Move That Jukebox!


A decadência do indie – mais uma vez. by movethatjukebox
fevereiro 16, 2009, 7:11 pm
Filed under: Outros

Nas últimas semanas, toda a Europa anda acompanhando uma briga entre os semanários britânicos. Vendas sobem e descem a todo instante. Com isso, um jornalista que publica na edição virtual da XFM lançou o seguinte pensamento: “Seria o rock mais popular que o indie?”. Em outras palavras, o cara quer insistir mesmo é naquela teoria de que o indie está indo pra um buraco bem fundo. Você bem deve se lembrar de quando, no final do ano passado, o The Independent polemizou a tal decadência do indie (mais precisamente do indie rock) e conseguiu a atenção de muita gente, falando que “o mundo não precisa mais disso”. Enfim, parece que foi exatamente esse o ponto inicial desse bafafá todo.

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Assim como os semanários, festivais britânicos devem sofrer quedas de vendas em suas próximas edições.

Agora a gente começa a ver, na prática, que diabos é esse negócio de “morte do indie”. Dá pra resumir tudo isso, basicamente, em números e estatísticas. De um lado, temos a NME com uma queda de 24% em suas vendas nos últimos seis meses e, do outro, a super pesada Metal Hammer chegando ao primeiro lugar no ranking das mais vendidas. E, pra não dizer que a NME é dona da verdade absoluta, os gráficos também apontam quedas da Q e da Mojo.

Nos próximos meses, prepare-se para ler cada vez mais sobre cancelamento de festivais, shows adiados por uma bilheteria decepcionante e muita, mas muita coisa relacionada a isso. Pode apostar.

Por Alex Correa

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Entrevista: Joep van Son (The Very Sexuals/The Sugarettes) by movethatjukebox
fevereiro 16, 2009, 3:34 pm
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tvsJoep van Son goza de certa popularidade em sua terra natal, a Holanda, por liderar uma das bandas de indie pop mais promissoras do cenário musical de Eindhoven. Com seu novo projeto, o quinteto The Very Sexuals, lançado pela Subroutine Records (e disponibilizado gratuitamente em theverysexuals.com), Joep volta a fazer barulho na cena indie dos Países Baixos, desta vez com um som mais calmo, letras mais poéticas e até um clipe, ao qual assisti com exclusividade (e recomendo).

Confira abaixo a entrevista de Joep exclusiva para o Move That Jukebox!

Quando você começou a ver a música como uma carreira? Quais eram suas influências musicais na época?

Acho que comecei a gravar em casa quando tinha vinte e poucos anos. Apenas como um hobby, eu comecei a gravar vários esboços em um estéreo 8-track que comprei. Naquela época eu tocava em uma banda, mas apenas como guitarrista, e fazia alguns backing vocals. Era uma banda de rock e as pessoas com quem eu fazia música estudavam jazz, então musicalmente não era uma boa parceria. Então por volta de três anos atrás, minha amiga Mariska disse, ‘Nós deveríamos fazer uma demo com algumas das suas músicas’. Então nasceu o Sugarettes. Era uma mistura dos meus antigos riffs de hard rock e doces influências do pop. Porque eu ouvia muito Sparklehorse naquela época, gravei tudo com muita distorção, em tudo! Eu adorava aquele som de aspirador de pó! A demo foi bem recebida e a tocaram em algumas grandes rádios da Europa e a TV holandesa fez uma matéria sobre nós. Eu comecei a levar a música mais a sério depois disso.

Você já tinha uma banda (The Sugarettes). Por que você decidiu começar o The Very Sexuals e como vocês se reuniram?

Eu gravo faixas em casa rapidamente, então eu tinha muito material. Eu sempre quis fazer algo com menos rock. Algo com violino, órgão e violões. Eu era um grande fã da cantora holandesa Pien Feith. Então eu enviei alguns esboços para ela via e-mail. Eu recebi uma resposta positiva dela e nos meses seguintes escrevemos o álbum por e-mail. Nos encontramos pela primeira vez e fomos direto para o estúdio com alguns amigos. Todos os membros dos Sugarettes também estão envolvidos. Nós descobrimos que nosso engenheiro de som tocava vários instrumentos, então durante o processo de gravação ele tocou várias coisas no álbum. Ele também se tornou um membro da banda. É assim que eu gosto, espontaneidade!

‘Solene’, dos Sugarettes

Algumas pessoas dizem que você é muito tímido e sofre de um pouco de medo dos palcos. Alguma coisa estranha já aconteceu com você durante uma apresentação?

(Risos) Não, não tenho nenhum trauma! Okay, sou um pouco tímido, admito. Quando começamos o Sugarettes, foi um grande passo para mim levar a música para fora do conforto da minha casa. Eu nunca tinha cantado no palco e na verdade não me via como cantor. E nós nunca tiramos um tempo para ensaiar bastante, porque todos nós temos profissões que exigem muito de nós, além da música. Eu não estava muito confortável com as músicas que tocamos com os Sugarettes, nós tínhamos péssimos equipamentos e eu tenho uma forma estranha de trabalhar, porque primeiro eu vou para o estúdio e depois disso nós temos que aprender a tocar as músicas! (Risos) Para o próximo álbum, nós vamos nos preparar ao máximo e deixar tudo mais excitante.

No seu blog do MySpace, você disse que estavam voltando ao estúdio para gravar uma nova música (‘Dennis Hopper’). Isso significa que você anda escrevendo novos materiais para o TVS?

Sim, estamos ocupados gravando novas faixas. Acho que vai ser um miniEP com aproximadamente 4 inéditas. Não é o The Very Sexuals do primeiro álbum. Juntamente com o namorado da melhor amiga da minha namorada (risos) eu passo algumas tardes só fazendo música. Ele (Jelle) e eu nos conectamos muito bem na música e estamos tocando todos os instrumentos. Nesse EP, tanto a Pien quanto a Mariska vão fazer vocais. É um pouco mais suave que o primeiro álbum. Bem pop e um pouco dançante, me lembra de Belle and Sebastian ou dEUS. Usamos caixas de ritmos e muitas cordas.

Com um CD gratuito para download, tenho certeza de que vocês recebem algum reconhecimento de seus fãs holandeses, mas como a cena musical internacional está recebendo o The Very Sexuals? Em quais países você diria que vocês tiveram um maior impacto?

Levou um tempo para que a cena musical holandesa nos levasse a sério. Depois de ótimas críticas e execuções em rádios estrangeiras (por exemplo, BBC e KEXP), eles estavam pensando, ‘Hum, talvez eu goste deles também’. Agora nós temos um pequeno sucesso com nosso single ‘Carla’ na melhor rádio alternativa da Holanda. O problema com o nosso país é que nós somos críticos demais, até com nossos próprios produtos. É algo como ‘Acho vocês uma porcaria, até que provem o contrário’. Nós deveríamos, com certeza, valorizar mais a música holandesa. Nós podemos aprender muito com a nossa vizinha, Bélgica, porque eles dão às bandas novas e iniciantes muito mais plataforma para crescer. Nós achamos que algo é bom quando os críticos dizem, ‘Isso é muito anti-holandês, então é show de bola!’. Eu não fico muito frustrado com isso, mas eu vejo muitas bandas holandesas excelentes que merecem muito mais atenção. É claro que muitas coisas boas acontecem, como o Subbacultcha, que coloca o underground holandês de volta no mapa. Mas fico muito feliz que muitos holandeses baixaram nosso pequeno álbum.

Você está prestes a começar uma turnê com os Sugarettes. Você acha que pode fazer turnê com o TVS em breve?

Nós temos planos com o TVS de subir aos palcos no fim desse ano. Eu acho que vamos lançar um novo single e clipe e faremos alguns shows. A prioridade é fazer músicas no estúdio. O objetivo é que esse seja um projeto secundário divertido além de nossas bandas principais. E deve continuar assim. Eu vejo o The Very Sexuals mais como um coletivo de pessoas que eu gosto e admiro, apenas se divertindo no estúdio e criando umas músicas legais. Mariska e eu estamos escrevendo muitos materiais novos para o Sugarettes. Parece que vai ser um disco com guitarras bem altas e uma vibração punk subjetiva. Espero que no próximo verão nós possamos começar a turnê e fazer o lançamento. Já estou ansioso para isso.

Vocês acabaram de filmar seu primeiro clipe. Como foi essa experiência?

Como o The Very Sexuals não é uma banda, eu achei que fosse divertido nos apresentar como uma banda no nosso clipe. É só um vídeo de baixo orçamento. Eu achei importante ter aquela sensação de anos 90 nele. Imagine-se sozinha assistindo a TV na cama nos anos 90, ‘120 Minutos’, ‘Nação Alternativa’. Todos os programas antigos que aquecem seu coração.

Por Nathália Pandeló