uma. Pelo fato de sentirem que se seu som fosse semelhante ao de outros, eles não seriam lembrados como eles mesmos, e sim como a banda que parece com tal outra.

Misturar, criar, inovar, surpreender. Estes verbos simplificam bem o que pode separar um artista do grande grupo e fazê-lo andar no sentido do reconhecimento e do destaque. Dentre as bandas novas que decidiram sair da mesmice podem ser citados nomes como Vampire Weekend, Does It Offend You, Yeah?, Foals e Metronomy. E é deste último que eu vou falar.

No ínicio, em 1999 o Metronomy era apenas formado pelo jovem inglês Joseph Mount e seu laptop, fazendo músicas sozinho em seu quarto. Mas se o cara começou em 1999, como eu posso estar falando que Metronomy é uma banda nova?

Realmente a banda já tem quase uma década, porém me refiro à renovação pela qual passou, e os frutos que foram plantados. Em 2006, Joseph lançou o álbum ‘Pip Paine (Pay Back The £5000 You Owe)’. Totalmente experimental e quase todo instrumental, o disco foi bem aceito e ele começou a receber diversos convites de remixes, entre eles de grandes nomes como Franz Ferdinand, Ladytron e Klaxons. E 2008 chegou, e junto com ele o grande momento do Metronomy.

Gabriel Stabbing e Oscar Cash, músicos que acompanhavam Joseph ao vivo, foram adicionados à banda, e chegou às lojas no começo deste mês o segundo álbum deles, e talvez um dos melhores do ano: Nights Out. Demonstrando influências de diversos artistas, tais como David Bowie, Autechre, Devo e Ramones, foi criado um novo gênero. Que na realidade não é um gênero, é o Metronomy. E esta é a banda nova que eu estou falando.

Sintetizadores de sobra, saxofones, três vozes, grandiosas músicas instrumentais, barulhos de porta abrindo e fechando e tudo o que mais pôde ser colocado, foi colocado em ‘Nights Out’. Um álbum completo do início ao fim, para se ouvir dezenas de vezes prestando atenção e admirando cada detalhe inserido por Joseph para deixar tudo mais harmônico para os ouvidos.

E como eu disse no início, há bandas que chegam para copiar e bandas que ficam para serem copiadas. Com toda certeza, o Metronomy é uma que chega para ficar. Se será copiada o ou não, veremos. Aposto que sim, até que surja alguma outra banda que acerte em cheio os corações de músicos não-criativos. A moda não existe só entre os fãs.

Download do àlbum disponível no Orkut

Autor: Marçal Righi



Crítica: Coldplay – Viva La Vida Or Death And All His Friends by Gabriel
junho 21, 2008, 3:10 am
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O prometido disco revolucionário do Coldplay está aí. Missão cumprida? Há controvérsias.

Já no quarto álbum da carreira, a banda, muitas vezes conhecida por certos hits que estouraram nas rádios, apelou para Brian Eno e sua proposta inovadora. Eno foi direto ao ponto, Chris Martin e sua turma insistiam em certas fórmulas musicais, tornando tudo meio repetitivo, além de músicas longas e de letras não tão boas.

Alguns resultados são visíveis. Depois de diversas audições atentas, percebe-se a exploração de novos timbres, percussões africanas misturadas com ares orientais, uma textura mais rica, além da utilização de sintetizadores e órgãos.

O disco apresenta pontos fortes, chegando a surpreender em certos momentos, como na maravilhosa Viva La Vida ‘, a melhor faixa do disco na minha opinião, conduzida pelas cordas em um ritmo marcante, por vezes até dançante, os clássicos pianos de Cris Martin, um coro perfeito e sinos ao fundo, enquanto canta “I hear Jerusalem bells are ringing”. Com certeza uma faixa que marcará os setlists da banda por muitos anos.

Mas da mesma forma em que o disco chega ao seu auge, tem sua ruína na faixa seguinte, ‘Violet Hill ‘. Há quem goste, eu pessoalmente achei chata. O final dela até que salva, mas nada extraordinário em sua letra, valeu a intenção da banda. Talvez daqui um tempo eu chegue a digerí-la.

No geral o disco mantem um bom nível, inicia-se com a faixa instrumental ‘Life in Technicolour‘, que já chegou a apresentar letra um dia, mas foi retirada por ter sido considerada óbvia demais por um desconhecido qualquer, como disse Guy Berryman à MTV. A faixa já apresenta aos ouvintes algumas das novas características da banda.

Em seguida, tem-se ‘Cemeteries Of London ‘, onde se vê presente as já citadas percussões com direito a palmas, e novamente o coro ao fundo…uma ótima faixa. (Singing la la la la la la ehh…And the night over London hey!)

Lost: para os fãs mais conservadores, talvez esta uma das grandes faixas do disco, segue um pouco o cara de ‘Fix You’. As palmas de novo presentes marcando o ritmo, o coro e um órgão bem bonito. A letra não é lá das melhores, nada muito inovadora.

42: não podia faltar aquela faixa do pianinho no álbum. Mas não dura muito tempo, a música vai evoluindo, entram as cordas…até que praticamente se transforma em outra com alguns riffs de guitarra e tudo mais.

Lovers in Japan/Reign of Love: Lovers in Japan é boa…Reign of Love aposta no piano, tem um clima meio Enya (não me agridam).

Yes/Chinese Sleep Chant: Me lembra alguma outra faixa deles, não lembro qual. Talvez alguma faixa até de outra banda, refletirei sobre o assunto…se alguém quiser me dar uma luz.
Mistura de ritmos e escalas diversas, ficou bem interessante até.

(a madrugada vai chegando, falo cada vez menos de cada faixa)

Strawberry Swing: muito bonita, acredito que quase todos dividam essa opinião. Gostei da instrumentação, o ambiente que ela cria. Em certo momento também me lembra alguma outra música, não sei qual…

Death and All His Friends/The Escapist: faixa suave, sutil…E pra terminar, ‘The Escapist’, quase um retorno a ‘Life in Technicolour‘ com referências diretas à faixa de abertura do disco, fechando, assim, “Viva La Vida Or Death And All His Friends”, como num ciclo.

“Lovers in Japan/Reign of Love”, “Yes/Chinese Sleep Chant”, “Death and All His Friends/The Escapist“: Bateu a louca no Coldplay que resolveu juntar duas faixas em uma, por três vezes em todo o álbum. Pelo visto foi questão de estética mesmo, pra ficar com 10 faixas e não 13…vai entender. Se ainda tivessem uma super relação entre uma e outra, mas não…apenas uma certa relação temática entre “Lovers in Japan” e “Reign of Love”.

O Coldplay se encontra mais ousado, mas talvez não o suficiente. Apesar de algumas visíveis mudanças, não acredito que exploraram todas as possibilidades de experimentalismo as quais tiveram acesso, vejo tudo isso mais como uma expansão das sonoridades da banda.

Falta perder o medo de inovar e desagradar aos fãs. Mas isso não faz de “Viva La Vida Or Death And All His Friends” um álbum ruim, pelo contrário, considero-o excelente…talvez um dos melhores do ano, e da banda.

Podemos esperar muita coisa por aí. Através dos shows, clipes e tudo mais, veremos o verdadeiro alcance do disco.

Tracklist:

01. Life in Technicolor
02. Cemeteries of London
03. Lost!
04. 42
05. Lovers in Japan/Reign of Love
06. Yes/Chinese Sleep Chant
07. Viva la Vida
08. Violet Hill
09. Strawberry Swing
10. Death and All His Friends/The Escapist

 

Autor: Gabriel Zorzo



Crítica: In Ghost Colours (Cut Copy) by marçal
junho 19, 2008, 10:19 pm
Filed under: Críticas e Recomendações, Cut Copy

Mais um bom álbum vindo da turma do neon, e dessa vez, através do Cut Copy, os melhores representantes da cena na Austrália. Em seu segundo álbum, “In Ghost Colours”, a banda se mostra com o corpo nos anos 2000 e a alma nos anos 80. Os timbres de bateria, as bases eletrônicas, os vocais de Dan Whitford, tudo remete ao synthpop. E põe pop nesse synth. As melodias grudentas têm um poder de viciar quem as ouve só presente no legítimo pop. E do jeito que a síndrome do underground tá pegando hoje em dia, muitos podem levar isso como algo ruim. Ouça e veja que não é.

Nesse disco, lançado em março deste ano, o trio abandonou um pouco o rock robô que os fez conhecidos com “Bright Like Neon Love” e adotou uma atmosfera mais festeira, mais dançante, mais pop.

In Ghost Colours chega em pleno 2008 com um espírito de nostalgia emocionante, mais que um revival, uma viagem no tempo. Cut Copy nos anos 80 seria febre. Ótimo disco.

  1. “Feel The Love”
  2. “Out There On The Ice”
  3. “Lights And Music”
  4. “We Fight For Diamonds”
  5. “Unforgettable Season”
  6. “Midnight Runner”
  7. “So Haunted”
  8. “Voices In Quartz”
  9. “Hearts On Fire”
  10. “Far Away”
  11. “Silver Thoughts”
  12. “Strangers In The Wind”
  13. “Visions”
  14. “Nobody Lost, Nobody Found”
  15. “Eternity One Night Only”

Autor: Marçal Righi



Crítica: Velocifero (Ladytron) by marçal
abril 18, 2008, 12:15 am
Filed under: Críticas e Recomendações, Ladytron

O lançamento do quarto álbum do Ladytron está previsto para junho, mas como sempre acontece, já vazou na internet. E sorte de todos nós que vazou. Eu particularmente estava ansiosíssimo para ouvir, e não me decepcionei em nenhum momento.

Black Cat, que já havia sido divulgada, abre o disco, com seus sintetizadores sombrios, e as letras em búlgaro, faladas por Mira Aroyo, mostrando que o Ladytron continua com a mesma identidade que o levou ao patamar de grande banda da música eletrônica atual, desde o lançamento do álbum “604”, em 2001. Nota-se que desde este disco, eles vem inserindo em suas bases eletrônicas melodias mais trabalhadas, que fazem as músicas mais simpáticas aos ouvidos.

A faixa Runaway, uma das mais belas do álbum, nos transporta para os anos 80 do synthpop, com suas batidas que lembram a clássica Bizarre Love Triangle, do New Order, porém com o aspecto sombrio do post-punk, e a voz inconfundível de Helen Marnie.

E, seguindo a linha que sempre segue em seus álbuns, mesclando faixas de melodia mais pop com aquelas frias e soturnas, sempre com os synths dos homens da banda ao fundo, o Ladytron faz de “Velocifero” mais uma obra-prima, honrando o nome que tem.

Tracklisting

  1. Black Cat
  2. Ghosts
  3. I’m Not Scared
  4. Runaway
  5. Season of Illusions
  6. Burning Up
  7. Kletva
  8. They Have You a Heart, They Gave You a Name
  9. Predict The Day
  10. The Lovers
  11. Deep Blue
  12. Tomorrow
  13. Versus

Autor: Marçal Righi

 



Crítica: “A Seita” (Sé7ima) by marçal
abril 13, 2008, 9:54 pm
Filed under: Críticas e Recomendações

entrevistamos a Sé7ima, agora vamos falar mais sobre o disco de estréia da banda, intitulado “A Seita” e lançado no final de 2007.

O álbum mostra bem todos os atributos musicais que eles têm, começando com a forte “Aurora”, com seu refrão marcante e lindas intervenções de violinos e violoncelos.

A linda “Seita”, impulsionada por momentos de transe e psicodelia, é seguida por “Adagio” – a impecável introdução de “Invenção” – composta pelo tecladista Henrique Gomide, que esbanja talento.

O disco segue seu caminho muito bem, viajando pelo rock clássico, psicodélico, e sempre mostrando a identidade da banda, sem se mostrar repetitivo em nenhum momento.

A Sé7ima, apesar de pouco conhecida, mostra que tem potencial e musicalidade para estar em um patamar alto do rock brasileiro, com toda certeza.

Comprar o disco

  1. Aurora
  2. Caos
  3. A Lua e o Sol
  4. O Dia
  5. Deixa Rolar
  6. Cai-Cai Menina
  7. Seita (dos Palhaços Brutos)
  8. Adagio
  9. Invenção
  10. Do Outro Lado
  11. A Noite
  12. Doutor
  13. Fim
  14. Passos do Amanhã
  15. Não Há Razão

Autor: Marçal Righi



Crítica: Crystal Castles (Crystal Castles) by marçal
março 21, 2008, 12:20 am
Filed under: Críticas e Recomendações, Crystal Castles

O Crystal Castles vem de Toronto, Canadá, e já é bem conhecido no meio eletrônico, sendo por suas músicas, ou por seus remixes (já remixaram Klaxons, The Little Ones, entre outros). Composto por Alice Glass nos vocais e Ethan Kath nas programações, a dupla faz um som dividido em dois lados, digamos assim.

Um é o lado agressivo, em que são usados muitos sintetizadores com sons de videogames 8-bit, misturados com batidas fortes e marcantes e sempre a voz rouca e gritada de Alice, o que faz nos sentir em um caos total, dentro de um videogame.

Já o outro lado são as músicas mais calmas, com batidas leves e menos Atari. Já a inovação aqui é que Alice se torna somente uma coadjuvante. Ela não canta, sua voz que é cortada em pequenas partes e utilizada como um outro sintetizador.

No álbum de estréia homônimo, lançado dia 18, o Crystal Castles mostra estes dois lados, pendendo um pouco mais para o calmo, diferentemente dos EPs.

Para quem ainda não conhece, o disco provavelmente agradará. Quem já conhecia, e gostava mais do lado agressivo, como eu, irá se decepcionar um pouco, pois esse lado foi pouco explorado, e músicas como Rot, Bitter Hearts, Mother Knows Best e Dolls foram deixadas de fora.

Mas no entanto, em sua totalidade é um bom álbum. Cinco estrelas para a dupla.

Klaxons – Atlantis to Interzone (Crystal Castles Remix)

 

The Little Ones – Lovers Who Uncover (Crystal Castles Remix)

Tracklisting

  1. Untrust Us
  2. Alice Practice
  3. Crimewave (vs Health)
  4. Magic Spells
  5. XXZXCUZX Me
  6. Air War
  7. Courtship Date
  8. Good Time
  9. 1991
  10. Vanished
  11. Knights
  12. Love and Caring
  13. Through The Hosiery
  14. Reckless
  15. Black Panther
  16. Tell Me What to Swallow

Autor: Marçal Righi