Move That Jukebox!


Festival mistura gêneros e etnias em Barcelona by Neto
outubro 6, 2008, 7:34 pm
Filed under: Outros

O BAM (Barcelona Ação Musical) é mais do que um simples festival de música, tendo se tornado um autêntico guia para se descobrir novos artistas e um catálogo de bandas que já fazem parte da história, independentemente de seus perfis. Um evento que reúne pop, punk, indie, folk, electro, jazz e hip hop rumba entre outras fusões criativas. Em 2008, o BAM aconteceu entre os dias 19 e 28 de setembro, durante as festividades da padroeira Mercê, com atividades que envolvem dança, teatro e música.

Além de palcos impecavelmente distribuídos pela cidade, a edição deste ano ainda contou com a participação das “salas de shows”, ou seja, casas de shows de pequeno e médio porte como Bikini, L’Apolo e a excelente Espacio Movistar. Além de dar destaque quase absoluto para as novas tendências espanholas, o Barcelona Ação Musical 2008 adiciona exóticos temperos internacionais à seu line-up, como Krakovia, Russian Red e Primal Scream – e, o mais importante, o público não paga nada para ver qualquer uma dessas atrações.

Somando mais de 70 apresentações e exatamente 13 palcos por toda a cidade, o festival catalão recebeu músicos das mais diferentes nacionalidades, desde americanos até nigerianos, mas sem deixar de lado a prata-da-casa.

As propostas emergentes foram acolhidas na Plaza Dels Angels, enquanto a Antiga Fábrica da Estrella Damm, o Espacio Movistar, a Plaza Real e a Plaza Del Rey recebiam as atrações de maior porte, tendo essa última hospedado uma noite mais do que especial.

A festa começou na quinta-feira, com dois shows para aquecer os ânimos: YAS, com seu electropop cantado em árabe, tomou o palco em frente ao Instituto Francês de Barcelona. Já em recinto fechado e com vagas limitadas, se apresentou o BCNmp7, no Centro de Cultura Contemporânea.

Entretanto, foi na sexta-feira (19) que a festa tomou forma definitiva, com shows acontecendo simultaneamente nos palcos estrategicamente espalhados pela cidade.

Na Plaza Real se apresentaram Raydibaum, banda local alternativa que lançava seu terceiro disco, Manual de Genere Catastròfic, sendo esse o primeiro do grupo a ser cantado exclusivamente em catalão. Em seguida, foi a vez do trip-hop de Facto Delafé y Las Fores Azules entreter o público, com a ajuda de sua extravagante decoração de palco. O terceiro show da noite foi da primeira (e única) atração internacional a pisar na Plaza Real no dia, Sam Roberts. Pouco conhecido na Europa – principalmente em Barcelona -, este canadense chegou disposto a conquistar seu espaço apresentando seu novo disco, Love at the End of the World, número um de vendas em seu país de origem. Uma mistura de rock e folk, bem ao estilo norte-americano, com temperos de powerpop. Admito a surpresa que tive ao ver o músico por aqui, já que jamais havia escutado alguém mencionar seu nome por essas bandas. Porém, se a proposta do BAM é agradar o público com nomes pouco conhecidos, o evento acertou em cheio. O ponto alto do show foi Brothers Down (Inhuman Condition EP, 2002), que foi tocada em meio há uma chuva que insistia em cair. Fechando a noite, tocou o quinteto Siniestro Total, punk-rock galego que fez a festa dos punks que estavam no local. Com quase 30 anos de estrada, o grupo não decepcionou e mostrou boa forma tocando sua versão de Sweet Home Alabama (do Lynyrd Skynyrd), que ganhou o nome de Miña Terra Galega.

Para quem gosta de hip-hop, a boa pedida foi o palco MTV-Fòrum, que recebeu Chacho Brodas, Shotta, Ari e Calle 13 – de Barcelona, Sevilla, República Dominicana e Porto Rico, respectivamente.

O dia 20, um sábado, vinha com a principal atração do festival. No palco Plaza de L’Odissea se apresentaram Nudozurdo, com seu indie-rock cantado em castelhano, proveniente de Madrid. Em seguida veio o Camping, excelente banda de rock alternativo de Barcelona, mas cantado em inglês. Ainda houve tempo para (lo:muêso), que está prestes a lançar seu terceiro disco de noise-rock.

Voltando à Plaza Real, se apresentaram Le Petit Ramón Experimenta 3, Love of Lesbian, Los Niños Mutantes e The Automatic. Esse último, o único gringo do dia, tocou Steve McQueen e outros sucessos recém-lançados, todos de seu mais recente trabalho. A maior parte do público, que se mostrava extremamente indeciso, se amontoou no palco montado em frente a antiga fábrica da Estrella Damm, o principal do festival. Neste, foram recebidos o pop local Mishima, a psicodelia pop de Antònia Font e o mais aguardado Primal Scream. Os britânicos, que já haviam passado por Barcelona no pré-lançamento de Beautiful Future durante o Summercase, levaram o público ao delírio incluindo composições dos mais antigos Sonic Flower Groove, Screamadelica, XTRMNTR e Riot City Blues. Mesmo assim, foi deixado claro que o disco da vez é Beautiful Future, que emprestou ao show a empolgante Can’t Go Back, a dançante Zombie Man e as mais lentas Glory of Love e Beautiful Summer. Um show de rua que esteve longe de ser considerado básico.

No domingo, quem se destacava entre as muitas atrações catalãs era o inglês The Whip, que dominou a Sala Apolo com seu já conhecido pop made in Manchester + indie rock + electro. Enquanto isso, no Espacio Movistar, o momento era de nostalgia. A belga Sharko não levantou o público, mas Sahara Hotnights e The Last 3 Lines compensaram o desânimo sharkoanês. A vocalista do Sahara, Maria Andersson, esbanjou elegância em seus saltos altos, calças bem ajustadas e seu invejado estilo de tocar guitarra. Para fechar a noite vieram os escoceses Teenage Funclub, que na verdade não tem nada de teenage. O que vimos foi um grupo de cabelos grisalhos fazendo a multidão cantar, gritar e dançar com seu som.

Segunda-feira, 22 de setembro: O dia quase passou despercebido, não fosse os concertos da sala Bikini. Funking Chaos abriu a noite. Jamie Woon, da Inglaterra, seguiu com um som experimental e logo cedeu seu lugar ao nova-iorquino José James, fechando com um agradável jazz.

Noite de terça-feira e mais uma maratona gratuita de shows. Se a noite anterior serviu para relaxar, essa foi para dividir o público, mais uma vez. O nosso brasileiro Ed Motta, que a princípio tocaria no Plaza dels Àngles, teve o show cancelado sem esclarecimento algum. Entre as estreitas ruas do bairro gótico e atrás da catedral, mais precisamente na Plaza del Rei, se encontrava um palco escondido onde iria se apresentar Russian Red, uma jovem que aos 22 anos se converteu numa das maiores promessas indie da Espanha. O local era apertado e fez muita gente reclamar, mas a idéia de um ambiente mais íntimo é ótima. Após a madrileña, marcou presença o American Music Club de Mark Eitzel, e quem já estava dentro das estreitas calles não arredou pé.

Bem próximo dali também estavam outras boas pedidas. Na Plaza Real se apresentou o Pumuky, banda que deixou muita distorção no ar – nem os garçons dos restaurantes ao redor escaparam da distorção. O vocalista do The Secret Society fez um show solo e acústico, já que a banda não deu as caras. David Bazan, ex-líder do Pedro the Lion, também fez um show acústico e se manteve por mais de uma hora comandando seu público, com sua excelente voz e seu pequeno violão.

Fechando a noite na Plaza Real estava o The Long Winters, banda de John Roderick que passa por conturbadas mudanças de formação. Havia uma expectativa muito grande para o show, e a chuva que insistia em cair desde o primeiro dia de festival resolveu ceder. O show cumpriu todas as expectativas do público, e os longos invernos não decepcionaram. Apresentando músicas como Blue Diamonds, Cinnamon e Honest, levantaram de vez o público, que de repente virou fluente em inglês e não deixou escapar uma única palavra das letras. Durante a apresentação, também rolou um troca-troca de instrumentos: vocalista vai para o piano, baixista para a guitarra, guitarrista para o baixo e, de quebra, David Bazan deu a honra de sua presença em uma das músicas.

O Festival Barcelona Ação Musical encerrou suas atividades na noite de 23 de setembro.

Fotos e texto por Mauricio Melo / Adaptado por Alex Correa

Anúncios

Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: