Move That Jukebox!


Crítica: Arctic Monkeys – Live at the Apollo DVD by movethatjukebox
fevereiro 1, 2009, 6:41 pm
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arcticO show já foi ao ar em cinemas espalhados pelo mundo, mas só foi chegar ao DVD da minha casa nas últimas semanas. O setlist é impecável, incluindo hits dos dois únicos discos dos Monkeys lançados até então que, hora ou outra, são interrompidos por b-sides menos conhecidos, como os frenéticos Plastic Tramp, Da Frame 2R e Nettles, todos interpretados com o convidado especial Miles Kane (The Last Shadow Puppets, The Rascals). O palco é minimalista, com uma estrutura muito semelhante à que o grupo trouxe ao Brasil no final de 2007, o que aumenta ainda mais a exigência do público quanto à qualidade do som. Alex, Nick, Matt e Jamie demoram para se animar, exibindo sua energia jovial apenas a partir de I Bet You Look On The Dancefloor, quarta música do show.

Entretanto, em nenhum momento da apresentação (que dura pouco mais de uma hora) o espectador pode ter a mesma visão do público, aquela que dá uma singela sensação de estar lá na pista, no meio do povo. Ao invés disso, assistimos ao show de ângulos que, na maioria das vezes, excluem os fãs da imagem e fazem com que operadores de som de roubem a cena, transformando o grandioso Apollo (que, só em 2008, recebeu Björk, Kings of Leon, Primal Scream e muitos outros) em um modesto estúdio de gravação.

A apresentação se encerra com a seqüência melancólica de A Certain Romance, The View From The Afertoon e If You Were There, Beware, misturada a gravações caseiras feitas pelos integrantes da banda. Depois do show, ainda dá pra conferir os extras do DVD: Balaclava, Bad Woman com a participação de Richard Hawley e opções de câmera variadas. Tudo vale a pena.

Nota: 3.5/5.0


Por Alex Correa

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Por que ouvir: Kraftwerk by movethatjukebox
fevereiro 1, 2009, 3:34 pm
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Muito me impressionou tanta gente (de pouca e muita idade) não saber de quem se tratava o “very special guest” da festinha do Radiohead. Ainda mais devido ao fato de ser uma banda marcante para a música contemporânea. Muito além do papo de serem os pais da música eletrônica, o Kraftwerk é uma daquelas bandas que podem não ser exatamente populares, mas faz parte do panteão que se pode chamar de “ícone”,  devido a sua contribuição para a música e o fato de influenciar tantos estilos musicais durante seus mais de 30 anos de estrada.

A banda é de 1970, fundada por Florian Schneider e Ralf Hütter, quando os dois eram estudantes de música num conservatório de Dusseldorf (Alemanha) e se viram no meio da cena krautrock que explodia na época. A formação clássica da banda contava ainda com Wolfgang Flür e Karl Bartos, que rodou o mundo na década de 80.

A primeira razão básica para se prestar um pouco mais de atenção no som dos caras é que eles foram pioneiros no uso de equipamentos eletrônicos para se fazer música. Não, eles não inventaram os sintetizadores como alguns pensam e nem foram os primeiros a utiliza-los (há quem diga que os Beatles já utilizavam sintetizadores em meados dos anos 60, mas isso é outra história…), mas o fato é que o Kraftwerk foi um dos responsáveis por difundir o instrumento na música pop e utilizar bateria e programações eletrônicas para fazer música.

A segunda razão vêm do comportamento um tanto excêntrico dos caras. Rege a lenda que o estúdio de gravação deles não tem telefone nem qualquer outro tipo de equipamento de comunicação que possa perturbar o processo de composição e gravação da banda. Segundo a Wikipedia, Chris Martin, do Coldplay, teve que entrar em contato com a banda via carta para pedir a permissão para que um trecho de Computer Love, do disco Computer World (81) fosse sampleado em forma de riff em Talk (do disco X&Y, de 2005). Depois de algumas semanas, veio a resposta para o pedido também via carta, simplesmente escrito “SIM”. Outra curiosidade sobre a banda é o fato de eles utilizarem robôs para os representarem em algumas apresentações, principalmente na música The Robots. Na época da divulgação do disco The Man-Machine (78), ao invés dos músicos, em todas as fotos para reportagens de revistas foram utilizados robôs moldados à semelhança dos integrantes.

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Uma terceira razão, esta mais óbvia, é o nível de influência da banda no som de quase todos os estilos musicais predominantes na década de 80. Desde o New Wave, Post Punk e o EBM, passando pelos primórdios do Hip-hop e chegando ao House e a Techno, vertentes da música eletrônica que tomaram força a partir da virada dos anos 80 para a década de 90. Artistas e bandas como David Bowie, Iggy Pop, Depeche Mode, New Order e até Radiohead confirmam terem sido influenciados em todo ou em determinados períodos de carreira pelo som do quarteto alemão. Muitos artistas de diferentes estilos recorreram a samples e batidas utilizadas pelos robôs, tais quais Africa Bambataa, Keith Farley, Duran Duran, Coldplay, entre outras.

A fase “clássica” da banda se dá na virada dos anos 70 para os 80 com os discos Autobahn (74), Radio-Activity (75), Trans-Europe Express (77), The Man-Machine (78) e Computer World. O disco mais recente deles é Tour de France Soundtracks, de 2003, gravado totalmente em francês após um hiato de 17 anos. Quem já os viu em concerto, sabe o quão poderoso e significativo é o som dos alemães e quão surpreendente são suas apresentações, por mais simples que sejam: os quatro integrantes, imóveis enquanto operam seus laptops e sintetizadores e um grande telão ao fundo. A saída de Florian, um dos fundadores, pode significar que esta pode ser a última chance de vê-los ao vivo.

“Non-interview” com Florian

Por Filipe Torres



O top 5 de Praxis, do Nancy by movethatjukebox
fevereiro 1, 2009, 2:15 pm
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O Nancy é uma banda de bagagem. Ouso dizer que talvez ainda seja a banda de maior bagagem na nossa série de tops 5 – talvez com exceção do Peter Bjorn and John. Já faz tempo que o grupo vive entre Brasil e Estados Unidos, e uma prova disso é a agenda do grupo no MySpace. Nela constam apenas shows em território internacional, começando por Washington e chegando no tão cobiçado festival SXSW, na cidade texana de Austin.

Enquanto o debut do grupo está sendo finalizado, o guitarrista Praxis adianta pra gente seus álbuns preferidos de 2008 e dá uma colinha de suas influências.

1. Why? – Alopecia

2. TV On The Radio – Dear Science,

3. Four Tet – Ringer (EP)

4. Mogwai – The Hawk Is Howling

5. Portishead – Third

6. Firefriend – Safari
Praxis adicionou esse sexto disco na lista como o melhor lançamento nacional de 2008




Crítica: White Lies – To Lose My Life by movethatjukebox
fevereiro 1, 2009, 12:05 pm
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To Lose My Life é o álbum que leva o estreante White Lies direto ao hype inglês. O disco parece ser onde os demônios de Ian Curtis encontram-se com grandes ícones do britpop e do british invasion – e da forma mais ousada que se pode imaginar. Tal mistura de gêneros e influências fica claramente distinta em Unfinished Business, single que se divide entre sons clássicos que imitam o de órgãos e refrões com versos fortes que ecoam em sua cabeça por horas. É como se a voz marcante de Harry McVeigh penetrasse por suas entranhas e se instalasse lá de forma inimaginável.

A experiência de deparar-se com tanto negativismo dividindo espaço com bagaços de otimismo é – garanto – única. Entregar-se às composições do trio pode ser tão perturbador que, se você sofre com crises de personalidade e tudo o mais, é aconselhável que se deixe as palavras cospidas da boca de Harry simplesmente entrem por um ouvido e saiam pelo outro.

É como se o post-punk do Joy Division estivesse de volta aos palcos, totalmente renovado e atualizado. E, queridos leitores, não falo nem de Interpol,  nem de Editors: Isso é White Lies.

Nota: 4.6/5

*Destaque para as faixas Farewell to the Fairground, From The Start, The Price of Love e Death, além da já citada Unfinished Business.

Por Alex Correa