Move That Jukebox!


Entrevista: The Hives by marçal
setembro 10, 2008, 12:15 am
Filed under: Entrevistas, The Hives | Tags: , ,

Nesta última quinta-feira (04), os suecos do The Hives concederam uma entrevista coletiva na Fnac Paulista, em que estiveram presentes jornalistas de diversos grandes veículos da imprensa, e o Move também marcou presença. Simpaticíssimos, eles responderam a todas as perguntas de modo bem descontraído, mostrando que mesmo sendo celebridades, eles são humildes. Após a coletiva, ainda rolou uma sessão de autógrafos com os fãs, que compareceram em peso levando desde CDs da banda até guitarras para serem autografadas. Confira como foi a entrevista, e fique sabendo um pouco mais sobre esses suecos, que sabem fazer um show como poucas bandas.

O que vocês conhecem do Brasil e das bandas brasileiras?

Pelle: Sepultura é banda que mais gostamos do Brasil, é uma banda tradicional, inclusive os vimos na televisão hoje. Acho que a única que gostamos é o Sepultura mesmo. Tem também o Bonde do Rolê e o CSS. Eles são brasileiros né? É, são essas as três bandas brasileiras mesmo que eu gosto, ou melhor, que eu conheço.

O que vocês, que já tem uma carreira longa, acham das bandas que fazem sucesso muito rápido pela Internet, através do MySpace?

Nicholaus: Eu acho isso bom, porque quando éramos jovens e queríamos achar mais algumas coisas sobre alguma banda nova, tínhamos que sair pesquisando coisas sobre eles, procurar discos em várias lojas. Hoje isto é muito mais fácil, é só entrar na Internet e baixar as músicas, é muito bom principalmente para as bandas novas. Hoje em dia uma banda pode fazer uma turnê inteira sem ter disco lançado, antigamente isso era impossível.

Pelle: Porém as bandas que conseguem muito sucesso rapidamente, tendem a cair no esquecimento mais rápido também.

Nicholaus: Eu acho que seria ótimo se as bandas ruins saíssem do MySpace, porque elas estão ocupando espaço, escondendo as bandas boas.

Três dias atrás, a música nova de vocês estava na trilha sonora na estréia da série Beverly Hills 90210. Logo depois que a série foi exibida, você já podia entrar no site da série e tinha lá o nome da banda, o nome do disco, o nome da música e você podia comprar direto. Queria saber o quanto esse tipo de marketing depende de vocês e o quanto vocês ligam pra esse tipo de associação da banda com alguns produtos.

Pelle: Obviamente nós sabíamos da música na trilha sonora. O nosso último disco, o Black and White Album, foi muito caro. A produção dele foi muito cara, tivemos de trocar os produtores e tal. E resolvemos que iríamos botar a nossa música no maior número possível de meios. Onde nós pudéssemos colocar a música do Hives, a gente colocaria. E pra esse álbum aceitamos coisas que não tínhamos aceitado antes, como trilha sonora de seriados, filmes e etc. Sempre diziamos ‘não, não, não, não’, mas decidimos mudar dessa vez. Temos controle completo sobre a nossa música, pra onde ela vai.

Nicholaus: Da mesma maneira, antigamente aceitávamos tocar em qualquer lugar. Qualquer convite que era feito, íamos lá e tocávamos. O problema foi que entramos em muita roubada, tocamos em muitos lugares ruins. Mas também foi bom, porque pudemos desenvolver a banda ao vivo e hoje nos consideramos uma banda muito boa ao vivo.

Pelle: A nossa idéia era a de que iríamos pra lugares novos dessa vez. Se alguém quiser ouvir a nossa música, a gente vai tocar a nossa música onde for possível, pra que o maior número de pessoas ouça. Isso que é rock ‘n roll.

Suas referências para se vestir são da década 40, 50, 60. Dentro da banda quais são as referências para se vestir, por que vocês se vestem todos iguais, se têm algum consultor de moda ou se vocês mesmos que idealizam todo o visual da banda.

Pelle: Quando começamos a ouvir rock como fãs mesmo, íamos em shows e víamos bandas vestidas como eles andavam na rua, e a gente não achava isso divertido. A gente acha muito preguiçoso as bandas se vestirem dessa maneira. E achávamos desde o início que, quando a gente formasse uma banda, era importante ter um visual único, criar um visual diferente para a banda. Até pra escapar da pobreza da nossa vida – nós não tínhamos muito dinheiro. A gente achou que era legal nos vestirmos bem e em cima do palco, porque é a hora que o pessoal pagou o ingresso, pagou o show e que a gente precisa mostrar algo realmente diferente do que o cara já vê na rua normalmente.

Quando subimos no palco, queremos parecer como se fôssemos de outro planeta, uma banda que surgiu de um lugar que ninguém sabe direito da onde é. É por isso que criamos essas roupas. Não fazemos uma pesquisa. Só nos reunimos e cada um fala mais ou menos do que gosta. E não temos um estilista próprio, fazemos com os próprios estilistas suecos. Damos uma idéia de como queremos nos vestir na próxima temporada, no próximo disco e ai temos as roupas feitas sob encomenda pra nós.

Chris: Sobre o porquê do branco e do preto, quando começamos a enriquecer em 97, usávamos uma roupa preta e branca exatamente porque queríamos nos destacar das outras bandas. Porque na Suécia todo mundo vestia a mesma roupa das ruas e achávamos que era muito importante a banda ter um visual próprio.

Pelle: As bandas que a gente gosta são todas velhas e só víamos em fotos preto e branco. Talvez seja por causa disso.

Na época em que estouraram, no início dos anos 2000, vocês foram chamados de “salvação do rock”. Como vocês encararam essa classificação?

Pelle: Na verdade nós nos decepcionamos. Nós achávamos que éramos muito mais importantes do que isso.

Qual a opinião de vocês sobre bandas como Strokes, White Stripes e Interpol, que também já foram chamadas da salvações do rock?

Pelle: Gostamos muito de bandas como Strokes e White Stripes, já tocamos muitas vezes com eles, nos identificamos muito com o som, achamos essas bandas muito boas.

O que vocês conhecem das outras bandas que irão tocar no festival?

Pelle: Nós nos conhecemos, estamos todos no mesmo hotel. Os Melvins já conhecíamos pois o nosso produtor, Pelle Gunnerfeldt, que já os produziu no ínico da carreira deles, sempre nos fala bem da banda. As Plasticines conhecemos por elas já terem aberto alguns shows nossos. O Vanguart nós não conhecemos, mas só por tocar no mesmo festival que nós, já têm nossa aprovação.

Aqui no Brasil vocês são mais conhecidos pelo público que curte música mais alternativa. E na Suécia, vocês são tratados como celebridades?

Pelle: Na Suécia, se você faz sucesso fora do país, você automaticamente vira uma celebridade dentro dele, e somos bem famosos, assim como outras bandas de lá que também fazem sucesso internacional. Nós não éramos conhecidos na Suécia até fazermos sucesso fora. E agora somos conhecidos por todos os tipos do pessoas, digo, não apenas os fãs de rock. Nós gostamos bastante de tocar por lá, inclusive acabamos de tocar no 125º aniversário do parque de diversões mais antigo da Suécia, e tocamos para um público bem eclético, desde crianças de 5 anos até velhinhas de 70, incluindo nossa avó de 78 anos que foi nos assistir.

Vocês disseram que eram pobres antes de começar a banda. Como é ser pobre na Suécia?

Pelle: Bem, o pobre da Suécia não é realmente pobre. Não é que nem ser pobre no Brasil. Nós podíamos comprar instrumentos, mas não podíamos comprar ternos.

Como vocês foram descobertos para chegar à fama?

Pelle: Nós ensaiávamos ao lado do prédio da gravadora que acabou nos contratando, então eles sempre nos ouviam e sabiam que nós existíamos. Como nós tocávamos bastante pela Suécia, acabamos sendo contratados. Mas eles criaram um sub-selo, caso o nosso disco fosse ruim e pouco vendido, não mancharia o nome da gravadora. Mas tudo correu bem, e agora estamos aqui.

Autor: Marçal Righi

Ajuda na transcrição: Carol Jojo e Bia Corazza

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4 Comentários so far
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mas que gracinha. tão simpáticos, né?
e eles tavam aqui do lado do meu serviço, na fnsc e eu nem pude ir vê-los. :(

Comentário por thaís

simpáticos :D gostei.

Comentário por André

nem tão simpáticos assim, vai… AHAHAHAHAAH acho que nunca vô tirar essa imagem de estrela do Pelle da minha cabeça, mesmo. já o Chris e o Matt… (L)

Comentário por Bia corazza

Como não, Bia??
Fiquei conversando com o Pelle durante a sessão de autógrafos e ele é MASTER simpático!! Te dá toda a atenção do mundo e solta aquele sorriso depois…hahahaha
A imagem de estrela vem apenas da pose que ele faz em cima do palco. Ele é um verdadeiro showman!

Comentário por Carol Jojo




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