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Justice: A Cross The Universe by movethatjukebox
janeiro 25, 2009, 12:36 pm
Filed under: Outros

Américas, Europa e o mundo Oriental; Depois de deixar sua marca ao redor do mundo (ou do universo, como sugere o título de seu mais novo lançamento), o duo francês Justice lança seu primeiro documentário.


Em dezembro, a dupla mais hypada dos últimos dois anos lançou seu tão esperado documentário, ‘A Cross The Universe’, título que parodia o musical ‘Across The Universe’, mas que pára por aí nas semelhanças.

Diferente das histórias de amor que têm como tema de fundo músicas dos Beatles, o filme dos franceses se passa durante a turnê americana do duo, que aconteceu em março de 2008, e mostra os bastidores dos shows e das viagens, focando bem nos dois homens que todos estão acostumados a ver apenas atrás da grande cruz reluzente. O DVD vem acompanhado de um CD ao vivo, que não se diferencia muito dos lives apresentados em solo brasileiro, o que não é pouca coisa. Mas voltemos ao documentário.

Ao invés de passar mais sobre suas personalidades através de entrevistas ou algo do tipo, o filme mostra o cotidiano das turnês e como agem Gaspard e Xavier antes, durante e depois das apresentações, em sua estadia pelas cidades e nos trajetos entre elas no ônibus da dupla, o qual é cenário de diversas situações da fita. Além dos dois personagens principais, o filme também foca nos outros componentes do grupo, que participam da turnê fora dos palcos. E neles se encontram alguns dos pontos interessantes, como o gerente de turnê que se torna cada vez mais obcecado por armas e acaba com problemas por conta disso, ou o motorista do ônibus, típico cidadão do interior americano, que ocupa boa parte dos 64 minutos do filme com as histórias sobre seu dom de cantar notas graves ou sua mania de tirar fotos da paisagem para mostrar à família.

Apesar dos coadjuvantes ganharem uma parcela significativa no documentário, as melhores cenas são protagonizadas pelos grandes nomes, cada um com sua personalidade marcante. Xavier é mais bagunceiro e extrovertido, mas em contrapartida se exalta facilmente. O barbudo Gaspard é calmo e mais calado, e enquanto o parceiro aproveita a fama pra se jogar na multidão, ele a usa para levar mais mulheres para a cama. São estas diferenças que os tornam tão produtivos, cada um suprindo as faltas do outro. Entre os momentos mais interessantes estão o hilário casamento de Gaspard em Las Vegas, as várias garotas bêbadas nos camarins e a violenta garrafada que Xavier dá em um fanático, além das belas cenas dos shows, perfeitamente editadas no ritmo pesado das músicas, passando ao espectador o clima único que tem um live do Justice.

Após assistir ao documentário, dirigido por Romain Gravas (Stress) e So Me (D.A.N.C.E. e DVNO), se tira apenas uma conclusão: eles são verdadeiros rockstars. Pose de rockstar, cotidiano de rockstar, fama de rockstar. A diferença é que ao invés de guitarra, baixo e bateria, seus instrumentos são dezenas de equipamentos eletrônicos. Exemplos como este nos mostram a força que tem a música eletrônica atualmente, com inúmeras vertentes e milhões de fãs, gerando um mercado comparável ao do bom e velho rock. Esta dimensão só aumenta com a Internet e o fácil acesso a sintetizadores e programas de produção como Ableton Live e Acid Pro, tornando crescente o número de produtores caseiros, que ameaçam competir em número com as tradicionais bandas de garagem.

Ao vivo: Justice remixa Master of Puppets, do Metallica, em show no Circo Voador

Nomes como Justice, Digitalism e Simian Mobile Disco põem à mesa diversas discussões sobre o que é considerado música, e se o eletrônico é digno de ser ouvido atentamente e estudado, deixando de ser apenas o “putz-putz” que só toca em festa. Enquanto o rock perde tempo com bordões como “não tem mais jeito” ou “não fazem mais bandas como antigamente”, a música eletrônica cresce com seu enorme leque de possibilidades, se infiltrando nas culturas e se misturando com tudo, inclusive com o rock, dizendo em alto e bom som: a festa está apenas começando.

Por Marçal Righi

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2 Comentários so far
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otimo post

Comentário por claudio

A discussão da música eletrônica como música “verdadeira”, já existe há muito tempo, diversos compositores contemporaneos e de respeito já usaram dela, o que justice traz é uma banda que ao mesmo tempo tem um apelo dancante, pode ser escutada no relax do seu lar ( ver planisphere que é um prog bem viajado

Comentário por thales




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