Move That Jukebox!


O Top 5 de 2008 por Luke, do Natalie Portman’s Shaved Head by movethatjukebox
janeiro 29, 2009, 6:13 pm
Filed under: Outros

Pouco antes de entrevistar Luke Smith, perguntei pra ele quais foram os discos lançados em 2008 que ele mais gostou. O garoto, recém-saído do colégio, mandou uma lista com direito a CD bonus e, conforme avisa, em nenhuma ordem em particular.

Of Montreal – Skeletal Lamping

The Kills – Midnight Boom

Hot Chip – Made In The Dark

CSS – Donkey

MGMT – Oracular Spectacular

*BONUS* Natalie Portman’s Shaved Head – Glistening Pleasure

Anúncios


Por que ouvir… Tortoise? by movethatjukebox
janeiro 29, 2009, 5:12 pm
Filed under: Outros | Tags:

tortoise1Um amigo me fez esta pergunta quando reparou no Top 10 do meu Last.FM. “Porque você ouve tanto essa banda?”, a partir daí eu tive a idéia de fazer uma coluna para falar dos artistas que, muitas vezes são esquecidos e/ou desprezados pelo grande público, mas que deveria ser escutados com um pouco mais de atenção. Hoje, mostraremos alguns dos motivos pelos quais deve-se dar alguma atenção a este quinteto de Chicago (EUA).

Em primeiro lugar, o Tortoise é uma das bandas que ajudou a formar e definir o gênero hoje conhecido como post-rock. Mas diferente da grande maioria das bandas de post-rock, que fazem um som distorcido, longo e etéreo (como o Mogwai, Explosions in the Sky e o já falecido Godspeed You! Black Emperor), o Tortoise se apóia num som que faz uma mescla de freestyle jazz com dub, krautrock, música eletrônica e, obviamente, rock. De som instrumental – pouquíssimas músicas apresentam vocal -, o forte do som destes caras está justamente nas melodias elaboradas e acréscimo de instrumentos não muito comuns em bandas de rock como trompetes e vibrafones.

Outro grande feito da banda é o fato de reunir ex-membros de bandas-mãe de dois dos estilos contemporâneos (post-rock e math-rock): Slint e Bastro, o que contribuiu para o som da banda. Seus membros também fazem parte de outras projetos musicais como The Sea and The Cake e Isotope 217. Formado no começo dos anos 90, e até então com cinco discos lançados (mais um de covers feito em parceria com Bonie “Prince” Billy e um Box Set contendo raridades, remixes, b-sides e um DVD com trechos de apresentações ao vivo). Tudo indica que até o fim de 2009 saia material novo. A banda também já se apresentou no Brasil em 2006 em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro – apresentação esta considerada como uma das mais memoráveis do Circo Voador.

Da discografia do Tortoise, destacam-se seu segundo e terceiro disco (Millions now living will never die, de 1996 e TNT de 1998), mais aclamados pela crítica e público. São destes dois discos as músicas mais conhecidas, tais como Glass Museum, Swung fot the Gutters, e Ten-Day Interval (que chegou a ser usada como trilha-sonora de vinhetas da MTV e do Fantástico). Embora a sonoridade não seja imediatamente palatável aos ouvidos menos concentrados, o Tortoise é o tipo de banda que para saborear todos os detalhes sonoros de cada faixa, é necessário uma boa dose de repetições, atenção e um pouco de paciência para que o som contagie e faça você ouvi-los mais algumas vezes.

Por Filipe Torres



Entrevista: Natalie Portman’s Shaved Head by movethatjukebox
janeiro 29, 2009, 1:53 pm
Filed under: Outros

npsh

Atraindo boa parte de seus admiradores pelo caráter humorístico de seu nome, esse grupo de Washington te faz remexer ao som de Slow Motion Tag Team, Beard Lust, Hush Hush e de toda e qualquer faixa de seu primeiro – e único – disco, o Glistening Pleasure, lançado em meados de 2008. Com letras adolescentes e divertidas, o Natalie Portman’s Shaved Head já superou a fase da garagem e ultrapassa, cada vez mais, os espessos solos do cenário underground americano, ganhando certo destaque em terras tupiniquins com um electroclash dignissimo e recomendado expressamente pelos blogueiros mais descolados da cena.  Em 2009, o grupo faz suas primeiras turnês como headliners, e já ficou comprovado que esses jovens têm gás de sobra para agüentar a pressão que fica concentrada sobre tal cargo.

Usufruindo das vantagens que a internet tem a nos oferecer, conversei (naquele clima descontraído de sempre) com Luke Smith que, além de ser um dos vocalistas do grupo, ainda toca guitarra e teclado. É isso aí, povão: Natalie Portman’s Shaved Head de A a Z.

npsh1

Desde a formação da banda, vocês já devem ter respondido muitas perguntas sobre o nome que ela levou – e eu também não posso evitar perguntar sobre isso. Quando vocês optaram por nomear o grupo fazendo uma referência ao “penteado” de Natalie Portman em V for Vendetta, estavam tentando chamar mais atenção da mídia ou algo do tipo?

Não, nós definitivamente não tínhamos nada do tipo na cabeça… Nós nem sequer sabíamos de qual filme se tratava quando batizamos a banda. Tudo que tínhamos ouvido era que Natalie tinha raspado a cabeça pra interpretar algum personagem, e isso virou assunto no colégio durante o dia inteiro. Naquele dia estávamos fazendo um jogo na sala em que precisávamos de nomes para formar uns times, daí nós decidimos nos chamar “Natalie Portman’s Shaved Head”. As pessoas pareceram gostar, então nós resolvemos dar esse mesmo nome pra pequena banda que estávamos formando naquela hora. Naquele ponto, se tratava apenas de uma banda de piadas idiotas, mas aí nós progredimos e o nome ficou grudado!

Entendi. E depois da criação da banda, demorou muito para que o seu primeiro EP fosse lançado?

Gravar um EP era algo muito distante da nossa realidade naquele momento… Acho que demorou mais de um ano para lançarmos. A maioria das músicas que gravamos foi disponibilizada direto para download no MySpace para nosso amigos e tal. Até então, não existia demanda alguma para um EP de verdade, então só o fizemos para dizer que tínhamos lançado um. Queríamos algo para segurarmos em nossas mãos.

E quando vocês começaram a tocar ao vivo?

A Claire conseguiu nosso primeiro show na grande inauguração de um clube em Seattle. Acho que isso foi em dezembro de 2005. Como tinha uma penca de jornalistas lá, a gente foi meio que jogado instantaneamente sob os olhos do público de Seattle. No dia seguinte saíram uns três artigos sobre nós e ficamos completamente malucos com aquilo. Depois a gente se concentrou em terminar o colégio e tocar em pequenas festas e casas de shows quando éramos convidados. Chegamos a tocar com um cara chamado MC Vagina, que é completamente hilário…

(Risos). Nunca ouvi falar sobre esse MC.

É… Acho que ninguém jamais ouvirá. Era esse tipo de show que estávamos fazendo no começo. As pessoas queriam nos botar para tocar com um bando de coisa eletrônica, experimental e grosseira.

E quando foi que as pessoas começaram a perceber que vocês não faziam parte desse grupo de coisas eletrônicas, experimentais e grosseiras?

Deus, eu não tenho idéia. Talvez quando tocamos com o CSS em Seattle pela primeira vez?! Nós meio que ficamos amigos pela internet, então foi maravilhoso tocar com eles.

Esse com certeza foi um salto incrível.

Com certeza! Essa foi uma das maiores bandas para quem já abrimos. Os ingressos esgotaram e o local estava socado de gente. Um show completamente doido…

Seria ainda mais “doido” se vocês estendessem sua turnê com o CSS ao Brasil em 2009.

Sim! Isso seria incrível. Adorariamos faze-lo!

Em respostas de mensagens de Natal brasileiras, vocês diziam algo como “com sorte a gente vai se ver no Brasil em breve”. Existe algo sendo planejado?

(Risos). Ainda não, infelizmente. Nós ficamos surpresos com a quantidade de mensagens de gente do Brasil, então acho que seria legal descer aí eventualmente, mas nenhum plano mais concreto por enquanto. Ainda temos que ir à Europa! Sinto que vamos fazer uma penca de coisas em 2009…

As pessoas aqui estão quase vendendo suas almas para ver o CSS ao vivo mais uma vez.

(Risos). Eu ouvi dizer que há um tipo de rejeição começando. Adriano disse algo sobre os adolescentes brasileiros odiarem o CSS e nos odiarem também. Electro-rejeição?! Não sei…

Não tenha certeza disso. Na verdade ouve um episódio envolvendo uma sátira de bandas do gênero  (principalmente do próprio CSS) que deixou o Adriano realmente irritado…

(Risos). Ah! Eu definitivamente já vi (o vídeo) antes! Bem, tenho certeza que seria totalmente alucinante tocar aí de qualquer forma.

Então, voltando ao assunto… A gente pode perceber uma grande evolução na sonoridade da banda do Secret Crush EP para o Glistening Pleasure. Quem (ou o que) foi responsável por esse amadurecimento?

Bem, o Secret Crush foi montado bem rápido e nós não tínhamos idéia alguma do que estávamos fazendo. No Glistening Pleasure nós fomos mais a fundo e mapeamos o que queríamos fazer e como queríamos fazer. Queríamos fazê-lo digno e gravamos a maior parte dele da mesma forma. Éramos somente nós gravando em um porão usando meu laptop. Decidimos gravá-lo da melhor forma possível, daí trabalhamos em nossos vocais e tivemos o apoio de um produtor e de um excelente mixador. Com certeza esse processo levou tempo suficiente… Trabalhamos nele por quase um ano, mas porque ainda estávamos aprendendo enquanto íamos gravando, então acho que terminou bem para nossa primeira experiência.

Acho que isso significa que vocês soarão ainda melhores em um segundo álbum. Mas, ao mesmo tempo, me parece muito cedo para começar a pensar em material novo.

Não! Na verdade nós começamos a trabalhar nas primeiras fases de um próximo disco. Ainda é cedo, mas eu acho que ele vai ficar ótimo, de verdade. Vai ficar mais “badass” também.

Talvez essa seja uma pergunta meio injusta, mas entre CSS, Matt & Kim e The Go! Team, qual deles é a melhor companhia para uma turnê?

(Risos). Garoto… Vamos ver. A verdade é que todos são realmente legais. Essa última turnê foi insana. Ter quatro bandas tentando se encaixar no palco para fazer passagem de som e tudo mais parece muito, mas todo mundo foi super legal. Nós viramos amigos bem próximos de todos eles! Se eu tivesse que escolher entre um deles, acho que ficaria com o CSS, só porque ficamos ainda mais próximos deles. E eles sabem como se divertir! Acabo de me lembrar que em Boston nós encontramos a cabeça de uma galinha morta no chão e tiramos fotos com ela.

Me parece que esses after-shows são bebedeiras puras…

(Risos). A gente não estava ficando tão bêbado porque, na verdade, é meio ilegal sair bebendo por aí na nossa idade. De todos nós, o Shaun é o único que tem idade para beber, e as leis são muito especificas sobre isso. Mas você sabe, nós fazemos o que conseguimos. Somos bem punk rock.

Falando assim, vocês parecem ainda mais novos do que eu imaginava que fossem. De qualquer forma, suas músicas são completamente conectadas com essa juventude de vocês. Quem as compõe?

Eu componho bastante, mas Shaun e eu geralmente trabalhamos juntos nas letras. Nós simplesmente escrevemos sobre o que sabemos da vida. Se sentir novo, fresco. Sobre nossos amigos e nossos primeiros fios de barba… É mais genuino do que parece.

Falando sobre se sentir “novo e fresco”, a fama já está influenciando na sua vida, uhn… amorosa?

(Risos)…. Eu não sei se eu posso falar sobre isso. Certamente não deixa feridas, vamos pôr dessa forma. Mas eu diria que precisamos de um pouco mais de fama para entrar em um nível romântico mais alto. Precisamos estar nos encontrando com supermodelos e tudo mais…

Então eu acho que já estamos acabando. O que você pode me falar sobre seus planos para esse ano?

Existem alguns grandes planos pra 2009. Nós já temos praticamente o ano inteiro planejado (até onde se pode planejar nesse trabalho maluco). Um monte de coisas que eu ainda não posso falar sobre. Mas nós vamos tocar em vários lugares diferentes, espalhando o gospel do NPSH pelo mundo. Teremos algumas grandes turnês, e estamos particularmente animados para tocar no SXSW em Austin (Texas). Também teremos um clipe novo em breve!

Lançar esse tal segundo disco, fazer shows com algumas bandas em particular…

Ahhhh, ainda não posso falar quais são as bandas. Ainda não sei mais sobre esse segundo álbum. A gente vai gravar da forma que fluir, naturalmente. Provavelmente teremos músicas novas no ano que vem. Talvez um novo disco, quem sabe? Mas com certeza seremos headliners de algumas turnês. Estou animado para ver muita gente diferente em cidades diferentes. Todos os lugares têm uma vibe diferente, e todas as pessoas são divertidas e estranhas do seu jeito. É divertido explorar. E David, Liam e eu faremos 21 anos, então poderemos beber.

Aquele papo de “live fast and die young”… entendi.

(Risos) Pois é! As coisas vão ficar insanas. Punk Rock… vamos comprar umas jaquetas de couro e tudo mais.

Totalmente badass. Então é isso. Alguma mensagem para o Brasil?

Fiquem tranqüilos! Sejam pacientes, nós chegaremos ao Brasil o mais rápido possível! Temos procurando umas viagens para o Brasil, queremos explorar!

Por Alex Correa