Move That Jukebox!


Por que ouvir: Kraftwerk by movethatjukebox
fevereiro 1, 2009, 3:34 pm
Filed under: Outros

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Muito me impressionou tanta gente (de pouca e muita idade) não saber de quem se tratava o “very special guest” da festinha do Radiohead. Ainda mais devido ao fato de ser uma banda marcante para a música contemporânea. Muito além do papo de serem os pais da música eletrônica, o Kraftwerk é uma daquelas bandas que podem não ser exatamente populares, mas faz parte do panteão que se pode chamar de “ícone”,  devido a sua contribuição para a música e o fato de influenciar tantos estilos musicais durante seus mais de 30 anos de estrada.

A banda é de 1970, fundada por Florian Schneider e Ralf Hütter, quando os dois eram estudantes de música num conservatório de Dusseldorf (Alemanha) e se viram no meio da cena krautrock que explodia na época. A formação clássica da banda contava ainda com Wolfgang Flür e Karl Bartos, que rodou o mundo na década de 80.

A primeira razão básica para se prestar um pouco mais de atenção no som dos caras é que eles foram pioneiros no uso de equipamentos eletrônicos para se fazer música. Não, eles não inventaram os sintetizadores como alguns pensam e nem foram os primeiros a utiliza-los (há quem diga que os Beatles já utilizavam sintetizadores em meados dos anos 60, mas isso é outra história…), mas o fato é que o Kraftwerk foi um dos responsáveis por difundir o instrumento na música pop e utilizar bateria e programações eletrônicas para fazer música.

A segunda razão vêm do comportamento um tanto excêntrico dos caras. Rege a lenda que o estúdio de gravação deles não tem telefone nem qualquer outro tipo de equipamento de comunicação que possa perturbar o processo de composição e gravação da banda. Segundo a Wikipedia, Chris Martin, do Coldplay, teve que entrar em contato com a banda via carta para pedir a permissão para que um trecho de Computer Love, do disco Computer World (81) fosse sampleado em forma de riff em Talk (do disco X&Y, de 2005). Depois de algumas semanas, veio a resposta para o pedido também via carta, simplesmente escrito “SIM”. Outra curiosidade sobre a banda é o fato de eles utilizarem robôs para os representarem em algumas apresentações, principalmente na música The Robots. Na época da divulgação do disco The Man-Machine (78), ao invés dos músicos, em todas as fotos para reportagens de revistas foram utilizados robôs moldados à semelhança dos integrantes.

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Uma terceira razão, esta mais óbvia, é o nível de influência da banda no som de quase todos os estilos musicais predominantes na década de 80. Desde o New Wave, Post Punk e o EBM, passando pelos primórdios do Hip-hop e chegando ao House e a Techno, vertentes da música eletrônica que tomaram força a partir da virada dos anos 80 para a década de 90. Artistas e bandas como David Bowie, Iggy Pop, Depeche Mode, New Order e até Radiohead confirmam terem sido influenciados em todo ou em determinados períodos de carreira pelo som do quarteto alemão. Muitos artistas de diferentes estilos recorreram a samples e batidas utilizadas pelos robôs, tais quais Africa Bambataa, Keith Farley, Duran Duran, Coldplay, entre outras.

A fase “clássica” da banda se dá na virada dos anos 70 para os 80 com os discos Autobahn (74), Radio-Activity (75), Trans-Europe Express (77), The Man-Machine (78) e Computer World. O disco mais recente deles é Tour de France Soundtracks, de 2003, gravado totalmente em francês após um hiato de 17 anos. Quem já os viu em concerto, sabe o quão poderoso e significativo é o som dos alemães e quão surpreendente são suas apresentações, por mais simples que sejam: os quatro integrantes, imóveis enquanto operam seus laptops e sintetizadores e um grande telão ao fundo. A saída de Florian, um dos fundadores, pode significar que esta pode ser a última chance de vê-los ao vivo.

“Non-interview” com Florian

Por Filipe Torres

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4 Comentários so far
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Ah, eu entendo a imortância do Kraftwerk e tal, mas eu acho o som deles muito chato. Mas eu respeito, fato.

Comentário por Henrique

Um ótimo texto de vocês, um dos melhores que já li por aqui.

Parabéns pelo ótimo trabalho.

Comentário por Diego Camara

[…] Alemães e minimalistas, são considerados os avôs do eletrônico por colocarem o gênero no mainstream, na década de 70. Começaram com o uso de sintetizadores e instrumentos elétricos na composição das músicas. Um clássico. Sem eles não existiriam raves, electro e nem o Kid A. Leia mais sobre o Kraftwerk aqui. […]

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