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Shoegaze: Duas novas propostas by movethatjukebox
janeiro 24, 2009, 6:32 pm
Filed under: Outros | Tags: , ,

O shoegaze americano mostra sua cara. De leste a oeste, duas novas propostas aos amantes da distorção melódica.

O final da década de oitenta trouxe, junto da decadência (naquela época) do new wave e da explosão das bandas de Manchester, um novo movimento que arrombou portas, tímpanos e que, por algum motivo (ou atropelado pela avalanche Grunge) ficou soterrado e quase esquecido. Este “quase esquecido” foi o suficiente para dar nova vida ao movimento shoegaze atual, principalmente com o reaparecimento do My Bloody Valantine nos palcos.

Naquele final de década, muitas bandas seguiram o rastro do MBV – e agora não poderia ser tão diferente. A sensível diferença é que a influência deixada pela banda e seu mítico álbum Loveless (1991) fizeram com que uma nova geração antecipasse esse ressurgimento, não apenas seguindo a trilha.

Entre os novos nomes está A Place to Bury Strangers, um trio do Brooklyn que já leva o título de banda mais barulhenta da cidade e avisam: “A cena atual no Brooklyn já não possui clichês, sem essa de que é para rappers e, com todo respeito a outras cenas do mundo como Barcelona, Londres, Rio ou São Paulo, Nova Iorque é o lugar”. A banda, formada por Oliver Ackermann (guitarra/voz), Jono Mofo (baixo) e Jay (bateria) não apresenta nada de revolucionário. Utiliza a fórmula de camadas sobre camadas de guitarra para dar a atmosfera psicodélica e barulhenta nas canções.


O único diferencial é que Ackermann cria seus próprios pedais de efeitos, o que dá ao som da banda algo mais personalizado e, ao dizer aos rapazes que eram notáveis as influências de Cure, Bauhaus e até Sisters of Mercy, fui quase carregado nos braços por não citar Jesus and Mary Chain, que é a comparação mais lógica e direta que a banda recebe – mesmo deixando bem claro que nenhuma comparação incomoda e inclusive assumindo tais influências; “eram as bandas que escutávamos antes de começar a nossa”.

De uma maneira geral, a banda não parece muito preocupada com o amanhã. A postura mais se assemelha a uma banda punk, deixando claro que planos nem sempre saem como desejam. No último dia 3 de Novembro tivemos mais um exemplo de como as coisas funcionam com os nova-iorquinos e talvez por isso eles assumam esta postura. O relógio já atropelava os ponteiros das nove da noite quando, em teoria, uma banda de abertura já teria que iniciar suas atividades. As notícias que chegavam aos nossos ouvidos eram de que a banda de abertura cancelara seu show, mas que a principal iria tocar.

Não muito tempo depois, desceram correndo de uma mini-van. O baterista com cara de que não dormia há dias. Descrever um show deles nem sempre é tão simples. Para uma banda que só tem um disco gravado, seria fácil dizer que o setlist foi, sem mais, constituído de todas as músicas do disco. Muito bem. Daí é contar outros detalhes como escuridão no palco, distorção total das guitarras, voz quase oculta e Ackermann colocando camadas de efeito em suas guitarras antes de chicoteá-las e arremessá-las de um lado para outro. O barulho é indescritível. Só mesmo para quem conhece as gravações de estúdio para identificar as músicas com propriedade, onde essas são nitidamente mais limpas. Destaque absoluto para as ruidosas “To Fix the Gash in Your Head”, “I Know I’ll See You” (de uma levada um pouco mais comercial), para a destruidora “Never Going Down” e, por último, para mais lenta e inflada de distorções “Ocean”.

O trio, que já havia tocado em Barcelona no grande palco do Primavera Sound, não parece sentir diferença entre os tamanhos de palco e público. A apresentação é arrasadora, seja onde for.

Saímos agora da costa leste americana rumo ao oeste, de onde sai uma outra grande proposta do shoegaze do tio Sam. Falemos de um outro trio, esse chamado Autolux, formado na cidade de Los Angeles há oito por Eugene Goreshter (baixo/voz), Greg Edwards (guitarra/voz) e pela simpática Carla Azar (bateria/voz). Logo em suas primeiras apresentações, o grupo despertou o interesse de ninguém mais ninguém menos que T-Bone Burnett, produtor que, na época, iniciava um novo projeto. Nestes oito anos muita coisa aconteceu. Um pequeno acidente afastou Azar dos palcos por algum tempo e, caso você não conheça a banda, vale ressaltar que ela não é apenas uma simples baterista, mas sim a peça-chave para o sucesso da banda.

Em sua única passagem na Espanha, durante o festival Primavera Sound 08, tivemos a oportunidade de conversar com Carla e Eugene. Após uma rápida e simpática apresentação – na qual Carla Azar revelou que o nosso português é um de seus idiomas favoritos -, tivemos um bom bate-papo. Antes da entrevista começar, já que a moça se disse fã de nosso idioma, revelei o significado da palavra “azar” (seu sobrenome), o que não só rendeu boas risadas como criou a sensação de um sobrenome punk, fazendo-a imaginar o nome “Carla Bad Luck”. Vamos à entrevista.

As informações que chegam ao público é que a banda iniciou atividades em 2000 e logo em 2001 lançou um EP: Demonstration. Turnê com Nine Inch Nails e, em seguida, All Tomorrows Partie’s Festival. Poderia nos contar um pouco mais deste início?

Claro. Como você mesmo mencionou, começamos na área de Los Angeles e T-Bone Burnett estava iniciando sua própria gravadora junto aos Coen Brothers. Nos assistiu e veio a nos contratar. Produziu nosso primeiro disco, Future Perfect, e após o lançamento saímos em turnê e tocamos com muito nomes interessantes como The White Stripes, Beck e NIN. Nesta época costumávamos fazer nosso próprio jogo de luz, foi um início bem interessante.

Por que um jogo de luz próprio?

Porque no início tocávamos em palcos menores, e a iluminação nunca estava da maneira que queríamos. Então criamos uma iluminação básica, mas da maneira que queríamos, algo personalizado.

Carla; em 2002 você sofreu um acidente, caiu do palco, fraturou o cotovelo e colocou oito parafusos. Até onde sei você é a baterista da banda. Como uma baterista consegue cair do palco? um guitarrista, baixista ou vocalista até vai levando em consideração a movimentação, mas sua posição parece mais segura, não?

Estávamos abrindo pro Elvis Costello nesta época. Na verdade não estávamos mais tocando quando aconteceu. Estava conversando com amigos após o show e numa falta de atenção aconteceu, simples assim. Me custou oito parafusos no cotovelo e um longo período inativo para mim e para a banda.

Alguma influência direta presente na música da banda?

Sim, é impossível dizer que existem. Velvet Underground é uma delas. The Beatles, quando começaram a fazer música mais experimental. A banda alemã Can também, e John Bonham (Led Zeppelin) é particularmente uma grande influência para mim. Qualquer coisa que não seja convencional serve bastante como influência… reggae, dub, etc.

A participação no festival Primavera Sound coincidiu também com a primeira passagem da banda na Espanha. Qual o sentimento do Autolux em atravessar estas fronteiras?

Estamos bastante empolgados com toda esta combinação. Um grande festival, primeira visita a Espanha e, conseqüentemente, a Barcelona. Adoramos tocar fora dos Estados Unidos. Estar aqui é realmente muito bom. Independente do lugar, tocar ao vivo é sempre bom, mas é lógico que tocar na Europa é totalmente diferente de tocar para o público de nosso país. O Primavera Sound especialmente teve uma seleção de bandas impressionante.

Musica favorita da banda?

Reappearing.

Após o lançamento deste segundo disco, qual o destino do Autolux?

Bem, esperamos uma boa recepção com o novo disco, viajar bastante com o novo material. O Brasil está em nossos planos, adoraríamos tocar lá. Sabemos que no Brasil existe muita gente conectada com a cena musical internacional, temos a consciência disto. Temos um bom relacionamento com o White Stripes, e eles nos disseram que, quando passaram pelo Brasil, fizeram os shows mais memoráveis de suas vidas. Melhor público que encontraram, melhor energia e realmente não esperavam tanto. Gostamos também do futebol brasileiro (como todos gostam), da paisagem e temos muita curiosidade de estar lá um dia.

Por Mauricio Melo

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