Move That Jukebox!


Juicebox: Dicas Musicais Suculentas by movethatjukebox
janeiro 22, 2009, 5:28 pm
Filed under: Outros

Lá no começo de dezembro, ou até antes, o Alex me pediu uma juicebox pro dia 20. Eu dei risada e disse que ok, o prazo era mais do que o necessário.

Como eu não consigo trabalhar sem pressão, deixei pra pesquisar sobre quais bandas falaria nessa edição lá pras 23h do dia 19. Confesso que estava meio desesperada – não me passava pela cabeça nada que tivesse ouvido recentemente e fosse realmente legal. Eu costumava ser como vocês, crianças. Meu hobby era garimpar essas bandas novas e desconhecidas e compartilhá-las. Mas a vida tirou isso de mim.

Por sorte, foi muito tempo como garimpeira de boa música e o meu velho HD musical fez o trabalho sujo. Abri pasta por pasta e fui me deparando com aquelas bandas que ouvi por um tempo mas que por algum motivo caíram no esquecimento e, nem por isso, deixam de ser excelentes.

Como a coluna é a primeira de 2009 e faz tempo que não escrevo nada, essa edição é recheada. Escolhi 17 nomes na triagem inicial, mas numa manobra dificílima, fiquei só com 10 para hoje. A novidade é a globalização chegando à coluna, afinal, hoje não fiquei no feijão-com-arroz de indicar só bandas que cantam em inglês ou português.

Além disso, você tem Google e se quiser mais informação sobre a biografia das bandas vai saber onde procurar. Vou me ater às indicações, até porque são muitas e eu quero ir dormir logo. Lembre-se: eu só dou a pista, você sabe onde procurar o resto.

Divirta-se:

Asyl

Eu sei que você adora francês. Você é indie. Seu filme preferido é Amélie Poulain. Por isso, acho que o Asyl será sua nova banda preferida a partir de agora. Ouça Intérieur-Exterieur:

Mais sexy que isso, só os comentários em francês no vídeo, meu caro. It’s all about music.

Detektivbyrån

Aproveitando a febre Capitu/Beirut, imagine se alguém colocasse um sintetizador numa música do Beirut. Essa Detectivbyrån fez isso aí em Hemvägen. Além disso, eles tem uma bolinha em cima do A, e isso é admirável. Não sei pronunciar o nome da banda, o que complica indicar para qualquer pessoa oralmente, mas como aqui é texto tá tudo certo.

detek

Eles são suecos e fazem música instrumental com xilofones, acordeon e sintetizadores. Dá uma em Om Du Möter Varg também.

Air Traffic

Na época (saudooosa…) em que eu baixava toda semana o top 25 do UK pra ficar por dentro do que rolava nas paradas inglesas (!), lembro-me de ter conhecido essa banda. É pop music inglesa das muito boas, mas a gente gosta, sei que gosta. Não é como, sei lá, Jota Quest.

Charlotte foi a música da banda em primeiro lugar nas paradas inglesas (e foi o toque do meu celular por tempos, também, então eu não agüento mais ouvir esta merda). Mas gosto muito dessa aqui, também:

Recomendo fortemente qualquer coisa deles. São grudentos demais, você vai viciar fácil.

Dente

Eu ia indicar aqui uma banda italiana chamada Alfabox. Eu estudo italiano, e nas minhas buscas por boa música nessa língua, encontrei poucas coisas que não soassem (muito) brega. Mas na hora de buscar um vídeo do Alfabox no Youtube, achei o Dente, com Bay Building, que é bem mais legal.

Não que não soe brega, mas esse folk cosplay meio Belle & Sebastian é algo fácil de agradar, e em italiano fica irresistível. Dá vontade de tomar whisky e tocar violão a luz da lua com essa aqui, Le cose che contano:

El Efecto

Não lembro como cheguei neles, o que me assusta, mas conheço o El Efecto há pelo menos quatro anos. Nunca ficaram famosos, mas não é por falta de merecimento. As letras são geniais e eles parecem uma mistura de System of a Down com Los Hermanos, Astor Piazolla e uma voz maluca de funkeiro carioca. É cavaco com metal, mano.

Ouve O Fingidor:

O som está ruim no Youtube, então recomendo baixar as músicas no site oficial da banda ou no MySpace.

Elle Milano

Não sei, cara. Acho que o que me pegou aqui foram os vocais frenéticos. Rock inglês, de Brigthon, o de sempre com uma pitada de algo a mais. É uma das coisas mais empolgantes que ouvi dessa safra. Minha preferida é La Presidente, mas não achei no YouTube (então baixa você), mas olha isso que coisa-linda-de-deus. Outra muito boa é Swearings for art students:

Pesquisando para escrever, descobri que terminaram este ano, mas antes disso gravaram um disco e têm um monte de músicas por aí. O MySpace é esse aqui: myspace.com/ellemilano

Fugazi

Você tem quantos anos?

Se tiver uns 20, acompanhou o surgimento do Charlie Brown Jr. E se você gostava de rock, provavelmente apreciou o primeiro disco dos caras de Santos pit-pou-pit-break.

Se isso aconteceu, você vai entender de onde veio inspiração para o disco quando ouvir o Fugazi.

É meio feio indicar o Fugazi aqui, mas acho que é um dever, porque muitos de vocês são novos e já tão ouvindo indie-rock agora sem terem passado pelo básico do rock (na minha época tinha uma ordem, começava com Legião, daí vinha o punk rock com o Green Day e Offspring, daí vinha o Nirvana e o Grunge…). O Fugazi, dizem, inventou o emo. Sério! Em 1989 ou coisa assim. Mas fazem nada além de Punk Rock. E o Chorão copiou tudo dos caras – voz, riffs, ATITUDE (pffff!) e tal. Fiquem com o clássico Waiting Room:

É só pra não correr o risco de alguém ficar sem conhecer isso.

Goodbooks

goodbooks

Já vou avisando: ouvi isso tanto, mas tanto, que enjoei. Não consigo nem ver na frente. Foi um porre de Goodbooks, uns 5 meses direto, agora se eu ouço um riff já sinto enjôo.

Mas pô, se eu ouvi por 5 meses, deve ter algo de muito viciante nessa parada. Então ouve Leni:

(Achei um remix do Crystal Castles pra essa música, pega aí)

Eles são de Kent e o disco que tem Leni é inteiramente baixável, escutável e viciável. E se Marcelo Camelo eu fosse, esse vocalista com cara de criança eu pegaria.

Quer dizer, você entendeu.

Radio 4

Você já era DO MOVIMENTO em 2006? Se era, lembra que o Radio 4 veio pra tocar no Motomix junto com o Franz Ferdinand e o show deles foi infelizmente ofuscado pela performance EXPLOSIVA de Alex Kapranos & comparsas.

Mas o Radio 4 é, ainda assim, bem legal. De todos, acho que são eles os que copiam o Gang of Four mais descaradamente, até no nome. Too much to ask for te transporta direto pros anos 80.

Voxtrot

Acho que os Voxtrot parecem os Smiths em algumas músicas. E a música que eu mais gosto deles se chama Mothers, Sisters, Daughters and Wifes:

Pronto. Agora que eu já te dei música nova o suficiente pra passar 2009 com o iPod renovado, entra no meu blog se você não tiver fazendo nada: www.olhometro.com

Por Ana Freitas

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My Circuitboard Body by movethatjukebox
janeiro 22, 2009, 5:25 pm
Filed under: Outros

O disco novo dos Wombats já tá saindo do forno, e é o novo clipe que nos deixa esse recado.

O vídeo de My Circuitboard Body já saiu, mas o single só chega as prateleiras britânicas em março.



Madonna no Maracanã by movethatjukebox
janeiro 22, 2009, 1:07 pm
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Da série “Coisas que deveriam ter ido ao ar na revista e agora parecem atrasadas”

Quinze anos depois de sua última passagem pelo Brasil, Madonna aterrissa no Rio de Janeiro para um par de shows no Maracanã. E aquela foi a diva do pop, sem tirar nem pôr.

Não foi a chuva que impediu as 70 mil pessoas de irem ao Maracanã no domingo, dia 14, parar conferir o início da Sticky & Sweet Tour brasileira, turnê do último álbum da Madonna, Hard Candy, lançado esse ano. Com a abertura dos portões marcada para Os portões, que tinham abertura prevista para as 17hrs, só foram abertos as 17:40 para o público de pista e arquibancada. A pista VIP foi aberta um pouco depois. Na segunda-feira, dia 15, não foi diferente: os portões também atrasaram. Perdoável até, já que não estava ameaçando chuva como no domingo.

Paul Oakenfold, o DJ que acompanhou Madonna na Confessions Tour, foi escalado para a abertura dessa nova turnê também. No domingo, enquanto as pessoas entravam no Maracanã, Paul já discotecava em sua pick-up, montada num palco ainda coberto. O set passava por Rihanna, White Stripes e Nelly Furtado. Na segunda-feira, o set não foi muito diferente: apenas uma ou outra música que não tinha sido tocada no dia anterior apareceu. A única diferença foi o atraso: Paul entrou ás 19:40h, quase no horário do show principal, marcado para as 20h. Apesar disso, ele conseguiu animar o público nos dois dias com seus remixes e seus pedidos de palmas e animação.

paul

Após a apresentação do DJ, o palco começa a ser montado, e aí se começa a ter uma leve idéia do que ele é capaz. Técnicos arrumam o palco, descobrem os telões, os homens da iluminação sobem. Tudo isso demora certo tempo, claro, e no domingo houve um atraso de apenas 30min. Já na segunda, quase 2h, o que fez com que o público vaiasse e gritasse “Madonna, piranha.”

As luzes se apagam e o show finalmente começa. No telão, é projetada a “Candy Factory”, a introdução do show e do bloco Pimp. Os dançarinos surgem nas pontas do palco, enquanto ela, a diva, a rainha do pop, surge sentada no seu trono com encosto em forma de M. Começa então “Candy Shop”, que ela dança com seus bailarinos. Na segunda noite ela parece bem mais empolgada e receptiva.

Depois de “Candy Shop”, é a vez de “Beat Goes On”, que conta com o Kanye West no telão. Como se não bastasse, sai de trás do palco um carro antigo branco, com um dançarino parecido com o Kanye West. Madonna põe a sua cartola branca enquanto dança no carro com seus dançarinos. Madonna faz a primeira interação com o público nessa música, gritando “All right, Rio de Janeiro” e “Hello, Brazil.” No domingo, quando chovia forte, já se via a equipe bem preocupada secando o palco com toalhas e rodo.

“Human Nature” é a terceira música. O público reage bem, com Britney Spears presa em um elevador. No telão, é claro. Madonna canta e toca guitarra nessa música na frente do palco, na passarela central. Para evitar que a musa levasse um choque, um segurança se coloca atrás dela segurando um guarda-chuva. “Vogue”, eleita uma das músicas mais gays por um site australiano, começa, levando o público ao grito. Ela está sampleada com “4 Minutes”, hit e primeiro single de Hard Candy. No domingo, é só aqui que ela começa a se soltar, já que estava apreensiva com a chuva. Na segunda-feira, não: ela já sorri e logo percebe-se que ela está se divertindo.

Começa então o intervalo, que leva ao segundo bloco do show, chamado Old School. A intro é uma versão de “Die Another Day”, onde dois dançarinos simulam uma luta de boxe. Com o término, é a vez de “Into the Groove”, que começa com uma pick-up e um DJ saindo do canto esquerdo do palco; ele usa o tão falado fone revestido por cristais Swarosvki. Madonna então surge pulando corda, e aproveita essa música para subir na pick-up e fazer uma pole dance conforme o carro percorre o palco até a ponta direita. Ela então desce e vai pular cordas com seus bailarinos, sem errar uma, apesar da chuva. No segundo dia, Madonna, já muito mais relaxada, exibe seus músculos e pede para o público fazer barulho, que não desaponta, inclusive na hora em que ela oferece o microfone para cantar junto. “Into the Groove” termina com ela no chão, puxando a próxima música, “Heartbeat.” Bailarinos trocam seus sapatos, enquanto no telão são exibidos sinais vitais.

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A música seguinte é “Boderline”, hit dos anos 80, aqui apresentada em uma versão mais rock, onde Madonna canta e toca guitarra (com a devida proteção de um guarda-chuva, claro). O público canta junto: é uma das músicas mais queridas. Ela sorri com a reação. Já muito mais a vontade, na segunda noite, Madonna grita “motherfuckers”, o que faz o público delirar.

“She’s Not Me” é a seguinte, e Madonna canta usando óculos escuros em formato de coração, enquanto o telão exibe clipes antigos, mostrando suas várias fases. Na ponta do palco, surgem dançarinas vestidas de sósias da Madonna: Like a Virgin, Material Girl, Express Yourself e Vogue. Madonna caminha até elas e as destrói, uma a uma. A “Like a Virgin” ainda leva um beijo na boca e uma apertada na bunda, que leva o estádio ao delírio. Madonna aqui parece realmente solta, se divertindo. Está tão solta que no domingo dá uma escorregada, mas que disfarça bem. Na segunda-feira, nada de escorregão. A próxima música é “Music.” Confesso que a música ficou um pouco apagada, e que poderia ser substituída perfeitamente por outra. Na parte de “never gonna stop” Madonna grita “never gonna fucking stop”, enquanto olha para o alto, claramente se referindo à chuva. Na segunda-feira, o grito muda para “please, don’t stop.”

“Music” encerra o segundo bloco, dando agora a vez à intro do terceiro bloco, chamado Gypsy, que homenageia o povo cigano e latino. Uma bela animação é projetada no telão ao som de “Here Comes the Rain” enquanto dois dançarinos asiáticos fazem uma performance e a equipe seca o palco. Terminada a intro, Madonna surge dentro do telão circular em cima de um piano, usando um manto preto. “Devil Wouldn’t Recognize You” é um dos momentos mais bonitos do show, com imagens de chuva sendo projetadas no telão. O visual é incrível.

“Spanish Lesson” começa, com a tarefa de levantar o público, mais calmo e ainda espantado pela beleza da apresentação de “Devil.” Madonna, como sempre, pergunta se “hablamos español.” A resposta vem em um sonoro coro: “no!” A música é apresentada enquanto palavras em espanhol passam no telão.

Com o fim de “Spanish Lesson”, começa “Miles Away.” No domingo, Madonna pergunta ao público se estão tendo um “good time”, enquanto na segunda-feira ela logo dedica a música ao Rio de Janeiro – e faz a mesma pergunta ao público. Quando vem a resposta, ela replica: “me too.” Aproveitando a animação, dá o microfone pro público cantar junto. Terminada a música, ela sai do palco, e volta para cantar “La Isla Bonita”, música que conta com um cenário cigano. Uma mesa sai do fundo do palco, junto com músicos e dançarinos. O público responde bem, batendo palma e, mais uma vez, cantando junto. Na segunda-feira, a performance é bem melhor que no domingo, já que agora o palco está seco. Em “Doli Doli”, canção romena apresentada pelos seus músicos, Madonna se senta para descansar. Ela aproveita o momento para interagir com o público, mandando caretas, beijinhos e piscadelas e até tomar a dose de uma bebida que ainda não se qual é. Eugene Hütz, do cigano Gogol Bordello, não se apresentou com ela em nenhum dos shows, diferentemente do que ele tinha dito quando foram anunciadas as datas da turnê.

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Ao fim da música e da apresentação da dançarina das sete saias, Madonna fala que era bom estar de volta depois de 14 anos. Perdoável, já que se passaram na verdade 15 anos. O público grita o nome dela, e ela pergunta “who?” Os gritos continuam e ela diz “I love you.” No segundo dia de apresentação, Madonna também aproveita o momento e pergunta se estão mais animados hoje. A resposta é positiva. O motivo? Não está chovendo, é claro. Madonna então canta “You Must Love Me” e desaparece no telão.

É a vez de “Get Stupid”, intro do quarto e último bloco, chamado de Rave. Imagens de dinheiro, pobreza e miséria são mostradas no telão, junto com celebridades como Bono, Michael Moore e é claro, Barack Obama, que leva o público às palmas. Ao fim de “Get Stupid”, é a vez do hit “4 Minutes”, que conta com a participação de Justin Timberlake em pequenos telões que se espalham no palco e que são movidos por dançarinos atrás deles. Madonna canta usando uma ombreira brilhosa, meio futurista, enquanto se pendura nos telões e interage com o Justin virtual. O público se anima, mas não tanto quanto na próxima música, “Like a Prayer”, que é sem dúvida o momento de melhor estética de todo o show. O estádio inteiro canta junto, enquanto a chuva não cansa de cair.

“Ray of Light” começa, e lasers são projetados no fundo no estádio, dando um visual incrível, enquanto luzes aleatórias são exibidas no telão. Uma apresentação simples e bonita – se formos comparar com o resto do show, claro – mas que fica também um pouco apagada. Aqui ela pede pra pular, e se o público não pula, ela diz que não mandou ninguém parar de pular.

Madonna então pára o show para seu momento de maior interação com o público. No domingo, ela cria uma espécie de mantra para mandar a música embora “fuck the rain, it has to go. Oleleo.” Ela canta junto com o público, que adora. É nessa parte que ela seleciona alguém para cantar uma música escolhida. Ela escolhe um rapaz, que pede “Everybody”, que ela não concorda em cantar, mas dá outra chance. O rapaz então pede “Express Yourself”, que é cantada em coro. Na segunda-feira, a música escolhida é “Dress You Up”, e a cantora aprova. Madonna se mostra muito mais a vontade na segunda noite, pedindo para que o público mostre à rainha que a ama e perguntando se estamos satisfeitos.

Após essa brincadeira, começa então “Hung Up” em uma versão mais rock, com Madonna na guitarra. Ela canta, toca e no final ainda faz o célebre símbolo do heavy metal. Vem então “Give It 2 Me”, o segundo single de Hard Candy e a escolha perfeita para o encerramento. Todo mundo se joga ao som da música, dançando sem parar. Madonna ainda desce do lado esquerdo do palco e fica bem próxima do público. Na segunda-feira, ela ainda dá o microfone para um rapaz cantar e é claramente possível ouvir a voz dele gritar “give it to me, yeah.” A primeira noite terminou com dois bailarinos agitando a bandeira do Brasil, enquanto na segunda a própria Madonna se enrolou na bandeira, além de apresentar a canção com a camisa da seleção brasileira, um singelo presente do atual governador do Rio, Sérgio Cabral. Ao fim da apresentação surge a mensagem no telão: “GAME OVER.” Não é preciso dizer mais nada. O jogo acabou, e que venha o próximo.

Por Heitor Machado