Move That Jukebox!


Entrevista: The Long Winters by Neto
setembro 17, 2008, 6:38 pm
Filed under: The Long Winters | Tags:

O entrevistado da semana é o carismático John Roderick, um recém-chegado quarentão e formador do grupo americano The Long Winters. Conheci a música de Roderick por volta de 2006, quando virei um fanático por The O.C. e, junto com a coletânea de Natal do seriado, veio a ótima Christmas With You Is The Beast. Entretanto, fui conhecer a maior parte do trabalho do grupo apenas em 2008, dois anos depois, quando fui apresentado ao Putting The Days To Bed, de 2006. Não me decepcionei, e logo estava buscando mais e mais músicas. Havia entrado em um círculo vicioso.

Além do Putting The Days To Bed, a banda lançou mais três trabalhos: The Worst You Can Do Is Harm (2002), When I Pretend To Fall (2003) e Ultimatum EP (2005). Passando por conturbadas mudanças em seu line-up oficial, o The Long Winters chegou a contar com a participação de Chris Walla, Michael Schorr e Sean Nelson em seu estágio inicial. Numa relação extremamente amigável com outras bandas americanas, o LW também já teve participações de Blake Wescott (Pedro The Lion), Ken Stringfellow, Scott McCaughey, Peter Buck (sendo esses últimos formadores e colaboradores do R.E.M.) e Jon Auer (The Poesis).

Com tantas misturas, influências e diferentes essências, o The Long Winters faz um som que, para Roderick, é único. Se você ainda não teve a oportunidade de conhecer os longos invernos, visite o MySpace. Não há duvidas de que eles merecem ao menos um pouco da sua atenção.

MTJ: Como foi trabalhar com Chris Walla (Death Cab For Cutie), Michael Schorr (ex-Death Cab) e Sean Nelson (Harvey Danger) no primeiro estágio de sua carreira?

JR: Bem, trabalhar e tocar com esses caras foi um grande aprendizado e uma ótima experiência para mim, e realmente me ajudou a formar a música que faço a mais de 10 anos, mas esse não foi o primeiro estágio da minha carreira. Quando conheci Chris Walla ele tinha apenas 23 anos, mas eu já tinha 29. Quando isso aconteceu, eu já estava tocando há anos e já havia visto muitas bandas irem e virem durante a época Grunge. Muitos músicos desistem de fazer música quando eles fazem 30 anos, porque acham que essa é a hora de começar a encarar a vida a sério e começar a trabalhar na Microsoft. Eu me relacionei bem com essas jovens bandas, como o Death Cab e o Harvey Danger, e eles me inspiraram a continuar tocando.

MTJ: O que você está planejando para o seu aniversário? (A entrevista foi feita antes do aniversário de 40 anos de John, que aconteceu no dia 13 de setembro).

JR: Eu provavelmente estarei no estúdio, gravando. Estávamos rindo por isos um dia desses, porque no meu 30º aniversário o Death Cab For Cutie fez um show particular no meu apartamento, em Seattle. Esses foram outros tempos… Eles se ofereceram para tocar no meu aniversário de 40 anos também, mas agora isso seria uma cena meio estranha. Eu geralmente faço comemorações quietas, e nesse ano eu me manterei minimalista. Mas eu tenho uma tradição que me faz viajar sempre quando comemoro uma idade que termine com 1. Quando fiz 21 eu fui para Marrocos, aos 31 fui a Bulgária, então quando eu fizer 41 devo estar em algum lugar novo e empolgante. Talvez Brasil!

MTJ: As pessoas dizem que, quando chegam aos 40, começam a pensar em trabalhar menos e passar mais tempo com a família. Você já começou a pensar nisso?

JR: Eu comprei uma pequena casa de campo no ano passado e eu gosto muito de ter meu próprio canto, mas acho que comecei de trás para frente. Se deve achar uma garota e fazer um bebê, AÍ se compra uma pequena casa de campo. Eu realmente tenho pensado mais no futuro nesses dias, mas acho que aos 40 se é muito cedo para pensar numa aposentadoria. Eu gostaria de ter filhos e construir uma família, e é difícil fazer isso quando se está em turnê o tempo todo. Os próximos anos serão interessantes de se acompanhar, porque minha vida pode tomar vários rumos diferentes. Me deseje sorte!

MTJ: A essência do Long Winters mudou com tantas alterações na formação do grupo?

JR: Como eu estive em muitas bandas antes de formar o Long Winters, eu trouxe minha experiência para essa banda. É difícil manter um grupo reunido, realmente é. Muitos músicos têm vidas complicadas. The Long Winters começou como um projeto para diversão, só comigo, Walla e Nelson, mas quando viramos uma banda de trabalho eu a estruturei para que as pessoas pudessem ir e vir. Sean Nelson saiu e voltou da banda muitas vezes durante todos esses anos por causa de acontecimentos em sua vida pessoal. Eu não queria que a banda começasse um hiato todas as vezes que um dos membros decidisse sair para estudar ballet ou algo assim. Então, originalmente, jamais houve uma essência da banda como um todo, apenas a minha.

Durante esses anos a banda evoluiu no que é agora, uma banda apropriadamente formada por quatro caras que se identificam com a banda e são comprometidos com a mesma. Isso começou com Eric Corson, que já está comigo desde 2001, e aí apareceram Nabil Ayers e Jonathan Rothman para completar a figura.

MTJ: Agora vocês estão gravando seu quarto álbum. Você pode nos contar algo sobre esse trabalho? Como está soando, quando deve ser lançado…

JR: Estamos desenvolvendo esse disco de uma forma bem diferente. Eu escrevi vários pedaços de músicas e só começamos a juntá-los no estúdio de gravação. Estamos no meio das gravações agora e eu ainda não botei letras nas canções ou gravei vocais. Estamos focando na música em si sem se preocupar com as palavras. É bem diferente pra nós, e eu ainda não tenho idéia se isso vai ou não funcionar, mas é algo bem excitante. Um projeto que tem que ser feito devagar e com cuidado.

MTJ: Vocês cometeram algum erro no último disco que estão tentando reparar ou evitar nesse próximo?

JR: Todos os discos que eu fiz me levaram a diversas mensagens de conhecimento sobre o que eu estou fazendo de errado ou o que eu não consigo entender. O primeiro disco me ensinou a dar importância ao tempo, o segundo me ensinou a manter as coisas simplificadas, e o Ultimatum EP me ensinou a administrar um projeto. Nosso último disco foi o resultado da preocupação com o tempo, da idéia de manter as coisas simples e de uma boa administração de um projeto. O que pude aprender com isso é que não se pode planejar tudo. Esse novo disco está completamente fora da linha.

MTJ: O MySpace de vocês diz: “The Long Winters é a melhor banda de indie rock das Américas”. Onde forão parar seus colegas do Death Cab, do Nada Surf e do The Decemberists?

JR: Esses caras são muito metaleiros para serem considerados “indie rock”. *piscadinha de olho*

MTJ: Existe alguma banda menos metaleira que você gostaria de nos recomendar?

JR: O novo CD do Sea Navy está ficando excelente, mas ainda não foi mixado.

MTJ: Você já pensou em mudar para uma gravadora maior? Quero dizer, deve ser muito bom gozar da liberdade que a Barsuk lhes dá, mas também imagino que seja ótimo tirar proveito da popularidade que um selo mais famoso pode dar a você.

JR: A verdade é que o cemitério de bandas está cheio de bandas que mudaram para um selo maior por esse motivo. As maiores [gravadoras] trabalham promovendo dez bandas diferentes esperando que uma tenha sucesso, e essa que consegue o sucesso quase nunca é aquela que eu ou você torcemos. As outras nove bandas são jogadas na pilha de lixo. Devo dizer que uma parte de ser artista ou de viver da arte envolve aprender a controlar suas expectativas. Eu gostaria que as pessoas ouvissem mais o Long Winters por pensar que oferecemos algo único, mas a Barsuk não tem o poder financeiro para nos botar em capas de revistas ou em caixas de cereal, especialmente no Brasil. Uma solução seria pegar minha banda e sair a procura de alguém para nos fazer famosos, mas uma outra coisa que se deve aprender é admirar o quão bem você está sendo tratado, o quão sortudo você é, o quão devotados seus fãs são, e o quão gratificante é ter parceiros de negócios que gostam do que você faz. Verdadeiros fãs de música descobrem boa música, e você é um exemplo perfeito disso. Nossos fãs brasileiros tiveram que descobrir nossa música sozinhos, e de certa forma isso significa que eles nos apreciam mais.

MTJ: Você gostaria de dizer algo aos seus fãs brasileiros?

JR: Para falar a verdade, eu adoraria dizer algo PESSOALMENTE aos meus fãs brasileiros, então precisamos arrumar um jeito de ir ao Brasil para tocar. Eu sei que os fãs de música do Brasil são uns dos mais dedicados amantes de boa música do mundo, e eu fico feliz ao saber que alguns já ouviram Long Winters e apreciam o que fazemos. Eu já fui a América do Sul caçar uma garota pelo Chile, Argentina e Uruguai, mas eu nunca fui ao Brasil. Todos os músicos que eu conheço que já visitaram o país, como os meus amigos do Keane ou Duff McKagan (Guns N’ Roses / Velvet Revolver) ou os caras do R.E.M., falam que o Brasil é o melhor. Pelo menos eu já fui à Portugal uma vez, e eu amei. Muito Obrigado! (essa última frase foi dita em português, juro).

Autor: Alex Correa

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2 Comentários so far
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Um cara simpático, um som muito bom. Tá aí! gostei!

Comentário por Xi

Simpático o cara. A história da banda me lembrou a do QOTSA.

Comentário por Hugo Paceli




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