Move That Jukebox!


Entrevista: Copacabana Club by Gabriel
setembro 6, 2008, 3:22 pm
Filed under: Copacabana Club

Os meus leitores mais antigos já conheceram o Copacabana Club em junho, quando fiz um artigo sobre eles aqui no Move That Jukebox. Desde então, a banda curitibana não para de fazer shows, ganhar fãs e ficar cada fez mais íntima do sucesso.

Com menos de um ano de formação, o Copa fez seu primeiro show fora do Estado na semana passada, no Rio de Janeiro. O público adorou, e a banda não fez por menos.

Bang Bang

Por MSN, conversei com as meninas de Copacabana: Claudinha (baterista) e Cami (vocalista e semi-tecladista), que falaram por Alec, Luli e Tile sobre passado, presente e futuro . O resultado quilométrico dessa divertida conversa você confere abaixo e, insisto, caso ainda não conheça o Copacabana Club, corra no MySpace e escute as primeiras gravações da banda, lançadas em formato digital e físico pelo EP King of The Night.

MTJ: Pra começar, queria saber quantos anos vocês tem…

Claudinha: Eu tenho 27.

Cami: E eu tenho 25. Os meninos estão na faixa dos 30. Não sei certinho a idade cada um.

MTJ: Alguns de vocês são casados, não?

Cami: Eu sou casada!

Claudinha: Eu sou solteira. Alec e Luli também. O Tile tem namorada.

Cami: Os três meninos já tinham uma banda antes, o ESS. A Claudinha tinha uma outra banda com o Luciano, o Autobahn. Eu era a única que nunca tinha tido banda. Não sabia tocar nada, nenhum instrumento, nem sabia cantar. Meio que me convidei pra entrar na banda…. Quando o Luli, Alec e Claudinha conversavam sobre começar a ensaiar e fazer outra banda foi bem assim: “Poxa, nunca tive uma banda, sempre quis ter uma” – e eles disseram: “Beleza, vem ai!”. O Tile entrou uns meses depois, porque o Alec e Luli ficavam revezando o baixo, e estávamos sentindo falta de alguém que tocasse bem o baixo. No primeiro email de divulgação, não sabíamos mesmo o que colocar, porque eu só tocava instrumentos fáceis.

Claudinha: É verdade. A gente não sabia muito bem o que a Cami ia fazer… Provavelmente cantar. Tivemos a idéia de que ela poderia tocar “instrumentos de percussão portáteis” (cowbell [sino de vaca], meia lua [um tipo de pandeiro]…). Só que como a gente não tinha nada disso eu peguei um teclado muuuuuuuito antigo que tava jogado lá em casa só pra ela usar o som dos instrumentos de percussão, mas ela se empolgou e resolveu tocar teclado também.

Cami: Duas notas no teclado, cowbell, e meia lua. até hoje eu só sei duas notas. Mas eu finjo bem, no show do Rio um menino pediu pra conhecer a tecladista! O Alec [também] toca teclado.. Queremos, a partir de agora, inserir mais teclado nas músicas. Essa semana vai chegar um sintetizador que compramos, então poderemos trazer alguns elementos que tem na gravação para o show ao vivo. Vai ser demais!

MTJ: Esse sintetizador foi comprado com as economias pessoais de vocês ou com o dinheiro que a banda está rendendo?

Cami: Cada um ajuda como pode, claro. Ainda estamos usando o dinheiro de shows pra gravar, imprimir CDs, pagar nossa viagem pro Rio, essas coisas. Aliás, lançamos o EP físico ai no Rio. Quem quiser comprar, está a venda. A Claudinha já tinha a própria bateria. Os meninos tinham as guitarras e os baixos. Eu era a única que não tinha nada, afinal, como disse, nunca toquei nada. Comprei meu próprio microfone, para os shows, e agora comprei o sintetizador, mas tudo pelo bem da banda!

Claudinha: O Luli comprou um amplificador de guitarra recentemente, o Alec tem guitarra, o Tile baixo, eu dei um upgrade nos pratos da bateria dois meses atrás. Agora vem o mesmo bla bla bla de sempre: Não é fácil ser musico independente no Brasil – nem em nenhum lugar do mundo (risos).

MTJ: Saindo do assunto, por que uma banda curitibana recebeu o nome de um bairro carioca?

Cami: A história do nome começou com uma votação (!). Ficamos meses ensaiando sem pensar num nome para a banda. Combinamos por email uma lista gigante com nomes horrendos, mas depois de um tempão ficamos de saco cheio da lista sem fim. Durante um ensaio ficamos conversando sobre o nome, e eu achava que por causa das coisas que a gente gostava e pela nossa origem (Brasil, não Sul), o nome devia ter um aspecto tropical. Algo que qualquer pessoa no mundo identificasse que somos do Brasil. Aí comecei a soltar palavras tropicais: abacaxi, Ipanema, havaianas, Copacabana, banana. Quando falei Copacabana, pensei em Copacabana Boys. Ninguém gostou do “boys”, todo mundo achou um nome meio pedófilo (risos), mas gostaram da primeira palavra. Daí o Tile soltou “Copacabana Club”, todo mundo gostou na mesma hora. Foi o único nome que foi unânime.

“Já pensou? O nome poderia ter sido Clube do Abacaxi…”, brincou Claudinha.

MTJ: Ah, e o que aconteceu com o show que vocês fariam em São Paulo nessa vinda ao Sudeste?

Cami: Quando marcamos o Rio de Janeiro, pensamos em marcar em São Paulo porque já era metade do caminho, mas as baladas em SP têm que ser marcadas com muuuuita antecedência.

Claudinha: E a gravação do Poploaded já estava confirmada, então, como estaríamos em SP sexta de manhã, queríamos agendar um show quinta ou sexta.

Cami: o Lúcio Ribeiro, que é nosso amigo, tentou marcar no Vegas [Clube, boate paulista] na noite que ele toca, mas ele ia viajar e já tinha outra festa marcada no Vegas, então não rolou. Mas ele marcou a gente no programa dele, o Poploaded! Então fomos pra SP gravar no estúdio do IG, quatro músicas – que vão ao ar (em vídeo) no mês que vem, quando ele voltar. dessas quatro uma é inédita no MySpace!

Cami: A gente já tinha tentado filmar um show, mas é díficil. Em show normalmente tem pouca luz, ou muuuuita luz, fumaça, captação de áudio ruim. Vai ser nossa primeira boa imagem em vídeo.

Claudinha: Pois é, o que é bacana num show ao vivo as vezes fica muito confuso e poluído em vídeo. A captação de som também é sempre complicada, ainda mais em bares com todo mundo gritando junto.

MTJ: Falando em gritaria, uma vez a Cami me contou que, pelo menos aí em Curitiba, as pessoas que vão ao show já têm as letras das músicas na ponta da língua. Então vocês já estão caminhando pro trono de sensação indie nacional, não?

Claudinha: (Risos). Difícil dizer.

Cami: Nossa, tomara (risos)! Também não sei…

Claudinha: O que eu sei é que, aqui em Curitiba, temos visto um grupo que sempre está nos shows. Começamos a perceber que o pessoal tem cantado em coro, pra nossa surpresa e alegria.

Cami: É muito bom e ao mesmo tempo estranho que as pessoas saibam as músicas. Quando começamos, não esperávamos que as coisas ficassem assim.

Claudinha: Como a gente tem tocado bastante, os shows estão cada vez mais animados – por isso estávamos ansiosos pra ver a reação no show do Rio. Eu não sei dizer se as pessoas conheciam ou não a gente através do MySpace, mas eu sei que o público estava super animado e várias pessoas faziam coro com a Cami. Isso foi bem bacana, ver que os shows com um público novo podem ser tão animados quanto (senão ainda mais animados) do que com o público de Curitiba, que assiste o Copacabana ao vivo com mais frequência.

MTJ: Então o show fora foi parecido com os de Curitiba?

Cami: É verdade. Eu sou bem realista em relação a banda, então minhas expectativas são sempre mais baixas. Eu achei que o show ia ser menos animado, normal, e foi muito legal. Ou seja, sim e não (risos). Em Curitiba temos um público legal e fiel, são sempre as mesmas carinhas, o que nos deixa confiantes – é fácil!

Claudinha: Eu acho que tocar pra um público novo sempre deixa você mais apreensivo… em Curitiba a gente tem a impressão que pelo menos aquele grupo de pessoas que sempre vai aos shows vai segurar a onda de qualquer jeito.

Cami: E ir pro rio, ver gente estranha, que pode gostar ou não, faz com que a gente tente se superar pra cativar esse público!

Claudinha: A gente não tinha a menor idéia do que esperar, mas acho que depois da ótima recepção vamos estar ainda mais seguros nos próximos shows fora de Curitiba.

MTJ: O setlist de vocês tem quantas músicas?

Cami: Agora, finalmente, dez! Temos algumas pra terminar.

MTJ: Mais perto de gravar um disco completo então?

Cami: não tem como, infelizmente.

MTJ: Por quê?

Cami: as horas de estudio são caras. Temos que fazer de pouco a pouco, em breve gravaremos mais três!

Claudinha: Mas um dia o disco completo chega…

MTJ: Pode entrar para a lista “promessas para 2009”.

Claudinha: (Risos). Quem sabe, quem sabe… Olha, pelo menos mais uma música inédita podemos garantir!

Na entrevista, Cami criou o MPB – “Movimento pro-blog”. Continue lendo e entenda o porquê.

MTJ: Muitos dos fãs que vocês ganharam chegaram ao Copacabana por meio de blogs de música. O que vocês acham da idéia de serem promovidos por um grupo que é majoritariamente formado por pseudo-jornalistas?

Claudinha: Eu acho genial. Boa parte das bandas que eu descobri nos últimos anos foi através de blogs. Acho que é um dos meios de divulgação mais significativos, seja para bandas do Brasil ou de fora.

Cami: Bom, eu tenho um programa de rádio aqui em Curitiba. Se não fossem os blogs eu estava morta.

Claudinha: não temos muitas revistas de música no Brasil. a Bizz foi pro pau, a Rolling Stone tem feito um trabalho ok nos últimos tempos, mas é pouco. Sem os blogs as bandas novas estariam no escuro e o pessoal que se interessa por música completamente perdido.

Cami: É até estranho, porque as vezes acho que uma banda está ficando grande, de tanto ver em blogs, e de repente você começa a ler notícias em mídias mais expressivas, aí você tem certeza: Os blogs meio que prevêem o que vai dar certo.

Claudinha: Outra coisa bacana é que o fato de ser “pseudo-jornalismo”. Isso dá liberdade pra você falar o que realmente acha da banda (e os comentários do pessoal que lê pra concordar ou discordar de você). Geralmente quem escreve nos blogs pode dar sua opinião real e não fica medindo palavras, ou simplesmente ignorar a existência de uma banda que não gosta. Por isso é tão bacana ver o Copacabana sendo citado (geralmente com ótimas críticas) em tantos blogs.

MTJ: O Copa realmente está tendo um ótimo destaque em blogs…

Cami:Nós agradecemos!

Claudinha: pois é, e afinal, não são só os jornalistas que entendem de música, certo? É bacana ter esse espaço para o pessoal que se interessa por bandas discutir, independente de ser jornalista ou não, ou de colocar todos os acentos no lugar certo (risos).

MTJ: E, gente, como andam as vendas do formato físico do EP e das camisetas?

Claudinha: Ainda está muito no começo. Nosso primeiro dia de vendas foi sábado no Rio. Aos poucos algumas pessoas que viram o show e não nos procuraram na hora têm mandado emails ou scraps pedindo informações e vendo o custo do SEDEX. Acho que teremos uma idéia melhor depois da festa de lançamento do EP aqui em Curitiba, no domingo, e no dia 13 de setembro em Floripa. Mas acho que a venda de CDs, de um modo geral, diminuiu bastante. Eu pessoalmente não tenho grandes expectativas de venda. Mas tem pessoas que gostam de fazer o download, tem pessoas que gostam de ter o CD pela capa, tem pessoas que tem preguiça de internet. Nossa idéia é conseguir atingir todo mundo, por isso acho importante o EP físico.

Cami: Gente, vou dar um intervalo… maridinho fez macarrão bolonhesa, já volto!

MTJ: Muito se fala sobre a ligação de vocês com o bar James, onde rola “uma das melhores baladas de Curitiba”, segundo muita gente. Afinal, qual é a real relação Copa-James?

Claudinha: O Luli é dono do James. Nós nos conhecemos há dez anos atrás, quando ele ainda trabalhava no balcão do bar e eu era “cliente-frequente”. Sempre falamos de música, e eu virei DJ do bar. Toco lá já fazem 5 anos, e o DJ que tocava comigo (Alexandre) um dia apareceu com uma namorada nova e ficamos amigas, era a Camila. Na época eu tinha uma banda cover do White Stripes (o nome da banda era white strippers [risos]) e o luli tocava no ESS.

MTJ: Eu nunca perguntei das influências de vocês. Conte.

Claudinha: Olha, cada um que você perguntar vai te falar uma coisa completamente diferente e discordar dos outros quatro (risos). Então, acho que antes de tudo, é legal lembrar que o Copacabana surgiu principalmente porque nós queríamos nos divertir. O Alec queria uma banda com músicas dançantes, o Luli ficou empolgado e eu, como tocava direto como DJ, acabava querendo fazer coisas que agitassem a pista. A Cami também ja teve projetos como DJ e se encaixou perfeitamente nessa linha, e quando o Tile se juntou a banda trouxe linhas de baixo sensacionais.

Cami: Bom, eu já passei por todas as fases. Começando pelos meus pais, que sempre escutaram muita música. Eu nasci e cresci ouvindo música, da minha infância o que mais me lembro é The Cure, The Clash, The Police, The Smiths… 70’s e 80’s em geral. Depois tive uma fase muito MPB, tem muita música que eu sei de cor por osmose – acho! Mas não durei muito… Quando adolescente, por causa de amigos e namorados, escutei muito hardcore, mas indo ao James comecei a gostar mais de indie. Sempre adorei pesquisar som, meio que por isso comecei a fazer esse programa na rádio. Já faz um ano que tá no ar, e eu adoro fazê-lo.

MTJ: Finalizando, o espaço é de vocês.

Claudinha: Uia, essa é a parte mais difícil. Deixo pra Camila, que ela é melhor do que eu nisso (risos). Saída pela tangente.

Cami: Just do it ‘cause you want it, not because you saw it!

Autor: Alex Correa

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